Itália? Inglaterra? Para Álvaro Pereira, jogo-chave é contra Costa Rica

Em entrevista ao FOXSports.com.br, lateral falou sobre Copa do Mundo, Luis Suárez, trabalho no São Paulo e avisou: “Raça é obrigação”

Fonte Fox Sports
Álvaro Pereira foi convocado por Óscar Tabárez e estará no Brasil para a Copa. Ele marcou um gol no Mundial de 2010, na partida contra a África do Sul (Getty Images)
Se há uma palavra que pode descrever a percepção sobre o que Álvaro Pereira fez no São Paulo até agora, ela seria unanimidade. O camisa 6 chegou em janeiro ao tricolor paulista para tomar conta da lateral esquerda, emprestado por um ano e meio junto à Inter de Milão. Com estilo de jogo por ele definido como “agressivo” e vendo raça dentro de campo como “obrigação”, Álvaro virou titular absoluto e caiu no gosto da torcida, já acostumada a ver uruguaios marcarem época no São Paulo – foi assim com Darío Pereyra, Pablo Forlán, Pedro Rocha e Diego Lugano – e, se depender de Álvaro, será com ele também.
O lateral esquerdo é frequentemente elogiado por Muricy Ramalho e apontado como peça indispensável ao sistema defensivo tricolor, mas sua qualidade não foi reconhecida somente pelo técnico: ele foi eleito o melhor de sua posição no Campeonato Paulista, o único representante são-paulino na premiação. Mas a maior recompensa veio com a convocação para sua segunda Copa do Mundo. Álvaro é titular da Celeste, comandada desde 2006 por Óscar Tabárez.
O uruguaio marcou um gol na temporada, de falta, em partida contra o São Bernardo, válida pela competição estadual, e foi muito festejado pelos companheiros.
Em entrevista exclusiva ao FOXSports.com.br, Álvaro Pereira disse estar adaptado ao Brasil, mas não aos cartões amarelos – o jogador recebeu três em quatro partidas do Brasileiro, ficou fora da vitória contra o Flamengo e não joga mais pelo São Paulo até depois da Copa, já que viaja para se concentrar com sua seleção.
Ele também contou suas expectativas para o Mundial e revelou o principal trunfo do Uruguai, “surpresa” da última Copa com o 4º lugar e com Diego Forlán como o melhor jogador do campeonato. Como não dá para falar em 2010 sem lembrar da mão de Luis Suárez tirando o gol de Gana no último segundo da prorrogação das quartas de final, e é impossível também pensar na temporada de futebol europeu de 2014 e não destacar as confusões, os 31 gols e o choro compulsivo do camisa 7 do Liverpool após o empate contra o Crystal Palace, no jogo que virtualmente sacramentou o vice-campeonato dos Reds, Álvaro Pereira aproveitou e deu sua definição sobre quem é, realmente, Luis Suárez.
Álvaro Pereira estará com o Uruguai para o amistoso contra a Irlanda do Norte, em Montevidéu, nesta sexta-feira. A partida faz parte da preparação da Celeste para a Copa do Mundo. O FOX Sports transmite tudo ao vivo, a partir das 20h30.
Como está sendo a adaptação ao Brasil? Você, que já morou em vários países – Argentina, Portugal, Romênia, Itália – tem sentido alguma dificuldade aqui?
A adaptação foi bastante rápida. Acho que o fato de ter estado muito tempo em Portugal (3 anos) ajudou, em relação ao idioma. Minha família está gostando muito e eu também gosto do Brasil, do futebol brasileiro. Aqui as coisas são mais simples fora do campo. Tem sido uma experiência muito bonita. O clima ajuda também, estamos em maio e o tempo está ótimo. Também aprecio o que as pessoas transmitem, principalmente o torcedor do São Paulo. Isso é muito bom para quem é estrangeiro.
O que eu menos gosto é o trânsito. Em uma cidade tão grande como São Paulo, é normal, tem que tomar cuidado, quando chove ou quando tem alguma greve, por exemplo.
No São Paulo, de quem você se aproximou mais? Quem te ajudou mais aqui?
Primeiro eu busquei ficar mais próximo do Rogério, que é nosso líder, mais próximo à diretoria, e sempre dá várias dicas para todo mundo. Depois, foi mais do Luis Fabiano, Antonio Carlos, Maicon... Sou chegado ao Luis Ricardo, que é meu parceiro de quarto na concentração. E do Ganso, Osvaldo e Denílson... Mas fiquei mais próximo mesmo foi do Osvaldo e do Ganso, porque são com eles que eu treino mais, conversamos muito tempo e moramos perto, isso ajuda muito em termos de grupo.
