Há males que vem para o bem. Há algumas semanas, Carlos Miguel Aidar, em atitude desesperada para reconquistar força política e apoio da torcida ligou para Diego Lugano. O telefone tocou e, do outro lado da fronteira, o uruguaio nem acreditou no acontecimento: em conversa rápida, o presidente o convidava de volta ao tricolor caso não fôssemos punidos pelo STJD. O paradigma nasce aqui pois a diretoria de CMA já havia negado e renegado o nome de Lugano por diversas vezes. "Velho, lento, não serve" e outros adjetivos que me irritam lembrar. A conversa entre o ex-presidente e Diego foi breve, pois Lugano já estava no Cerro Porteño e preferiu manter o respeito pelo contrato.
Mas de uma ligação desesperada nasceu a "Novela Lugano" pela terceira vez em três anos. Sim, já passamos da fase do "vamos trazer telões de LED e anunciar Lugano" em 2013, passamos da fase "ele não aceitou reduzir o salário" em 2014, e chegamos ao momento de "ele está velho e não rende" em 2015. Este último momento abalou a sociedade, afinal quem acompanhou pelo menos 3 (isso mesmo! Três! Nem precisa do campeonato todo) partidas de Lugano pelo Cerro ou pela seleção Uruguaia percebe que a maturidade e experiência somente agregaram às qualidades que o zagueiro já possuía. Enfim, com as renovações de - algumas - diretorias, as matérias no Brasil de que Lugano estaria praticamente acertado com o São Paulo cresceram em massa. Rádios e TVs o anunciaram como certo no SPFC, quem via pensava que ele estava apalavrado, que existia um pré-contrato ou coisa do tipo. Todos os dias multiplicavam-se as "supostas" entrevistas e dizeres de Lugano sobre sua vinda ao São Paulo. Todas mentirosas!
Eu, protagonista da campanha #VoltaLugano duas vezes, fiz minhas malas na escuridão, fui chamada de maluca pelos mais próximos, parcelei em 10x uma passagem para Assunção, sofri com a alta do dólar e me prometi como jornalista: "só saio daqui com a verdade". Como torcedora fui realizar um sonho.
Cheguei em Assunção na madrugada do dia 4 de novembro, pedi ao taxista um hotel perto do Club Cerro Porteño e teria cerca de 30 minutos para conversar até o destino. Torcedor do Olympia fanático, principal rival do Cerro na cidade, porém, fã de Lugano, o taxista Alberto logo entendeu meu motivo aqui e disse que seria um grande reforço para ele que eu levasse Diego comigo na mala. Que sonho seria, Betão! Ali percebi uma coisa maior do que minha missão: Lugano conquistou o Paraguai em três meses, não somente os fãs de seu clube, mas o Paraguai inteiro respeita, conhece e admira Diego Lugano. Em 90 dias, repito! O fanático pelo clube rival era fã de El Dios e me contava decoradas todas as suas entrevistas, seus gols de cabeça, sua estreia engrandecedora e sua camisa ensanguentada. Pousada há 30 minutos em Assunção eu já sentia a força de Lugano no Paraguai. Alberto queria o jogador no Olympia assim como nós queremos no SPFC, ele enxergava suas qualidades, sua visão de jogo, sua notoriedade. Eu estava indo atrás de um ídolo mundial e não tricolor. Alberto seguiu me contando que o Cerro planeja vencer seu primeiro título internacional ano que vem com Lugano liderando a equipe. Tive outra percepção: Lugano é uma promessa de salvação ao Porteño tão quanto é para o São Paulo em nossas cabeças. Senti inveja, eles já o tem e eu não tenho nada, apenas sonhos e pouco tempo para achá-lo.
Ainda no mesmo dia acordei e fui ao Club Cerro Porteño, pelo horário o treinamento já havia acabado, conversei com o segurança e pessoas no local. Muito se falava da derrota de 3x1 do Cerro para o Olympia no último domingo. Até então, o time de El Dios era líder do campeonato nacional mas após o confronto direto, o rival passou por 2 pontos e restam 5 jogos para decidir o campeão, disputa acirrada. Tensão para o zagueiro, talvez eu tenha chegado em má hora, pensei.
Agradeço aqui ao Marco Aurélio Cunha que não me apresentou ao Lugano e nem avisou minha ida mas disse "Menina, vá direto ao clube e fale com ele!", o único que me motivou a ponto de fazer as malas. Valeu, MAC, este furo de reportagem tem seu nome no crédito. No dia 5 de novembro tive de El Dios meu presente de aniversário com 2 dias de atraso. Cheguei às 9h no CT e o vi de longe treinando. Logo reconheci pela cabeleira, inconfundível, brilhava no meio de todos. Entre um exercício e outro, o líder de postura ímpar abraçava o técnico e o preparador físico, trocava poucas palavras com feição séria, focado. Era como um consolo e uma demonstração de comprometimento ao mesmo tempo. Aqui está o sentimento de inveja novamente.
