Soberania em xeque

Soberania em xeque

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José Victor Ligero* - São Paulo, SP

Após se autointitular como Soberano na segunda metade da década de 2000, o São Paulo “parou no tempo” e perambula em um deserto de conquistas. Erguendo apenas um troféu nos últimos nove anos, o Tricolor agora tenta resgatar o orgulho abalado de sua torcida em mais uma temporada repleta de incertezas.

Em 7 de dezembro de 2008, no Estádio Bezerrão, localizado na cidade-satélite do Gama (DF), o São Paulo entrou para a história ao se tornar o primeiro clube a conquistar o Campeonato Brasileiro por três anos consecutivos. Enquanto o capitão Rogério Ceni – símbolo-mor daquela época gloriosa do Tricolor – erguia o seu terceiro troféu nacional, jogadores e dirigentes celebravam o título vestidos com uma camiseta que traduzia o orgulho do torcedor são-paulino.



Celebrando o hexa brasileiro e os tricampeonatos da Copa Libertadores e do Mundial de clubes, o “6-3-3” estampado em cada uma delas também representava a hegemonia da agremiação, sobretudo no cenário nacional, durante a segunda metade da década de 2000. O problema é que, desde então, aqueles números se mantiveram os mesmos, e a superioridade do clube sobre seus maiores rivais definhou.

A Copa Sul-Americana de 2012 foi um oásis no deserto de conquistas dos últimos nove anos. Mas não serviu para apaziguar a impaciência dos tricolores, que no mesmo ano viram o arquirrival Corinthians ganhar a Libertadores pela primeira vez e, de quebra, o título mundial no Japão.


Com vitória por 1 a 0 sobre o Goiás, o São Paulo confirmou o tricampeonato brasileiro em 2008 (Foto: Acervo/Gazeta Press)

Autointitulado Soberano, o clube paulista não está fazendo jus ao apelido porque se acomodou no período vencedor e parou no tempo. A avaliação é de Muricy Ramalho, ídolo da torcida são-paulina que dirigiu a equipe ao tricampeonato brasileiro entre 2006 e 2008.

“Quando há uma conquista, você tem que deixar para trás. É a coisa mais importante num time de futebol. Essa era minha grande briga no bom sentido com os jogadores. Eu acho que o São Paulo parou no tempo em relação a isso. Com as conquistas, achou que estava tudo certo porque sempre foi exemplo pra tudo, saiu na frente de todo mundo em termos de estrutura, sempre foi referência. Acomodou um pouco”, analisou, em entrevista à Gazeta Esportiva.

Se em termos de estrutura o clube ainda se mantém entre os melhores, do ambiente político não pode se dizer o mesmo. Os recorrentes conflitos internos, algo que era mais trivial no cotidiano dos rivais Corinthians e Palmeiras, despojaram o Tricolor de sua aura pacífica.


Criticado por torcida e opositores, Leco tenta colocar o São Paulo no rumo certo (Foto: Djalma Vassão/Gazeta Press)

No fim de 2015, acusado de corrupção e golpeado com um soco pelo então vice de futebol Ataíde Gil Guerreiro, Carlos Miguel Aidar renunciou à presidência deixando como herança uma dívida que beirava os R$ 300 milhões. O cargo, então, passou a ser ocupado por Carlos Augusto de Barros e Silva, que em abril de 2017 venceu nova eleição e se garantiu no poder até dezembro de 2020.

O mandatário, contudo, não levou aos bastidores a paz esperada pelos situacionistas. Criticado por vender os principais jogadores do clube sem maior resistência, Leco vê a oposição cada vez mais intolerante às suas ações e não conta com o apoio sequer do vice Roberto Natel, com quem rachou politicamente em razão de divergências referentes ao novo estatuto tricolor.

De acordo com Muricy, que acumulou três passagens no São Paulo como treinador, as tensões políticas respingam no cotidiano do time e influenciam em seu rendimento dentro de campo. “Essa divisão política acaba indo para o CT da Barra Funda. E isso não é bom, porque os jogadores hoje em dia são muito informados, estão sempre na internet em busca de notícias. Eles veem tudo o que acontece”, explicou.


Entre 2006 e 2008, Muricy Ramalho levou o Tricolor ao tricampeonato brasileiro, algo inédito na era dos pontos corridos (Foto: Acervo/Gazeta Press)

Já Pintado, bicampeão da Copa Libertadores (1992 e 1993) e ganhador do Mundial (1992) com o São Paulo, divide as responsabilidades pela má fase do clube. “A gente não pode citar apenas um culpado. No corpo humano, se o coração não está forte e em ordem, o corpo todo sofre”, metaforizou o atual técnico do São Caetano, que prosseguiu.

“Todo mundo tem sua parcela de responsabilidade ali dentro, todos têm que assumir isso e que resolvam. É um problema deles, e que encontrem um caminho, porque a grande dificuldade do São Paulo é não saber para aonde ir. Se não sabe, toda hora muda de direção. E aí fica difícil”, ressaltou.

Outro fator que vem contribuindo para o insucesso da equipe dentro de campo, segundo Muricy, é a constante troca de técnicos. Nos últimos dez anos, o São Paulo trocou de comandante 15 vezes. Em um recorte mais curto, levando-se em conta apenas a gestão de Leco, o time chegou ao sexto treinador após a demissão de Dorival Júnior e a chegada de Diego Aguirre.



