Mereceu ganhar o Choque-rei.
Em clássicos de começo de temporada, com nível técnico sofrível por causa da preparação inadequada dos atletas, a postura de todos jogadores e a parte tática muitas vezes definem o resultado.
Isso aconteceu no Pacaembu.
A diferença no desempenho defensivo das equipes, além de algumas escolhas dos treinadores garantiram a vitória ao Palmeiras.
Houve momentos de superioridade alviverde e de equilíbrio.
O São Paulo em nenhum trecho do confronto jogou melhor que o rival.
Valdívia e Marcelo Oliveira foram os destaques palestrinos, seguidos de perto por Alan Kardec e Wesley.
No São Paulo, Alvaro Pereira foi o melhor.
Diferença defensiva
Para uma equipe se defender da maneira correta, é vital atenção dos atletas, dedicação e orientação correta dos técnicos.
Os dois laterais são-paulinos gostam de ir ao ataque.
Kleina pediu para Alan Kardec, o centroavante, acompanhar os avanços de Alvaro Pereira.
Leandro, atacante que joga pelos lados, fez o mesmo com Luis Ricardo.
Valdívia, boleiro mais técnico na criação entre os palestrinos, ficou encarregado dos contragolpes, pois não tinha que voltar toda hora.
Fazer o chileno e ir e vir constantemente e pedir para ele se machucar.
Mesmo assim, Valdívia, quando o São Paulo tinha a bola no ataque, ajudou os companheiros.
Do outro lado, a solidariedade não foi igual.
Ademilson não acompanhou os avanços de Juninho, tal qual necessário.
E Luís Fabiano, como de costume, pouco cooperou na parte defensiva.
Ou seja:
O Palmeiras se defendeu com mais atletas que o adversário.

Diferença de postura
Todos jogadores do Palmeiras atuaram, em especial no primeiro tempo, num ritmo mais intenso que alguns são-paulinos.
O zagueiro Wellington, por exemplo, na base da força e da determinação, levou a melhor em todas contra Luis Fabiano.
Wesley apoiou menos que nas últimas partidas.
Marcelo Oliveira foi um gigante nos desarmes.
A dedicação dos comandados de Kleina na marcação merece elogios.
Do lado do São Paulo, não houve o mesmo comprometimento de todos jogadores.
Ademilson, além de pecar defensivamente, ficou parado do lado direito do ataque. Se movimentou pouco. Aceitou a marcação.
Luis Fabiano atuou centralizado.
O sistema ofensivo ficou previsível.
Diferença de inteligência
Com os laterais bem marcados, o São Paulo deveria ter insistido mais com Osvaldo, mas preferiu apostar nos passes longos de Ganso e Maicon para os atacantes e passou o primeiro tempo atacando apenas pelo lado de Luis Ricardo em Ademilson.
Foi pouco inteligente.
Já o Palmeiras usou Juninho bastante no apoio porque Ademilson não o marcou.
Leandro apareceu de ambos os lados do ataque e também ajudou a confundir o sistema defensivo do São Paulo.
Por isso finalizou livre, na área, após receber o passe de Valdívia, na melhor chance de gol antes do intervalo.
O gol do Palmeiras aconteceu numa cobrança de falta de Mazinho.
Aproveitou o vacilo dos adversários que não acompanharam a movimentação de Valdívia e o deixaram livre, e cruzou com perfeição para o bom cabeceio do chileno.
Diferença nas escolhas
O São Paulo no 2°t corrigiu um erro que cometeu antes do período de descanso.
Finalmente começou a usar o lado esquerdo para tentar criar os landes de gol.
Alvaro Pereira passou a apoiar e a ajudar Osvaldo.
Eis que, aos 18 minutos, Muricy comete um grande erro (a não ser que o atleta tenha pedido para sair).
Tirou Osvaldo, o único que se movimentava na frente, e colocou Jadson.
Ademilson tinha que sair, todavia ficou e foi deslocado para a esquerda.
O Palmeiras que continuava muito bem na parte defensiva voltou a dominar a partida depois da falha de Muricy.
Aos 25, Kleina trocou Leandro por Marquinhos Gabriel. Pretendia ter quem prendesse um pouco mais a bola sem perder força no contragolpe.
Cansado, Wellington saiu aos 27. Kleina teve que improvisar França na posição, porém isso não mudou nada porque a zaga estava bem protegida pelos meio-campistas e atacantes.
Aos 30, Muricy trocou Ganso por Ewandro para aumentar a presença são-paulina na área do rival. Só nos cruzamentos a redonda chegar nela. A equipe não havia chutado em gol, coisa que aconteceu apenas aos 44 mim e 48 segundos, no arremate de Maicon
Não sei por qual razão o treinador não tirou o acomodado Ademilson.

Gol da determinação
Allan Kardec sofreu o pênalti cometido por Rodrigo Caio e cobrou bem aos 32.
A pressão na saída de bola que levou o adversário errar foi circunstancial, não estava sendo usada como tática, e correta, pois o lance, naquele instante, exigiu.
O lance foi mais um, entre tantos outros, em que o comprometimento dos alviverdes com as necessidades do jogo foi fundamental.