Um pouco antes de todos finalizarem seus exercícios, Lugano passou cumprimentando a comissão técnica e desceu a escadaria para os vestiários. Era a minha hora de chamar a atenção e chamei. "Lugano! Lugano! Apenas um minuto!". Quando me olhou, mostrei ainda de longe meu pingente do SPFC em colar e ele sorriu, veio em minha direção. Cada passo dele, uma batida do meu coração. Me identifiquei como torcedora São Paulina para não espantá-lo e disse que queria conversar informalmente com ele e que não era uma entrevista, expliquei que apenas queria entender a situação real e o que tinha de verdade em tantas reportagens e supostas entrevistas com seu nome.
"Nada, nenhuma verdade, eu não falo com ninguém do Brasil há muito tempo e nem falarei até o final do campeonato. Eu não estou falando nem com a imprensa local, falei apenas 5 minutos com uma rádio semana passada após o clássico. Não darei mais entrevistas" começou Lugano em um bate-papo descontraído, era um amigo. Me deixou à vontade e eu continuei conversando. Pelo que falou, Diego percebe que não é a primeira vez que a mídia faz isso, milhões de coisas já foram inventadas com seu nome em relação ao SPFC e todo ano/janela é igual, essa não seria diferente. "Mas não dei entrevista a ninguém, não falei com ninguém. Tenho cinco jogos importantes aqui, não quero falar sobre nada que possa desrespeitar o Cerro, a torcida ou o clube.". Aquele era o Lugano que eu conhecia, sempre preocupado com a imagem de seu clube, de seus colegas de trabalho, de sua torcida. Além da competência, esbanjava mais uma vez sua ética e profissionalismo.
O bate-papo rolou, pensei que eu tinha 5 minutos no meio do CT para 1000 perguntas em minha cabeça mas Lugano mostrou seu outro lado, o de ser-humano solícito e simpático. "Podem me esperar na saída dos jogadores? Demoro uma hora mais ou menos". Enquanto eu concordava com a cabeça, 5 meninos com idade de 8 a 12 anos chegaram, um deles logo recebeu o colo de Lugano e ele pediu "Mostre à moça e ao rapaz (Sung, nosso colunista) por onde eu saio". E disse que todos eles eram seus filhos. Saiu risonho e deu até logo.
Dei a volta no quarteirão e os 5 meninos me chamaram para um dos portões "Venha, Lugano pediu que esperasse aqui". Obviamente que estou traduzindo, a maioria deles falava castelhano e um ou dois falavam Guarani que tampouco entendo. Os meninos queriam saber de onde eu o conhecia. Mostrei a camisa do São Paulo e eles admiraram.
O tempo se arrastou. Um mês em uma hora e Lugano saiu sorridente, me pediu um minuto, tirou foto com vários fãs à sua espera, inclusive um boliviano vestido com a camisa do SPFC. Conversou com os meninos na minha frente e veio falar conosco. Disse que um amigo estava à sua espera mas que poderíamos conversar melhor mais tarde. E eu repeti a pergunta que já tinha feito duas vezes dentro do CT "O SPFC não te procurou, não há negociação em andamento? Você não está fechado?". Ele sorria como se fosse um sonho, é obvio o quanto ama o São Paulo mas me respondia com firmeza e impondo respeito "Não, ninguém me procurou e eu jogo pelo Cerro Porteño, tenho cinco jogos como te disse e não falarei sobre o SPFC, não tenho nada fechado e nem conversado, nada". Entendi que era a minha vez de respeitar o espaço dele, ali era meu limite pois havia um clássico perdido e um campeonato a ser vencido entrando em jogo na conversa. O São Paulo não telefonou para Lugano depois que Aidar saiu, porque ele desrespeitaria o clube que honra a camisa e o idolatra falando ou se oferecendo para outro clube? A postura dele nunca foi essa e nem seria agora. Trocamos contato para mais tarde.
A tarde passou e eu já tinha informações o suficiente pra postar que Lugano ama o São Paulo tanto quanto cada um de nós torcedores mas não está apalavrado com o clube e o tricolor erroneamente(na minha opinião) ainda não foi atrás do cara que pode salvar nosso vestiário, unir nossa equipe, reconstruir nossa defesa, trazer a bagagem de conceitos éticos e morais dentro de campo que o SPFC perdeu com o passar dos anos e a energia de equipe vitoriosa que entra joga pelo SPFC, com amor ao clube, por respeito à torcida, por profissionalismo e por questão de honra. O conceito de homem que nasceu pra vencer e não para se contentar com empates. Eu já tinha percebido que não estávamos tão perto quanto muitos anunciaram sem averiguação de resgatar as raízes celestes da raça que sangra literalmente pelo nosso tricolor. Mas Diego foi respeitoso comigo e eu só poderia escrever sobre isso com seu aval. É preciso respeitar quem demonstra respeito por você e assim o fiz, aguardei.
