O Santos guerreiro enfrentou o São Paulo apático e venceu sem dificuldade.
Deve ter sido um dos jogos mais fáceis para o Peixe, após a paralisação do campeonato brasileiro por causa da Copa das Confederações, dentro de sua casa.
Mesmo depois de perder Alison, expulso ainda no primeiro tempo, continuou marcando melhor e criando mais chances de gols.
Sem nenhum exagero, a apresentação santista foi convincente e a são-paulina beirou o ridículo.
Até Muricy Ramalho disse que ficou espantado com a mudança de comportamento do time de domingo para hoje.
O treinador esperava o crescimento da equipe e viu ela despencar
Outro detalhe muito importante.
Além da questão comportamental, o Peixe também levou enorme vantagem tática.
Claudinei venceu o duelo dos treinadores.
Explico na sequência do post.
Claudinei acerta; Muricy insiste no erro
O treinador do Santos acertou ao escalar Leandrinho no meio-de campo, junto com Alison, Arouca e Cícero.
Os quatro participam da marcação e três deles gostam de cooperar na parte ofensiva.
Alison é a exceção.
Com o meio-campo capaz de trabalhar bem nos desarmes e proteção aos defensores, Claudinei deu liberdade para Thiago Ribeiro explorar o erro de Muricy.
Sem os zagueiros titulares, Muricy, tal qual fez diante do Grêmio depois da lesão de Toloi, deslocou Paulo Miranda da lateral-direita para a zaga ao lado de Edson Silva, pois queria manter Rodrigo Caio como volante.
E, por isso, escalou Douglas, medíocre na parte ofensiva e fraco na defensiva, na lateral-direita.
Tinha a opção de utilizar Maicon ao lado de Wellington, Rodrigo Caio na zaga e Paulo Miranda na lateral.
Compensa enfraquecer a lateral-direita e a zaga porque Rodrigo Caio é superior ao Maicon na parte defensiva?
Eu discordo.
E Claudinei Oliveira, em silêncio, também.
A prova disso é que seu time atacou bastante pelo região aonde Douglas jogou.
Como o são-paulino avança de maneira pouco inteligente e deveras irresponsável, e Thiago Ribeiro prefere atuar daquele lado, o técnico do Peixe pediu ao time para explorar isso.

A superioridade e a falha óbvia
O Santos foi melhor no primeiro tempo.
Marcou bem e impediu Jadson e Ganso de ditarem o ritmo do jogo, tal qual fizeram diante do Grêmio.
Com a bola, o Peixe, além de tentar aproveitar a fragilidade de Douglas, apostou na óbvia possibilidade de queda de rendimento defensivo do São Paulo, por causa da escolha da dupla de zaga e de Douglas, na jogada aérea defensiva.
O Santos criou mais com a dita cuja no chão e pelo alto.
Aos 22, após a terceira cobrança de escanteio, Edu Dracena cabeceou com liberdade e fez 1×0.
Gustavo Henrique, também zagueiro, quase havia balançado a rede na primeira cobrança dessas três.
O mundo sabia que os zagueiros de qualquer time, quando vão à área do rival no escanteio, merecem atenção especial.
Os são-paulinos não tiveram os cuidados necessários.
O único erro
Alison, aos 42, deu uma entrada violenta e desnecessária em Douglas. O lance aconteceu no meio-campo e mesmo se o lateral ganhasse a jogada, a tendência é que errasse depois.
Foi lance para cartão vermelho.
Ricardo Marques Ribeiro, soprador de estilo brasileiro, excluiu o volante da partida.
Douglas…
No último lance da etapa inicial, Rodrigo Caio chutou de fora da área, Aranha não conseguiu segurar e a bola ficou para Douglas, livre na pequena área e sem ninguém na frente, empatar.
Ele bateu de canela por cima do gol.
A igualdade provavelmente teria mudado o andamento do confronto.
Mesmo com um a menos, superior
Claudinei e Muricy não mexeram nos times.
O santista recuou Thiago Ribeiro para o meio, posicionou duas linhas de quatro no campo de defesa, deixou Willian José adiantado e apostou nos contra-ataques.
Tinha Cicinho, um dos destaques do clássico e Leandrinho para os lances de velocidade na direita, e Thiago Ribeiro do outro lado.
Ao invés de apenas ficar dando chutões para o centroavante, o treinador orientou seus comandados a saírem de trás tocando a bola.
Eles cumpriram o combinado diante do São Paulo inoperante ofensivamente.
Aos 14, Cicinho arrancou com a bola, chegou ao ataque e cruzou rasteiro.
Thiago Ribeiro, com categoria e liberdade, chutou no canto esquerdo.
Não preciso dizer quem deixou o santista livre.
Tarde
Muricy deveria ter mexido no time durante o intervalo.
Precisava de mais opções para criar lances de gol.
O resultado, a vantagem de ter um onze boleiros contra 10 e a noite as fracas apresentações dos meias que comanda, cobravam outro boleiro com bom toque de bola, cruzamento e finalização no meio.
Não sou fã do Maicon, bem longe disso, contudo era a melhor opção.
Mas o comandante avaliou doutra forma.
Apenas aos 15, quando perdia por 2×0, ele alterou o São Paulo.
Substituiu Edson Silva por Aloísio e o Osvaldo pelo Lucas Evangelista.

O Peixe só tinha um jogador avançado.
Bastavam dois atletas para marcá-lo. Os demais precisavam acompanhar os avanços dos santistas que saíam do seu campo de defesa, pelos lados, nos contra-ataques.
Veterano definiu
Tudo continuou igual após as mudanças.
Aos 22, Everton Costa entrou no lugar do Leandrinho e três minutos depois Léo ocupou o lugar de Thiago Ribeiro.
Aos 25, Maicon entrou.
Naquele momento, além de melhor taticamente e mais guerreiro, o Santos tinha enorme vantagem psicológico.
Seus boleiros acreditaram, de fato, na proposta de jogo e na vitória, enquanto os são-paulinos, cabisbaixos, tinham como adversário também a falta de confiança.
Aos 42, Claudinei trocou o centroavante Willian José por Renê Jr.
Aos 44, noutro contra-ataque puxado por Cicinho, Léo apareceu livre para ampliar.
Resultado justo.
Futuro
Santos continua flertando com a classificação na Libertadores e o São Paulo vai torcer contra Vasco diante do Internacional.
A vitória cruz-maltina coloca a equipe na zona do descenso e triplica a pressão na partida de sábado diante do Vitória, que sob o comando de Ney Franco subiu na tabela de classificação.
Ficha do jogo
Santos – Aranha; Cicinho, Edu Dracena, Gustavo Henrique e Mena; Alison, Arouca, Leandrinho (Everton Costa) e Cícero; Thiago Ribeiro (Léo) e Willian José (Renê Júnior)
Técnico: Claudinei Oliveira
São Paulo – Rogério Ceni; Douglas, Paulo Miranda, Edson Silva (Aloísio) e Reinaldo; Rodrigo Caio e Wellington; Jadson (Maicon), Ganso e Osvaldo (Lucas Evangelista); Luis Fabiano
Técnico: Muricy Ramalho.
Árbitro – Ricardo Marques Ribeiro; Auxiliares – Marcio Eustaquio Santiago e Marcelo Carvalho Van Gasse
Renda – R$ 210.816,00
Público – 7.788 pagantes.
Cartões amarelos: Cícero, Thiago Ribeiro, Aranha e Luis Fabiano - Cartão vermelho: Alison
Gols – Edu Dracena, Thiago Ribeiro e Léo