Por quê você escolheu o São Paulo? A tradição de jogadores uruguaios pesou?
Pesou, sim, e tento tomar isso como uma responsabilidade bonita, o que os uruguaios já fizeram aqui no São Paulo. Tenho noção do que isso significa para o torcedor são-paulino, e quero corresponder, mas, além disso, tenho que demonstrar, jogo a jogo, que temos muitas coisas importantes para vencer. Tudo conspirou para que eu viesse para cá, o Lugano ajudou muito, o trabalho começou a dar certo e o reconhecimento das pessoas veio.
Você se encaixou no esquema tático do Muricy e é titular indiscutível. Ainda assim, você acha que sua raça é a principal contribuição ao São Paulo?
É uma das contribuições. O jogador uruguaio tem essa característica mesmo. Mas, não adianta ser só raçudo, tem que saber jogar bola também. O Brasileião exige que tenhamos mais posse de bola, que tratemos melhor a bola. A raça e a entrega dentro de campo são obrigação, mas também temos que jogar bem. E vamos nos encaixando dentro do esquema que o professor quer jogar, nos entrosando melhor, pegando confiança um no outro.

Os cartões amarelos têm sido uma dor de cabeça para você. Foram três nos últimos quatro jogos. Você está achando complicado se adaptar ao estilo dos árbitros brasileiros?
Tenho que ter um pouco de cuidado, porque tenho um jogo muito agressivo, não por maldade, mas é meu jeito de jogar. E muitas vezes na Europa, ou internacionalmente, numa Champions, Libertadores, Sul-Americana, isso é mais aceito. Na minha opinião, os juízes, muitas vezes, dão cartões amarelos que não são necessários, que em outros campeonatos pelo mundo não seriam aplicados. Mas é uma questão de adaptação – minha em relação a eles, mas também deles em relação ao meu estilo de jogo, que é, sim, agressivo, mas que não é para machucar nenhum adversário.
Sobre a Copa: para você, quais são os favoritos ao título?
Não acredito muito nessa coisa de favorito, o futebol hoje está muito equilibrado, mas, vamos falar em alguns: Brasil, por ser o anfitrião da Copa, por jogar em casa. Alemanha, Argentina, Espanha, Holanda... O Mundial tem muitas surpresas. Veja só o que fizemos! [Em 2010].
Foi uma participação muito boa, né? Uma experiência muito boa, nos classificamos como a última seleção [na repescagem, contra a Costa Rica] e fizemos uma grande Copa, 4º lugar. Depois disso, ganhamos a Copa América, foi incrível. Mas a prova de que não podemos viver de passado veio logo depois, porque achamos que íamos nos classificar fácil para o Brasil e novamente foi preciso que passássemos pela repescagem. [Contra a Jordânia, em novembro de 2013]. O que mudou de lá para cá é que estamos quatro anos mais velhos... mas também quatro anos mais experientes.
Para você, qual é o jogo-chave da primeira fase no “grupo da morte”?
Para mim, o primeiro jogo. Quase sempre, indica o que pode vir a ocorrer. Não importa contra quem seja, quem enfrentamos tem alguma razão para estar na Copa do Mundo. Tem que respeitar. A Costa Rica deve ser respeitada, tanto quanto a Itália ou a Inglaterra.
Vocês provaram ter um grupo forte na última Copa. A base foi praticamente toda mantida para o Mundial no Brasil. Como o Uruguai é um país pequeno em termos de população – pouco mais de 3 milhões de habitantes – é mais difícil para a Celeste se renovar e montar times sempre competitivos. Prova disso foi o tempo que levou para que o Uruguai voltasse ao topo do futebol com a seleção principal. Nesse sentido, há alguma pressão para um bom resultado nesta Copa?
Pressão, não. Não acredito em pressão no futebol. Acredito em responsabilidade. É você ir lá e tomar consciência do peso da camisa que você está defendendo. De que você está jogando por seu país, que tem muitos uruguaios sofrendo e torcendo por nós, dando força de fora do campo. Tomo isso como uma responsabilidade linda.
Sobre a renovação, a Celeste está tentando se renovar, dentro do possível. Temos que crescer por esse caminho, valorizando o que já construímos, mas sem deixar de evoluir, olhando também para frente.
Fale um pouco sobre o Oscar Tabárez. Ele sempre aparece vibrando muito com os jogadores. Como é o comando dele?
