‘Funcionário’ Pato ouve vaias, mas ganha moral

Atacante cita função desgastante, repete palavra ‘trabalho’ e técnico vê como normal os ‘altos e baixos’ do jogador

Fonte Band
Em versão trabalhador, Pato disputa bola com outro atacante, Diego Tardelli, do Atlético-MG: Muricy aprova / Marcos Bezerra/Futura Press/Folhapress
O São Paulo venceu o Atlético-MG com um gol aos 44 minutos, após falha do goleiro Giovanni. Entre os 33, quando o Galo empatou, e o lance que decidiu a partida, parte dos tricolores presentes no Morumbi chiaram. Fora as reclamações em cima do time como um todo, Alexandre Pato foi alvo de vaias específicas dos são-paulinos mais bronqueados. Após o jogo, o atacante tentou se defender.
Pato alegou que está jogando longe do gol e que vem se sacrificando para cumprir a missão dada a ele por Muricy.
“Cada um tem o seu parecer sobre o jogo. Estou fazendo uma função diferente da que fazia quando cheguei ao São Paulo. O torcedor também quer o resultado, mas estou fazendo uma função que exige bastante da parte física. Tenho que cobrir o lateral. Estou fazendo o meu trabalho para o clube”, disse Pato, como se quisesse repetir a palavra “preferida” de Muricy.
O atacante ainda fez uma promessa. “Entendo o torcedor, vou dar muitas alegrias ainda. Vou trabalhar muito forte para pelo menos ajudar meus companheiros a fazer gols”, disse.
Quando perguntado se estava feliz no São Paulo, hesitou. Mas elogiou Muricy, repetiu a palavra “trabalho” e acabou se contradizendo ao comentar a função no jogo.
“Posso falar que estou em um grande clube. Estou feliz porque meu treinador está me deixando muito à vontade em campo. Ele me deu uma função nova para jogar. Estou trabalhando muito forte com meus companheiros e espero contribuir muito mais”, declarou.
Com a palavra, o patrão
Na entrevista coletiva, o “chefe” Muricy Ramalho evitou valorizar as vaias a Pato. Bem ao seu estilo simples, descartou psicólogas para o atacante e receitou mais cobrança. Mas, por fim, deu moral para o empregado.
“Trabalhar (com o Pato) como um funcionário normal. Aqui são todos funcionários, todos têm que trabalhar. Aqui a gente trata jogador dessa maneira. Quem tiver melhor joga. O outro espera e trabalha. Tem que trabalhar muito para jogar aqui. No passado recente a gente sofreu muito com falta de comprometimento. Ao contrário com o Pato. Ele pode não ter jogado bem hoje (sábado), mas não desiste, está trabalhando bem, tem bom ambiente. Tudo isso conta. Tem pessoas que cuidam da parte psicológica do time. Não é meu papel, não acredito nessas coisas”, disse Muricy, antes de completar dizendo qual é o seu jeito de lidar com possíveis problemas motivacionais.
“Aqui o cara tem contrato, recebe e tem que dar em troca o trabalho. Aqui o cara é cobrado, não motivado. Quem veste a camisa do São Paulo, um clube desse tamanho, não tem que ter alguém motivando”, declarou o técnico, para em seguida elogiar o funcionário e minimizar as oscilações.
“O Pato é comprometido, disciplinado. Mas tem altos e baixos, assim como todo mundo”, afirmou.
Pelo jeito, se o “Pato trabalhador” não vem agradando a torcida, pelo menos o técnico tem gostado.
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