Pintado confia no Guarani contra a Lusa e põe São Paulo como "objetivo"

Fonte Gazeta Esportiva
Pintado deixou o cargo de auxiliar no Cruz Azul para assumir o “desafio” do Guarani (foto: Fernando Dantas/Gazeta Press)
O detentor do título brasileiro de 1978 é comandado por um campeão da Libertadores e do Mundial. Atualmente na Série C do Campeonato Brasileiro, o tradicional Guarani e o competitivo Pintado já viveram dias mais gloriosos no futebol nacional. Em busca de um reencontro com os melhores momentos do passado, os dois precisam vencer a Portuguesa nesta segunda-feira, às 20h30, no Brinco de Ouro, para dar sobrevida ao sonho do acesso para a Segundona.
Para isso, o Bugre se agarra ao próprio estádio – que por pouco não foi leiloado ainda neste ano – e à matemática. Com 20 pontos, a equipe ocupa a sexta colocação na tabela do Grupo B. São dois a menos do que o Juventude e quatro abaixo da própria Lusa, último time no G4 que leva às quartas de final do torneio. Para dificultar ainda mais a missão, restam apenas três rodadas para o fim da primeira fase.
Ex-jogador da própria Lusa e campeão paulista, continental e mundial com o São Paulo, Pintado tem um desafio na carreira de treinador: tentar reproduzir nos seus times a competitividade que teve como atleta. Segundo o próprio técnico, que deixou o posto de auxiliar no mexicano Cruz Azul e foi entrevistado de forma exclusiva pela Gazeta Esportiva, o desafio proposto lhe animou pela possibilidade de se aproximar de uma meta específica.
Com contrato até o fim do Campeonato, Pintado trata como sonho pessoal e objetivo profissional um retorno ao São Paulo, clube que defendeu como atleta em duas passagens (entre 1984 e 1986, e entre 1992 e 1993). Mesmo assim, o profissional garante que torce pelo sucesso de Juan Carlos Osorio à frente do Tricolor, embora não seja grande fã do rodízio proposto pelo colombiano. “Até hoje, eu não vi uma experiência dessas dar certo”, ponderou.
Em dois jogos no comando do Bugre na Terceirona, Pintado segue invicto: vitória sobre o Tombense por 1 a 0, e empate em 0 a 0 com o Madureira. Nenhum gol sofrido em 180 minutos, o que contribui para o otimismo do professor. Por outro lado, o técnico adota cautela ao se referir à Portuguesa, outra equipe tradicional na Série C, como o Guarani, e bem treinada por Estevam Soares com o melhor ataque do torneio. “Gostaria de ver os dois clubes mais acima, em uma posição de mais destaque no cenário do futebol brasileiro”, lamentou.

Hoje restrito à beira do gramado, Pintado continua inquieto como nos velhos tempos (foto: Djalma Vassão/Gazeta Press)
Gazeta Esportiva: Você diria que assumir o Guarani na Série C é o maior desafio da sua carreira de treinador até o momento, pela responsabilidade que tanta tradição impõe?
Pintado:
Não é o maior da minha carreira, mas é um desafio enorme, sem dúvida. Por se tratar de um clube com essa tradição e a possibilidade de crescer junto com esse elenco. Isso me motivou a aceitar esse convite, até porque os resultados podem me ajudar muito na carreira.
GE: E você se surpreendeu de alguma forma com esse início de trabalho, positiva ou negativamente?
Pintado:
Não diria que me surpreendi. Eu já imaginava que algumas coisas fossem acontecer. A aceitação dos atletas ao novo método de trabalho foi muito positiva, o que é ótimo. Graças à passagem pelo Cruz Azul, pude agregar muitas coisas à minha metodologia de trabalhar. Quanto ao elenco, espero um pouco mais deles em termos de futebol. A gente sempre espera um crescimento, um desenvolvimento.
GE: Está otimista em relação à classificação do Guarani para as quartas de final?
Pintado:
Muito otimista, muito otimista. É claro que é difícil, vamos enfrentar uma adversária muito tradicional e que tem feito boa campanha. A Portuguesa tem uma boa equipe e precisamos estar preparados, mas eu também tenho que ser otimista. O Guarani não pode se diminuir, ainda mais jogando em casa.
GE: Como barrar o ataque da Portuguesa, o melhor da Série C até o momento?
Pintado:
A nossa defesa já não sofre gols há dois dias. O Guarani ainda não sofreu gols desde a minha chegada. É claro que temos que ficar atentos e não bobear na frente deles, mas a defesa vem bem.

