São-paulina solitária desafia 'babacas' em evento no Morumbi

Bete, 36, é a única mulher entre os quase 440 inscritos para os jogos do ‘Vou jogar no Morumbi’, usará a camisa 7 de Müller e sonha em comemorar gol com Dario Pereyra

Fonte LANCE!Net
Bete posa para o LANCE! na subida do túnel do Morumbi (Foto:Eduardo Viana)
De sexta-feira até domingo, o Morumbi receberá 20 partidas com torcedores do São Paulo que poderão jogar com seus ídolos ou ser treinados por lendas do clube. Mas entre nomes como Dario Pereyra, Müller e até Rogério Ceni, o nome que mais destaca na lista de presença do "Vou jogar no Morumbi" é o de Elisabete Hausknecht.
- Não sabia desse evento. Recebo as informações por ser sócia-torcedora e por ter participado de outras ações da Passaporte FC. Já fui em um navio, fiquei em camarotes no Morumbi, mas não sabia desse evento. Recebi o e-mail, quis me inscrever. No navio não pude jogar, mas como não falaram nada desta vez, efetivei a inscrição. Não responderam, então pode! - contou Bete, ao LANCE!.
A um mês de completar 37 anos de idade, a paulista de São Caetano do Sul é a única mulher entre os quase 440 inscritos no evento organizado pela Passaporte FC, agência de turismo do Tricolor. E, às 9h de sábado, a meia-direita Bete, dona da camisa 7, terá a oportunidade de sentir um pouco do sabor da carreira que um dia sonhou trilhar.
– Fiquei com medo de não poder participar por ser mulher. Eles falaram que eu não poderia jogar, mas li o regulamento e não tinha nada! Quando a confirmação chegou, dei pulos. Estou voltando de lesão, operei o joelho, mas mesmo assim pulei! Vai ser meu retorno! Compensará um sonho interrompido – festejou.
Bete vestirá a camisa 7 em homenagem ao ídolo Müller, que está confirmado para partidas do pacote Premium do evento. Professora e sem condições financeiras, a meia-direita precisou abrir mão da chance de estar com seus ídolos e adquiriu o pacote mais "barato", de R$ 1.490,00.
Sendo assim, Bete deve ser treinada pelo uruguaio Dario Pereyra, com quem promete comemorar caso marque um gol.
- Se pudesse escolher, seria o Müller, mas ele não será técnico... Então, gostaria do Dario Pereyra, mesmo sendo zagueirão e eu meia-atacante. Não sei o que fazer, já estou nervosa agora, imagine quando entrar em campo! Quando eu jogava semi-profissional, eu sonhava com essas coisas, mas depois de um tempo a gente para com esse tipo de pensamento. Vai ser muito legal, uma experiência única - contou.
Ela ainda terá a chance de participar de uma palestra ministrada por Rogério Ceni. O Mito será protagonista da sexta-feira, mas sua presença nos dois jogos especiais (R$ 4.880,00) não está garantida. O goleiro-artilheiro se recupera de lesão muscular e pode apenas cumprir as tarefas extra-campo para não colocar em risco a participação no clássico de domingo contra o Palmeiras, no Allianz Parque.
Confira um bate-papo com a são-paulina Bete:
Como começou a paixão pelo futebol e pelo São Paulo?
A paixão pelo São Paulo começou quando eu era criança, quando comecei a jogar futebol na escola. Mas ela se intensificou muito mais nos anos 2000. Eu era muito podada, meu pai não me deixava ir aos estádios, não tinha essa emoção. Quando comecei a ir nos jogos, fiquei fanática, ia em todos os jogos, o ano todo.
Qual foi a sensação quando proibiram você de jogar no navio?
Foi muito frustrante não poder jogar no navio. Fui correndo atrás de todas as pessoas do São Paulo que estavam lá, minha mãe tentou ajudar, mas não deixaram nem que eu me inscrevesse no sorteio dos times.
Já sofreu muito preconceito por querer jogar bola?
Na escola não sofria preconceito, porque aprendi muito rápido e jogava bem mesmo no meio dos meninos. Depois, mais velha, senti bastante. Vou em parques jogar, no meu prédio e os homens não querem jogar juntos.
Como está a recuperação da lesão?
Estou correndo, fazendo bastante fisioterapia... Meu fisioterapeuta até é do são Paulo, trabalha no CFA Laudo Natel, em Cotia. É o Paulo Roberto Souza... A volta em grande estilo vai depender do meu time, mas espero voltar bem.
Tentou ser jogadora profissional?
Joguei quatro anos nos Estados Unidos, cheguei a tentar a carreira, mas o futebol feminino no Brasil é muito difícil e eu tive que optar entre trabalhar ou treinar. Jogo recreativos, campeonatos de salão, mas gosto muito de campo também.
O que promete para este jogo de sábado?
Vou prometer jogar pelo meu time. Só não sei se eles vão jogar por mim, porque os marmanjos são meio babacas, para ser sincera. Eles não gostam de jogar com mulher, mas se me deixarem, quem sabe faço um gol e vou abraçar o Dario Pereyra...
Quem foi seu primeiro ídolo?
Em 1986 eu apareci em um treino do São Paulo na televisão e sentei no colo do Müller. Foi meu primeiro ídolo, sempre usei a camisa 7 e já pedi para esse jogo também.
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