Paulo Henrique Ganso não tem problema físico. Seus índices e testes estão dentro da média. Do contrário, o departamento de futebol do São Paulo já teria feito com ele um trabalho especial. Não é necessário. É um jogador capaz de aguentar 90 minutos em ritmo alto, como a maioria. Mas há um erro de concepção que compromete o desempenho do meio-campista.
Ganso sofre conceitualmente. Pensa o seu papel em campo de forma equivocada. E transparece muita vezes uma preguiça de correr. Passa a imagem de só querer pensar. E isso, convenhamos, não basta.
É um jogador técnico, elegante, de raro poder de armação. Essas valências, no entanto, acabam escondidas por falta de intensidade. Os números comprovam: Ganso dá menos assistência do que seu talento é capaz. Nas últimas cinco temporadas, por exemplo, deu 44 passes para gol (segundo números do Futdados). Só para se ter uma ideia, em 2010, Conca fez quase metade disso (18) em apenas 38 rodadas da Série A.
Ganso não corre porque não consegue. Ele não corre porque não quer, porque não acha necessário. Participa pouco. Surge em doses homeopáticas. Pelas declarações que já deu, vive em um mundo imaginário, em uma redoma criativa. Todos precisam carregar o piano para ele tocar. Só que ele não vem tocando.
É uma pena. Ganso parecia o elo perdido. A esperança de que o romantismo do jogo bonito ainda podia sobreviver ao atletismo do jogo moderno. Esse elo perdido, porém, perdeu-se na própria genialidade.
O problema do Ganso é conceitual, não físico
Fonte Esporte Interativo
20 de Julho de 2015
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