Foto: Reprodução/GloboEsporte.com
Sempre gostei dos times treinados por Muricy. Sempre gostei mais ainda das entrevistas dele, grosseiras, eventuais patadas e mau-humor à parte. É um profissional que conhece muito de futebol, e que não enrola, vai direto aos pontos, coloca o dedo nas feridas para ajudar na cicatrização. Acompanhei esta semana mais uma ótima entrevista que ele deu, à Rádio Bradesco Esportes FM, em que jogou luz sobre vários problemas do nosso futebol, conceitos com os quais concordo inteiramente, e que reproduzo aqui resumidamente para reflexão dos leitores.
Guardiola na Seleção - "Gaurdiola daria certo em qualquer lugar porque é o melhor de todos. Só que seria difícil se adaptar com a bagunça que é aqui. Não adianta discutir apenas a troca de técnico. Tira um, bota outra, e não mexe na estrutura, claro que não adianta nada. Era preciso reestruturar o futebol brasileiro, mexer na formação de jogadores, na estrutura da formação, no profissionalismo, aí sim chamar o Guardiola."
Momento do futebol brasileiro - "Depois do 7 a 1, a CBF tinha de pegar a diretoria, os principais treinadores do país, a TV, os jornalistas, o máximo de gente que tenha contribuição a dar e fechar em algum lugar aí pra tirar medidas pra voltar a ser o que éramos. Só que a CBF não vai fazer isso porque se fizer vai ouvir um monte de coisas que não vai gostar, vamos pedir mudanças e eles não querem mudanças porque, pra muitos, está muito bom como é hoje. O triste é que, depois do 7 a 1, quem fez a melhor coisa para o nosso futebol foi o FBI."
Lei Pelé - "Não precisa ser extinta, mas precisa ser revista e atualizada. Não podemos voltar à escravidão que era na minha época de jogador, mas é preciso também proteger um pouco os clubes e o nosso futebol, já que os melhores jogadores saem daqui meninos. A nossa base está bem ruim."
PH Ganso - "É um jogador de muito valor. É uma cara que treina, que se cuida muito na parte física. Só não concordo com o nervosismo que anda apresentando. Ele sabe que hoje ninguém pode falar com o árbitro, ele é preparado pra isso, então não pode ter essa atitude de reclamar."
Futuro - "Quero continuar trabalhando no futebol, perto do campo. Talvez não como treinador, mas como coordenador. Mas um coordenador que esteja do lado do treinador, que lhe dê suporte. As pessoas acham que é fácil ser treinador no Brasil, mas não é. Estamos sempre muito sozinhos. Esses profissionais que estão por aí, a maioria entende pouco e, numa situação de divergência, sempre fica do lado da diretoria. Serei um coordenador que não vai interferir no trabalho do técnico, mas que vai evitar que a diretoria o demita depois de duas ou três derrotas. Hoje, essa história de planejamento, projeto, é tudo a maior mentira que existe. Hoje o técnico vive se o time não perder."
É isso. Catucadas em quem as merece, dedos nas feridas, e simplicidade + objetividade que mostra ser a solução para nossos problemas algo fácil de fazer, basta querer. Esse é Muricy, a quem admiro. Tomara que, preservando sempre a saúde, ele volte logo à ativa, o futebol precisa muito dele.
O futebol precisa muito de Muricy Ramalho
por Ricardo Gonzalez
Fonte Blog Entre as Canetas
22 de Julho de 2015
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