Foto: Djalma Vassão/Gazeta Press
O comportamento da arbitragem neste Brasileirão me faz lembrar o costume dos reis da Pérsia no período antes de Cristo. Segundo a tradição (que consta no relato bíblico e em outros registros históricos), aquele que se dirigisse ao rei sem ser chamado seria morto, caso o monarca não estendesse o cetro de ouro ao “intruso”.
No futebol brasileiro, a lei em vigor atualmente ordena: diante de qualquer palavra não autorizada dirigida ao homem que porta o apito, cartão amarelo, no caso dos jogadores, e expulsão, se o “súdito” for técnico. A vítima mais recente foi o comandante do São Paulo. Osório, segundo a súmula da goleada para o Palmeiras, falou ao árbitro:
– A advertência do meu jogador foi injusta, você errou, você está equivocado.
Nada de xingamento, atentado à honra do árbitro ou palavras ríspidas. Mas Anderson Daronco (que é do quadro da Fifa) mandou o colombiano para a forca. Execução sumária, que deixaria Xerxes (também chamado de Assuero, um dos monarcas persas mais famosos) orgulhoso. E esse é apenas um dos exemplos.
No Brasil, como acontece no mundo inteiro, é indiscutível que jogadores e treinadores costumeiramente se excedem na reclamação (tanto em quantidade quanto em intensidade). Concordo com a Comissão de Arbitragem nisso. Mas os árbitros precisam ser humanos. Se a Fifa evoca tanto que haja interpretação da regra (bola na mão, impedimento, “lei” da vantagem, etc ), por que não analisar e só punir quando as palavras proferidas à arbitragem forem, de fato, desrespeitosas?
Do jeito que está, quem dá bom dia sofre a mesma pena daquele que manda “para a ponte que caiu”. O desequilíbrio é flagrante. Talvez esteja faltando aos “monarcas” brasileiros estender o cetro de ouro a quem não os tenha ofendido.
PRESSÃO DO ALTO
É importante ressaltar que os árbitros também são colocados contra a parede caso não amarelem ou expulsem os reclamões (seja qual intensidade for). A CBF já deixou claro que coloca na “geladeira” os que deixarem passar qualquer episódio do gênero.
OPINIÃO: Árbitros brasileiros ou reis da Pérsia?
por Igor Siqueira
Fonte LANCE!Net
28 de Junho de 2015
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