Muricy Ramalho ficou emocionado com coro tricolor, mas não quer voltar ao São Paulo para ser trunfo político

Fonte TERRA

Muricy Ramalho ficou emocionado quando ouviu o coro da torcida do São Paulo gritando seu nome durante a partida contra o Goiás, na quarta-feira passada. Escutou a manifestação no rádio do carro, quando voltava para casa depois de um jantar com amigos na Vila Madalena, zona oeste de São Paulo. Mas a demonstração de carinho dos tricolores não muda a disposição do técnico: ele admite voltar ao São Paulo, mas tem sérias restrições à diretoria atual.
O técnico está em Miami, no Estados Unidos. Vai descansar com a família por dez dias. Muricy está se cuidando. Desde a crise de diverticulite que o obrigou a ser hospitalizado, ele abandonou excessos na comida e cortou o consumo de bebidas alcoólicas. Além disso, desde que saiu do Santos, tem conversado com parceiros e se mostra resistente à ideia de voltar ao São Paulo neste momento.
Um dos motivos é ético. Embora tenha ficado feliz com os torcedores, ele não gosta de ver seu nome como "sombra" de Ney Franco, treinador atual do tricolor paulista. Além disso, Muricy não esquece de sua saída do Morumbi em junho de 2009. Ele sofreu pressão e foi criticado por conselheiros, diretores e, especialmente, pelo hoje vice-presidente de futebol Carlos Augusto de Barros e Silva.

Terra
Além disso, Muricy Ramalho é amigo do vereador Marco Aurélio Cunha, ex-gerente de futebol do São Paulo e hoje candidato de oposição nas próximas eleições para presidente do clube. "Ele não quer ser usado como instrumento político. Não quer ser trunfo do presidente Juvenal Juvêncio", disse Cunha que tem conversado com Muricy Ramalho e, recentemente, visitou o ex-volante Teodoro que está hospitalizado na Santa Casa de São Paulo.
A política interna do clube anda quente. Integrantes da situação e oposição já trocam farpas através das redes sociais. Cunha tem tentado atrair aliados de Juvenal Juvêncio. O descontentamento da torcida com o desempenho do time, eliminado nas oitavas de final da Libertadores e na semifinal do Campeonato Paulista, aumentou a pressão sobre o time, o técnico Ney Franco e o presidente Juvenal Juvêncio. Este clima chega até a sede social no Morumbi.
Juvenal tem garantido Ney Franco no emprego. O São Paulo ocupa a sétima colocação do Campeonato Brasileiro, com sete pontos ganhos, mas tem um jogo a mais para disputar. Será contra o Grêmio, em Porto Alegre. Bons resultados vão aliviar a situação. Outros tropeços podem aumentar a fervura no clube.

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