Em 2013, Aidar e Juvenal comemoraram juntos a continuidade no poder. (Foto: Duvulgação/saopaulofc.net)
Na confirmação da vitória de Carlos Miguel Aidar na eleição para a presidência do São Paulo, Juvenal Juvêncio, mandatário nos oito anos anteriores, comemorou a continuidade de seu grupo político no poder. Pouco depois, entretanto, um racha entre os cartolas afastou o ex-dirigente dos bastidores da agremiação. Em entrevista ao “Lancenet”, Juvenal falou sobre a gestão de seu sucessor.
“Ele (Aidar) me pedia muito para ser presidente, mas eu não dava bola, achava que seria ineficaz. Antes do pleito percebi que ele iria me trair. Antes ele já começou com umas conversas diferentes, querendo trazer uns caras, falando besteira… Reclamava que só tinha um patrocinador onde poderiam ter cinco, mas hoje procura um e não tem. Provou que estava defasado, mas não tinha mais volta”, comentou, admitindo que superou sua saída, mas se arrepende não ter chegado às vias de fato com Aidar. “Achei que ia agredi-lo e deveria ter feito isso e não fiz. Devia ter dado (um soco) nele, mas não fiz e me arrependo. Mas tem de ter cuidado também para não prejudicar a instituição, preciso pensar nisso”.
Juvenal aproveitou também para expor o que acha serem os erros da gestão do atual mandatário. “O mal lá é a interferência do Carlos Miguel. Eu sei, não vou contar como, que os jogadores detestam ele. O jogador é o cara que testa o dirigente. Em uma semana, ele percebe se o presidente ou o diretor é um torcedor ou se é boleiro, como eles chamam, se entende do jogo. Já perceberam que ele é torcedor, com uma desqualidade, promete as coisas e não cumpre”, disse, afirmando ainda que acredita que o São Paulo terá uma equipe competitiva, mas que isso vai depender da pouca interferência de Aidar. “Ele fica aí, mas deveria evitar mexer com o futebol, não mexer com Cotia. Ele não gosta disso, o social está todo abandonado, seria melhor ficar no barco dele fazendo churrasco”.
Sobre a polêmica do terceiro mandato, quando aproveitou uma brecha no estatuto da clube para se manter no poder, Juvenal assumiu o erro, mas afirmou que faria diferente. “Foi um erro do ponto de vista, digamos, filosófico, outro dia falei para o Lula: ‘presidente, na (sua) próxima campanha, quero estar junto’. Ele falou pra mim: você foi candidato a terceiro mandato e eu falei pra você não ser. E o seu terceiro não foi o melhor. Se eu voltar à presidência, eu não faria o governo que fiz”, explicou, acrescentando que, apesar dessa situação, a torcida tricolor não está do lado de Aidar. “Se eu fizer dois discursos, ela fica comigo. Primeiro que minha história não se muda. Títulos brasileiros, campeão do mundo, estatísticas não se medem. A torcida quer sucesso. Quando saímos, não tivemos sucesso, futebol tem isso, não é um computador. Você desgoverna, cara que saiu que parece que não tinha importância, e tinha”.
O ex-presidente disse que a cada dia Aidar perde mais adeptos dentro do clube e garantiu que no próximo processo eleitoral, que terá “participação forte” sua, “quem está com ele vai despencar, porque ninguém acredita nele”. “Como eu cometi um erro, preciso reparar. Quando eu recompuser o erro, estarei realizado. É uma questão minha, de luta. Vamos tirá-lo de lá pelo processo democrático e o São Paulo estará bem. Ficarei quieto, não sou candidato até porque já dei uma contribuição que a história dirá. A história é filha do tempo e o tempo é o senhor da razão”, completou.
Juvenal diz que ‘errou gravemente’ por escolher Aidar como seu sucessor: ‘Os jogadores detestam ele’
O ex-presidente garantiu que se fizer “dois discursos” a torcida do são-paulina fica do lado dele
Fonte Esporte Interativo
17 de Julho de 2015
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