Antes aliados, Juvêncio e Aidar agora polarizam a política no São Paulo
O ex-presidente do São Paulo, Juvenal Juvêncio, rebateu os dados sobre as finanças do clube divulgados pelo seu sucessor, Carlos Miguel Aidar, em entrevista exclusiva publicada na edição desta segunda-feira do Estado. O ex-dirigente criticou a atual gestão e disse que articula para lançar um candidato de oposição para a próxima eleição, em 2017.
O clima na política do São Paulo é de expectativa pela reunião do Conselho Deliberativo na noite desta terça-feira. O encontro é bimestral, e a princípio não teria na pauta assuntos polêmicos para apreciação dos presentes.
Juvêncio entrou em contato com o Estado na manhã desta segunda-feira e afirmou que a dívida total do clube, de R$ 273 milhões – valor revelado por Aidar –, não é culpa dele. "A diferença ele fez na gestão dele, em um ano", disse o ex-presidente, que comandou o São Paulo entre 2006 e 2014.
Os dois eram aliados políticos até o rompimento, em setembro do ano passado, quando Aidar reclamou das finanças e demitiu Juvêncio do comando das categorias de base de clube.
O ex-presidente afirmou que antes de sair do cargo deixou R$ 20 milhões no caixa. O valor, segundo Juvêncio, foi usado por Aidar para pagar à vista a contratação do atacante Alan Kardec, que pertencia ao Benfica e estava emprestado ao Palmeiras.
"Tínhamos recebido um adiantamento de R$ 50 milhões da TV Globo três dias antes do término da minha gestão, com a assinatura dele como testemunha", disse Juvêncio, que negou ter deixado uma dívida com a Timemania. "A dívida era zero. Depois ele deixou de pagar".
Juvenal descartou ter o desejo de ser o adversário de Aidar na eleição do clube em abril de 2017, mas contou que já procura algum nome para indicar ao pleito. "Vamos lutar fortemente para ver se encontramos um herói para gerir uma massa que está quebrada".
Na entrevista exclusiva ao Estado, Aidar mostrou dados do balanço financeiro do clube em anos anteriores e disse que se não fosse a má gestão teria em caixa um valor de R$ 522 milhões, suficiente para reformar o Morumbi. "Não se cuidou do caixa do São Paulo nos anos de 2003 a 2014. Não estou citando nomes, nem presidentes nem gestões, apenas anos", comentou.
O atual presidente preferiu não falar sobre o antecessor, e disse que tem como meta pacificar a divisão política do clube. Na última semana, Aidar reuniu 126 conselheiros para um jantar no Morumbi. Todos assinaram um ofício para retirar da pauta de reunião de hoje contratos considerados polêmicos firmados na gestão de Juvêncio.
Os documentos serão analisados pelo CEO (Alexandre Bourgeois) e pelo executivo financeiro (Rubens Arantes), ambos recém-contratados pelo clube. "Se dessa caixa preta vão sair outras coisas eu não sei. Vou colocar nas mãos deles para eles negociarem", disse.
Dos itens principais dessa análise, um é sobre o Habib's, que segundo Aidar paga uma "ninharia" para explorar o serviço de lanchonetes no Morumbi, e também o contrato com o escritório de advocacia AMVO, que tem como um dos sócios José Francisco Manssur, conselheiro de oposição e assessor da presidência durante a gestão de Juvêncio. "Esse escritório tinha faturas em torno de R$ 200 mil por mês, para acompanhar para dar entrevista, chefiar delegação e coisas que não têm nada a ver com o serviço jurídico".
Juvenal rebate Aidar e culpa sucessor por dívida do São Paulo
Ex-presidente diz que prepara candidato para eleição de 2017
Fonte Estadão
28 de Julho de 2015
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