A Portuguesa teve um gol legítimo anulado no clássico de ontem contra o São Paulo, no Morumbi, clássico este que acabou em 0-0. O zagueiro luso William Magrão não estava impedido quando fez o gol de cabeça, mas o auxiliar, equivocadamente, levantou a bandeira.
Torcedores da Portuguesa comentam nas redes sociais que o Tricolor foi beneficiado pela arbitragem porque é o time da CBF.
Não entendeu?
Seguinte: em abril próximo haverá eleições no São Paulo e o candidato da situação é Carlos Miguel Aidar, que é o advogado da CBF no caso contra a Portuguesa e Flamengo no Campeonato Brasileiro, caso polêmico que tirou quatro pontos das equipes e levou a Lusa à Série B e manteve o Fluminense na A.
Aidar foi contratado pela CBF para cassar todas as liminares contra a entidade e defendê-la em qualquer ação movida por torcedores lusos e flamenguistas.
E o que a Federação Paulista tem com isso se o caso é com a CBF? Simples: Marco Polo Del Nero, seu presidente, é vice da CBF e candidato à sucessão de José Maria Marin no comando da entidade.
acesse spfc.net Que qualquer benefício da arbitragem ao São Paulo iria suscitar esse tipo de comentário?
Pois bem, ontem foram torcedores da Portuguesa, time de torcida pequena. Por isso mesmo, a repercussão é menor.
No futuro, se por um acaso houver erro da arbitragem em favor do São Paulo e o time prejudicado for de grande torcida, a chiadeira será maior. E vai ganhar respaldo por parte da mídia — o que não acontece agora porque a Lusa é um time sem mídia.
Por isso eu disse que era um grande erro de Carlos Miguel Aidar aceitar defender a CBF nesse caso.
Primeiro porque Aidar, que pode ser o futuro presidente do São Paulo, defende a entidade contra clubes “coirmãos”, como os cartolas gostam de dizer. Há falta de ética.
Segundo porque vai levantar sempre suspeita dos adversários quando forem prejudicados por erro da arbitragem diante do São Paulo. Houve falta de visão por parte do advogado são-paulino.
Tornou-se um clichê, mas vale sempre lembrar o dito sobre a mulher de César, que não bastava ser honesta, tinha que parecer honesta.

Aidar errou ao aceitar defender a CBF. Dentro do Morumbi, dentro do grupo da situação, há muita gente não concordou com a posição de Aidar em defender a entidade exatamente pelos motivos mostrados acima.
Aidar se esconde atrás de uma cortina de fumaça ao dizer que uma coisa é uma coisa e outra coisa é outra coisa. Ou seja: que a vida particular dele nada tem a ver com a esportiva.
Tem sim; não dá para separar as coisas. Tanto não dá que torcedores da Portuguesa chamam o São Paulo de “time da CBF” nas redes sociais. Amanhã pode ser o do…, o do… e o do…
Vai ser como uma bola de neve, descendo morro abaixo, crescendo à medida que ganha velocidade.
O mundo do futebol é assim, um mundo de suspeitas, de desconfianças.
Aidar, que pretende presidir o São Paulo, não basta ser honesto, ele tem que parecer honesto. Mas ao se posicionar ao lado da CBF, ele deixa a muitos desconfiados.
* A foto acima é de Ricardo Matsukawa/Terra e mostra o momento da anulação do gol de William Magrão.