Ele é um maestro, é o nosso maestro. Temos esse exemplo. É um exemplo, ele comanda muito bem. Ele é muito tranquilo, muito sossegado, fala muito com o jogador. Gosta de saber o que fazemos fora de campo e sempre pergunta da família. Além disso, ele tem uma maneira muito simples de ser, assim como toda a comissão técnica. Jogamos todos espalhados pelo mundo, mas ele sempre manda alguma mensagem perguntando como fomos em nossas partidas pelos nossos times, quer saber se está tudo bem, se não machucamos. Ser treinador é muita responsabilidade, ainda mais porque você tem poucos jogadores e poucos dias de trabalho e de preparação com eles, ainda mais por estar no comando da seleção do Uruguai. E toda essa responsabilidade é trabalhada por ele de uma forma muito natural. Todos os atletas são tratados da mesma forma, não importa o que eles façam fora da seleção. Tem essa maneira de ser e isso ajuda os jogadores que acabam de chegar, ele faz com que eles sintam que já estão há muito tempo na seleção.
Qual o diferencial da seleção do Uruguai?
O grupo unido, a família que formamos. Nós montamos um grupo de mensagens [no aplicativo Whatsapp], todos estão sempre se mostrando preocupados uns com os outros, perguntando coisas além do futebol. Dá para ver que torcemos pelos nossos companheiros. Isso se reflete dentro do campo. Isso faz a diferença. Mas, sempre tem coisas para melhorar. Estamos sempre conversando, sempre que um está de viagem, o outro também, aí combinamos, para ver se dá para ir junto, para ir conversando. Acho que essa proximidade e amizade é o grande diferencial.
O Luis Suárez fez uma temporada fantástica pelo Liverpool e o talento dele é indiscutível. Mas sempre há aquelas famosas polêmicas em que ele se envolve. Você que o conhece, é amigo dele? Quem é o “real” Luis Suárez?
Posso garantir, por mim e pelas pessoas que também são próximas dele, que ele é uma pessoa maravilhosa. Um ser humano muito interessante de se conhecer, uma personalidade perfeita. Fico muito agradecido de poder compartilhar um grupo com ele. Ele é muito humilde. É um jogador que tem ainda muito para crescer. Por mais que ele se envolva em confusões, são sempre dentro de campo, e eu sempre digo, que essas coisas tem que ficar dentro de campo. Ele é muito perseguido pela imprensa britânica. Isso acontece com jogadores que tem essa personalidade dentro de campo. Messi e Neymar, na Espanha; na França, Ibrahimovic e Cavani; na Itália, o Balotelli... posso fazer uma lista muito grande. Ele chama muita atenção e a imprensa o persegue muito. Às vezes, a gente fala alguma coisa e a imprensa vai lá e já detona, sem sequer conhecer a pessoa do jogador primeiro. Ele é um amigo de quem eu tenho orgulho e honra de compartilhar momentos. Tanto ele como a família dele são fenomenais.
O Tabárez dá alguma orientação pro Suárez, no sentido do emocional?
Todos nós temos nossos momentos em que, eu não diria se descontrolar, mas mostramos uma personalidade forte dentro do campo. Mas, não há nenhuma orientação em especial. Como eu disse, o tratamento é igual, seja para o Pereira, seja para o Suárez. Isso é para mostrar que todos são muito importantes no grupo.
Claro que às vezes quando vemos que algum companheiro está nervoso, os próprios jogadores vão tentar acalmá-lo, dar alguma dica para que fique tranquilo.

Você acha provável ou possível que aconteça um novo “Maracanazzo”?
Esse acontecimento vai ficar sempre na história. Quero ser campeão do mundo, mas não me importo contra quem seja. Brasil, ou qualquer outro. A final é no Maracanã, de novo. Mas acho bem difícil um novo Maracanazzo. Foi uma façanha incrível, mas, depois disso, o Brasil ganhou cinco mundiais e o Uruguai mais nenhum. Temos que ter esse feito como referência, mas não necessariamente há a responsabilidade de repeti-lo. Isso todo mundo vai lembrar para sempre no Uruguai, não importa o que aconteça.
Quem vai ser o destaque da Copa? Em 2010, o Forlán foi uma certa “surpresa”, já que havia jogadores muito mais badalados, como Messi, Cristiano Ronaldo e Fernando Torres, para citar alguns. Você acha que podemos ter alguma coisa parecida este ano de novo?
Não sei dizer quem eu apontaria. Melhor se for uruguaio! Espero que seja um uruguaio, um companheiro meu. Mas eu sinceramente trocaria qualquer prêmio individual pela conquista do título. Isso não tem preço.
(Reportagem de Marina Garcia)
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