Pintado também teve passagem pela Portuguesa quando jogador (Foto: Acervo/Gazeta Press)
GE: Como jogador, você costumava ser um símbolo de raça dentro de campo. O elenco do Guarani tem essa característica? É um time aguerrido?
Pintado:
Eu não digo nem de raça ou garra, é questão de competitividade. Isso eu tenho trabalhado com eles, no sentido de sermos mais competitivos. É um espírito coletivo que precisamos ter para enfrentar melhor os jogos nessa reta final da primeira fase.
GE: Qual é a sua relação com o Estevam Soares?
Pintado:
A relação é muito boa, muito boa. Conheço bem o Estevam, e ele tem feito um bom trabalho à frente da Portuguesa, apesar de todas as dificuldades. É um bom profissional de futebol.
GE: E qual é a importância do Brinco de Ouro, não só para esse jogo, mas para a campanha do Guarani como um todo?
Pintado: Antes da minha chegada, a gente teve alguma dificuldade para aproveitar o fator casa. Por isso, é importantíssimo que saibamos dosar isso agora. O Brinco de Ouro é muito tradicional e pode ser a força que o Guarani precisa.
GE: Você se entristece por ver o Guarani e a Portuguesa tendo que brigar entre si pelo acesso, mesmo tão tradicionais?
Pintado:
Não, não me entristece. Eu joguei na Portuguesa e hoje sou técnico do Guarani, duas grandes equipes. Gostaria de vê-las mais acima, em uma posição de mais destaque no cenário do futebol brasileiro. Acredito que isso vai ser alcançado, dá para chegar.
GE: É evidente que a modernização do esporte e das arenas trazem seus frutos, mas o futebol brasileiro também perde com esse esquecimento do Brinco e do Canindé perante o público geral?
Pintado:
Nossa, perde muito. São estádios que têm uma infinidade de histórias, ainda mais por se tratarem de dois clubes que têm estádio próprio. Isso traz muito o torcedor para dentro do clube, é muito importante. É fundamental para o futebol brasileiro que os grandes times tenham suas casas, sua identidade.
GE: Qual é a postura do Bugre para esse jogo? Vai para o ataque?
Pintado:
Sem problemas, eu falo. A gente só quer um resultado, nada mais interessa. Vamos jogar para vencer. É claro que precisamos ter cuidado, já que a Portuguesa não é um time que vai ficar só esperando pelas nossas chegadas, mas precisamos atacar. O jogo é na nossa casa e a maior necessidade da vitória pertence à gente.
GE: Existe um limite para time nessa temporada? A briga é só pelo acesso mesmo, ou dá para chegar ao título?
Pintado:
Eu penso em tudo. Primeiro temos que sair da situação incomoda em que a gente está, precisamos subir na tabela e conseguir a classificação para as quartas de final primeiro. Mas uma vez superado esse desafio, dá para buscar mais e mais. Sem limite.
GE: Mudando um pouco o foco, a situação atual do São Paulo te passa que sentimento?
Pintado:
O São Paulo me deixa bem emocionado sempre. A questão é que pode ser emocionalmente feliz, ou emocionalmente triste. Esse clube me proporciona sentimentos desencontrados, ainda mais depois de um clássico como o que fizeram contra o Santos. Mas eu acredito e confio que isso vai passar logo, o clube vai voltar a ter a eficiência que lhe faltou nos últimos três anos.