Mais tarde, o convite de minha vida. Dez anos se passaram do mundial, aquele menino de brilho nos olhos, carrinhos perigosos e garra expressiva que beijou a taça estava nos convidando (eu e Sung) para a sua casa à noite. "Vocês não vão embora sem bater um papo comigo, né?". Acho que ganhamos algum ponto por sair de São Paulo e arriscar a sorte em Assunção dando um tiro no escuro, sem eira nem beira atrás dele e ele percebeu. Bom, da escuridão direto para o apartamento de Lugano.
Sozinho, Diego nos abriu a porta sorridente, pediu que sentássemos próximos a ele e puxou assuntos variados como sobre as ascendências dos jogadores e como isso influi no modo em que os atletas jogam, como as seleção são compostas, quais são mais altos, baixos, velozes, fortes no jogo de corpo e por aí vai, afinal estávamos assistindo a um jogo do sub-20 (se não me engano) da Nigéria. O bate papo começou até o ponto que eu e Sung quisemos esclarecer nosso ponto, queríamos separar a verdade da mentira e falar do assunto, não precisava ser uma entrevista de perguntas e respostas mas queríamos abordar o assunto. Desmentir era importante para ele também, ele demonstrava um valor pelo clube que não merecia especulações erradas enganando a torcida que ele tanto respeita. Conversar foi aceitável, afinal somos torcedores perante a um ídolo.
Diego nos contou que Osório esteve em Assunção. "Um Gentleman, veio me esclarecer o por quê de não me chamar, dizer que já tinham muitos zagueiros e ele trabalhava com o sistema de rodízio, poderia gerar brigas por posição e difamarem que ele estava forçando que eu jogasse", contou Lugano. Ficou feliz com a atitude de Osório, achou diferenciada, notável, o elogiou muito. Contou também que Ataíde chegou a ligar pra ele e o sondou mas não foi além.
Lembrou-se de quando se machucou durante a Copa e foi se recuperar no Reffis do SPFC. Sorriu, contou-nos histórias do dia a dia, apesar da tristeza de estar machucado em uma época que era essencial em sua carreira, ele se sentia em casa por se recuperar no SPFC e acalmou o coração. Andava pelos corredores onde se consagrou anos antes e emanava um sentimento de gratidão e carinho por ter sido bem atendido, revisto amigos e conhecidos como o próprio Rogério Ceni. Sorria o tempo todo enquanto lembrava daquela época em que havia uma tristeza (a lesão), uma incerteza (a recuperação) porém, uma alegria: reviver momentos e emoções no SPFC. Ali eu percebi, existe amor e é o mesmo amor que eu sinto quando falo do meu time.
Continuamos conversando e nos contou que por motivos pessoais decidiu voltar de vez à América do Sul. Queria ficar perto da família e distribuiu negativas a times brasileiros que foram atrás dele com muitas propostas (não foram poucos mas manterei o respeito de não entrar em nomes e valores aqui). E o São Paulo? Nada. (Minha decepção aqui) Contou que o Cerro já o queria há algum tempo e ele decidiu abraçar o projeto que a diretoria ofereceu. Crescer o clube com notoriedade, trazer títulos internacionais e dar orgulho à torcida. Lugano já conhecia a um pouco da história e dos desafios do clube e resolveu entrar de cabeça. Bom, Diego conquistou o país inteiro em 90 dias.
Obrigatoriamente, desse respeito que o Cerro enxergou nele entramos no assunto da idade. Eu e Sung usamos Ricardo Oliveira como exemplo, aquele atacante que não servia para o São Paulo em março deste ano segundo nosso VP de futebol mas ganhou o campeonato Paulista, disputa o G4 e está na final da Copa do Brasil. Lugano não deixou de comentar, além de elogiar Ricardo Oliveira complementou com a visão de um homem mais maduro "O jogador quando conhece e aprende a usar a ciência a seu favor ele fica até melhor do que quando mais jovem. Sim, porque podemos não ter mais aquele mesmo fôlego mas temos inteligência, visão, experiência e sabemos usar a fisiologia a nosso favor". Não demorou para que entendêssemos que os olhos brilhantes e vermelhos de Lugano se transformaram em um olhar calmo, direto e focado. O menino vencedor mundial se transformou em um homem que sabia a hora de dormir cedo para recuperar bem o corpo, comer bem para ter seu sistema em controle, que sabia até como se alimentar antes da partida para render mais. Terminamos este assunto com a frase "Não é necessário correr 100km como um besta se podemos correr apenas 10 com inteligência".
