Está no imaginário de quem torce pelas equipes mais populares da capital paulista uma máxima quase centenária. "O Corinthians é o time do povo e o São Paulo, da elite". As origens dos dois rivais ajuda a explicar essa máxima. O alvinegro da zona leste, fundado em 1910 no Bom Retiro por operários, contra o tricolor, 25 anos mais novo e nascido dos clubes mais tradicionais da zona sul da cidade.
A máxima é essa, mas em 2014, com o "time do povo" na sua casa de R$ 1 bilhão, o papel foi invertido. Os arquirrivais, que neste domingo, em Itaquera, farão o primeiro clássico entre eles na nova casa corintiana, são as que mais levam gente ao estádio no Campeonato Brasileiro. O São Paulo tem média de público superior a 32 mil lugares. O Corinthians, 29 mil. Mas há aí uma grande diferença.
Em matéria de arrecadação, os alvinegros deixam o são-paulinos muito atrás. Antes de completar a 22ª rodada, o time do Parque São Jorge tinha média de R$ 1,844 milhão por jogo como mandante. Já os tricolores, mesmo com públicos maiores, têm só a quarta melhor arrecadação: média de R$ 826,2 mil.
A explicação está no preço dos ingressos aplicados pelos rivais. Ainda como fruto da política barateamento aplicada quando a equipe lutava para escapar da zona de rebaixamento do Brasileirão 2013, o São Paulo tem o bilhete médio por R$ 15,85 (avaliada a renda líquida). Já o Corinthians, que esqueceu suas origens populares ao aplicar os preços mais altos do Brasileirão, tem ingresso médio a R$ 41,87 (dentro da renda líquida).
A diretoria alvinegra explica que atende todas as classes. Cobra R$ 50 pelo ingresso mais barato dando desconto de até 20% para quem se associa ao seu plano de "Fiel Torcedor". Porém, boa parte da torcida do clube protesta com os preços dos ingressos do prédio oeste do estádio, que estão sendo vendidos por R$ 400. O espaço tem ficado vazio durante os jogos.
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"O prédio oeste é novo e tem um outro formato de negócio. Lá ficam os camarotes e as cadeiras que serão vendidas por temporada. Não são cativas porque não são para a vida toda, mas como ainda estamos no início das operações, buscamos os ajustes", disse Lucio Blanco, gerente de operações do Corinthians. O clube avalia que há torcedores interessados em gastar mais se ele oferecer serviços especiais. Essa equação, contudo, ainda não foi solucionada nessa área do estádio.
Por outro lado, equação equilibrada é justamente a explicação são-paulina para o sucesso de público. Vice-presidente de marketing da equipe do Morumbi, Júlio César Casares disse que os preços praticados estão dentro do orçamento dos torcedores.
"O São Paulo tinha uma promoção e depois aumentou. O São Paulo pratica o equilíbrio, compatível com a condição do seu torcedor. O torcedor não compra só ingresso; ele compra a camisa, assina o pay per view...", falou Casares.
O dirigente tricolor citou a renda de R$ 2.485.066,00, conseguida na partida do último domingo contra o Cruzeiro, para explicar seu argumento. O público pagante foi de 58.627 torcedores, recorde no Brasileirão 2014 até aqui.
"Há a busca por um equilíbrio entre preço e demanda e o São Paulo ser o primeiro lugar em público mostra que nossa política está correta", afirmou Casares.
Já a diretoria do Corinthians avalia que a média de público do time no Brasileirão é a prova de que é viável manter os preços altos sem perder público. Áreas do estádio com ingressos a R$ 150 estão sendo bem procuradas. Assim, mesmo com poucos ingressos populares, o apelido de "Fiel" ainda é válido, já que nem isso tem afastado o corintiano dos jogos.
Boa parte da torcida discorda dessa análise. Um grupo de corintianos protestou no Parque São Jorge no dia do aniversário corintiano, dia 1º de setembro, contra esses preços. O principal alvo da revolta é Andrés Sanchez, ex-presidente do clube e ainda responsável pela política de ingressos do estádio. Procurado pela reportagem, Sanchez, que é candidato a deputado federal pelo PT, disse que não iria se pronunciar.