Volantes do Tricolor em 92, Pintado e Adilson (esq.) protegiam a defesa de Ronaldão e Zetti (dir.) (foto: Sergio Barzaghi/Gazeta Press)
GE: Acha que tem faltado raça ou comprometimento para o elenco?
Pintado:
Não acho que o problema é esse. Mesmo de longe, dá para notar que o jogador tem buscado os lances, as oportunidades… Não é questão de raça, o São Paulo precisa ser mais competitivo. O único problema é que isso é individualidade de cada jogador, não é algo que possa ser treinado ou desenvolvido. Vai de cada ser humano.
GE: E qual é a sua opinião sobre as inovações do Osorio, como o rodízio que ele vem tentando implantar?
Pintado:
Até hoje, eu não vi uma experiência dessas dar certo. O jogador brasileiro precisa de referência, de uma base fixa no time. Muito se fala sobre esse rodízio importado da Europa, mas se esquecem de que o rodízio por lá é periférico. A base é mantida de forma quase fixa e mudam um ou dois jogadores, dependendo da partida. Cinco ou mais mudanças é algo irreal. Mas eu não digo isso como crítica ao trabalho do Osorio ou ao método que ele trouxe da Colômbia, e sim como a realidade cultural do futebol brasileiro. É diferente.
GE: Você chegou a ter contato com ele pelo interesse do Cruz Azul?
Pintado:
Não, apenas passei algumas informações. Chegamos a discutir com a diretoria sobre essa possibilidade, mas não cheguei a entrar em contato diretamente com o Osorio.
GE: O São Paulo e a torcida têm que se adaptar ao estilo dele, ou ele tem que se adaptar à realidade do futebol brasileiro? Quem tem que ceder mais nessa queda de braço?
Pintado:
Disso eu não tenho dúvida: é ele que tem que se adaptar. Em qualquer país do mundo, é o estrangeiro que tem que se adaptar. Foi assim na minha chegada ao México, por exemplo. Com toda a história gloriosa que o clube tem, não dá para o São Paulo se adaptar ao Osorio. Tem que ser o contrário.
GE: Se você tivesse perdido oito jogadores no elenco do Guarani por negociação, como o Osorio perdeu, apostaria nas improvisações?
Pintado:
Não gosto muito de improvisar. Para mim, o simples é mais produtivo no futebol. Mesmo assim, acho muito positivo que ele teste as opções que têm, que tente mostrar alguma coisa diferente. É importante que o São Paulo se ajuste na parte financeira para que ele possa trabalhar com mais tranquilidade.
GE: Você ainda nutre o sonho de trabalhar no São Paulo?
Pintado:
Eu não falo nem em sonho… É objetivo. Desde que iniciei a minha carreira como treinador, tenho me preparado para isso. É um sonho pessoal que virou objetivo profissional, digamos assim. Não estou pedindo emprego para ninguém, mas eu me preparo na expectativa de um dia estar pronto e à altura do São Paulo. Não consigo pensar em um técnico de futebol que não gostaria de treinar esse clube.
GE: Sem colocar dúvida sobre a capacidade do Osorio, mas e se essa oportunidade aparecesse agora, em meio à Série C, você consideraria?
Pintado:
Nesse momento, o Guarani é prioridade. Tenho contrato até o fim da Série C e pretendo fazer uma campanha positiva, vamos em busca do acesso. O São Paulo ainda vai crescer com o Osorio, eu acredito nisso. Mas não vou ficar negando, né. Se a oportunidade aparecesse, eu não pensaria duas vezes. Quero retribuir tudo o que o São Paulo me proporcionou e dar ao clube os mesmos títulos que conquistei como jogador. É o mínimo que posso fazer, a gratidão é eterna.

Brinco de Ouro e Canindé: a disputa judicial pela sobrevivência
Quando as contas não fecham dentro do clube, a situação desesperadora se estende para além da sede administrativa. Avaliado em R$ 410 milhões pela Justiça Federal, o estádio Brinco de Ouro da Princesa, casa do Bugre, foi levado a leilão mais de uma vez. A empresa Magnum quase conseguiu arrematá-lo por R$ 44, 5 mi, mas a Justiça do Trabalho interviu e anulou os acordos. Sem receber ofertas acima de R$ 126 mi, valor mínimo estipulado para um lance inicial, o estádio seria vendido ao grupo Maxion Empreendimentos Imobiliários por R$ 105 milhões, porém a juíza Ana Cláudia Torres Vianna, da 6ª Vara do Trabalho de Campinas, anulou a compra por considerar o valor de arremate muito baixo.
Na ocasião do aniversário do Guarani, que completou 104 anos em abril, os torcedores realizaram uma vigília no Brinco de Ouro para lamentar a atual situação do clube. Em julho, a mesma juíza que anulou as compras teria autorizado a venda do estádio por iniciativa particular ao Magnum, que ficaria encarregado de quitar as dívidas trabalhistas do Bugre. No entanto, a história ainda segue longe de ser definida, já que há recursos contra as decisões de Vianna – inclusive contra a própria juíza relatora – correndo na Justiça.
Paralelamente, na capital paulista, o estádio Oswaldo Teixeira Duarte, o Canindé, sofre das mesmas dificuldades que o rival do interior. Com muitas dívidas, a Portuguesa luta para manter viva – e exclusiva – a casa onde manda seus jogos pela Série C do Campeonato Brasileiro. Apesar das promessas do presidente Jorge Manuel Gonçalves de não vender o estádio, o clube já estuda ceder uma parte do local para empresas que consigam tornar o Canindé rentável. A diretoria até acertou o aluguel do ginásio para uma igreja evangélica, embora não tenha liberado os valores da negociação.
Repetindo a fórmula do Guarani, a Lusa já vê a Justiça do Trabalho determinada a leiloar a casa rubro-verde para arcar com as dívidas internas. A busca por alugueis e opções que possam trazer dinheiro tem data-limite: até o mês de novembro, a Portuguesa precisa arrecadar o máximo possível para impedir a venda do tradicional palco do futebol paulista.
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