Daí partimos de um bate-papo que chega a ser o assunto do meu cotidiano: o dia a dia do São Paulo, sua política, etc. Lugano é inteirado do futebol brasileiro e do São Paulo de uma forma fenomenal, sabe tudo, tem opinião sobre tudo. Riu conosco de histórias de bastidores, compartilhou algumas suas e se chateou (de verdade) quando chegamos à fase financeira e política(renúncia, etc) do clube. Meio agitado, aquele brilho no olho de 2005 voltou por alguns minutos e gesticulando com as mãos como quem quisesse tocar em algo, Lugano dizia "O futebol é mais que isso, entende? Não é 3-5-2, 4-3-3, ele joga ali o outro joga lá, não é assim, o futebol é mais pleno, é maior que isso. É a energia! O futebol é tudo que se agrega à equipe, os números e as fórmulas são para uma empresa, o futebol é bem mais que isso". Falava com certa emoção, nem triste, nem entusiasmado, mas era como se aquilo fosse um revolta inquietante. Eu entendi que ele vivia o futebol, ele viveu o mundial, ele sentiu aquilo. Ele não jogou o mundial, ele o sentiu, o energizou, colocou no colo e cuidou. Ele zelou pelo mundial, zelou por cada jogo que teve no SPFC e por cada jogo que faz em cada clube que passa. Ele zela a camisa que veste. Revoltei-me. Entendi minha missão ali. Entendam vocês também: não é o Lugano apenas, o zagueiro que tem um legado, é a ideologia que ele sabe que existe e que somente ele sabe transmitir somado ao passado que traz brilho nos olhos dos torcedores e somado ainda mais com seu zelo e profissionalismo. Como os dirigentes não percebem que ele é um elo de paz e guerra? Paz nos vestiário, guerra nos campeonatos.
Dali não aguentei, desabafei sobre o futebol do SPFC, contei as brigas de vestiário que eu sabia ao decorrer do ano. A última história de Muricy, esbravejei minhas decepções. Ele prestou atenção, olhar chateado, me ouviu mais do que comentou, como quem quer respeitar a minha emoção e a situação dele ao mesmo tempo ainda que ele também se sentisse igual a mim naquele assunto. Eu disse que sempre imaginava que Lugano poderia dar jeito na situação de vestiário, nas brigas idiotas que fiquei sabendo, que o espírito de liderança dele jamais deixaria a coisa chegar naquele tamanho. Enfatizei sua presença de vestiário na minha opinião. Depois de me ouvir ressentida, ele quebrou o clima "É mas eu também me garanto bem no campo, viu". Todos rimos.
Vou finalizar essa primeira parte do meu bate-papo/sonho realizado com a pergunta que fiz doze mil vezes e ele repetiu o que disse há muitos anos. A pergunta era sobre o amor, sobre uma volta, claro, sempre respeitando o contrato atual com o Cerro, mas sonhando, pensando em um dia, na próxima janela ou na outra se voltaria, se queria abraçar aquela torcida de volta o mesmo tanto que nós o queríamos. Ele foi direto e curto antes de mudar de assunto "Sempre dependeu do SPFC, eu dei o primeiro passo no passado. Mas sempre dependeu do São Paulo".
É chorável. O diretor de futebol, o presidente, o integrante de comissão técnica que não perceber a importância da presença desse homem no São Paulo neste momento histórico atual deve, na minha opinião, entregar o crachá. Este é um homem de pacificação. Este é um homem que agrega. Não só pela inteligência, garra, vontade, amor, qualidade, raça, habilidade e comprometimento em campo. Não só pelo seu legado deixado no São Paulo e com a torcida. Mas pela energia, pela postura. Pelo exemplo que este cara será a todos os outros. E ele será exemplo sem aumentar a voz, sem exibir estrelas, sem exigir holofotes. Ele será exemplo pelo dia a dia, pelo cotidiano, pelo assunto no almoço, pela postura no ônibus indo ao estádio, pela atitude diferenciada em cada detalhe do cotidiano. Este homem é o homem da braçadeira que hoje está com o Rogério Ceni. Ele tem voz ativa e, principalmente, sabedoria. É a simbologia que precisa ser recuperada. Se existiu uma doença no São Paulo, Lugano sabe os nutrientes que faltam para recuperá-lo.
Deixo para a segunda parte se falamos ou não neste bate-papo sobre até quando vai seu contrato com o Cerro, sobre cláusulas, se o salário chegou a ser problema anteriormente para fechar com o SPFC, se realmente quase fechou em 2013 e se falamos do desfecho futuro de Diego Lugano. Esse bate-papo promete muita coisa ainda.
Por hoje é só. Amanhã publico a segunda parte.
Layla Reis - Equipe SPFC.Net
Saga pela verdade sobre Diego Lugano em Assunção - Layla Reis (parte 1)
Fonte SPFC.Net
8 de Novembro de 2015
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