“A gente vê no próprio depoimento dos jogadores que (a troca de técnicos) atrapalha a filosofia de trabalho, porque cada um vem com uma maneira de trabalhar totalmente diferente da do outro. E a maioria das trocas são no meio das competições. Quando dá certo é coincidência, porque os jogadores sofrem muito para entender esse negócio. É meio que provado que a sequência de trabalho é que dá resultado”, argumentou Muricy, que teve a opinião corroborada por Pintado.

“Já há algum tempo o São Paulo vem sem rumo, sem saber para aonde ir. Um jogo ruim acaba comprometendo decisões fora de campo. O São Paulo tem que buscar um caminho e seguir ainda que ele seja difícil”, recomendou.



Vexames e freguês de rivais

Enquanto não se acerta política e administrativamente, o clube vem amargando vexames nesta década, como goleadas sofridas para os seus maiores rivais e eliminações diante de clubes considerados menores (veja na galeria acima).

Para piorar, em meio à impaciência da torcida, o Tricolor ainda se tornou alvo de piadas e deboche de seus três arquirrivais. Tudo porque, desde 2008, a equipe não conseguiu superar Corinthians, Palmeiras e Santos em nenhuma das 11 vezes que os enfrentou em mata-matas (relembre na galeria abaixo).

Com o poder financeiro debilitado e os consequentes desmanches de elenco, o São Paulo não conseguiu montar equipes que atuassem como protagonistas nas competições a que disputou. A realidade, aliás, foi bem diferente disso. Em três oportunidades, nas edições de 2013, 2016 e 2017 do Brasileirão, o Tricolor flertou perigosamente com o rebaixamento, algo que seria inédito em sua história de 88 anos de vida.



Futuro

A despeito do presente nebuloso, o São Paulo vislumbra um futuro melhor. As contratações de Raí (diretor-executivo de futebol), Ricardo Rocha (coordenador de futebol) e Diego Lugano (superintendente de relações institucionais), um trio formado por ex-jogadores benquistos pela torcida, para reforçar a diretoria são vistas com bons olhos pela comunidade tricolor.

“Tenho certeza que vão ajudar. São profissionais que conhecem muito o ambiente do São Paulo. Claro que ainda vão passar por muitas coisas, existem alguns imprevistos no caminho que eles vão ter de saber lidar. Mas o mais importante é que eles são profissionais confiáveis e que vão tomar as decisões de uma maneira consciente, sem nenhum outro interesse a não ser fazer o bem do São Paulo”, previu Pintado.

Ao mesmo tempo em que procura se acertar dentro de campo, o Tricolor aposta no novo estatuto, vigente desde janeiro de 2017, para se modernizar administrativamente e equilibrar as contas. A agremiação, portanto, passou a usar o documento como seu guia rumo à profissionalização de sua gestão, a qual é composta por diretorias executivas cujos integrantes são remunerados pelos serviços prestados em suas respectivas áreas.

“Tem que trazer gente capacitada para cada lugar do clube. Pelo o que a gente ouve falar dessas contratações que o São Paulo fez, são pessoas que podem ajudar muito. O Ricardo, o Raí e o Lugano, que eu conheço bem, podem ajudar porque os atletas respeitam mais os ex-jogadores dirigentes”, elucidou Muricy.

Único tricampeão brasileiro consecutivo na era dos pontos corridos, o São Paulo iniciará sua trajetória na edição 2018 do principal torneio nacional nesta segunda-feira, às 20 horas (de Brasília), contra o Paraná, no Morumbi. Será o ponta pé de uma oportunidade para finalmente aumentar o número de conquistas de sua camisa comemorativa.

* Colaborou Maria Cecília Pereira
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Comentários (7)

17/04/2018 11:03:58 Alexdelopes

Esqueçam estes apelidos do SPFC de Soberano e Jason, é somente Tricolor Paulista .
Depois que começaram a se achar demais , que acabou a humildade, não ganhamos mais nada.

16/04/2018 16:23:10 Jaugusto

Parei na fonte. Gambazeta Esportiva N.2

16/04/2018 14:10:26 Hiro360

Que matéria ridícula, 2018-2012=6 anos, isto na pior das hipóteses, pq se considerar que ainda disputamos 3 campeonatos, 2018 nem deve ser levado em consideração então seria 2017-2012=5 anos.

O poderosos timeco se não me engano ficou 23 anos sem conquistar nem futebol de botão, ganhou o apelido de faz-me-rir. Palmeiras ficou quase tanto tempo na fila também.

Então senhor editor que não sabe porr@ nenhuma da história dos times, não me venha com matérias ridículas desta. O time não parou no tempo, o que parou no tempo foram nossos presidentes, mas mesmo nesta época, a mais tenebrosa de nossa história, não fomos rebaixados, já as peppas e gayvotas podem dizer o mesmo?

Vá se lascar editor gayvota e acéfalo.

16/04/2018 10:37:07 Cdc_Escobar

Parei na fonte. Gambazeta Esportiva.

16/04/2018 10:19:41 Antonio Marcelino Alves

olha o nosso nível em relação aos demais ..estamos poupando trelles par o jogo decisivo.kkkpra quem já teve careca, milher,Luiz Fabiano, Aloísio Chulapa....etc vamos afundar mesmo com esse timeco

16/04/2018 10:04:06 Jeffshim

Infelizmente não somos mais soberanos em nada, talvez em mais tempo sem títulos... que a soberba seja deixada de lado para que iniciemos uma nova caminhada de título(s)...

16/04/2018 09:52:10 Naldo Araujo

meu Deus que saudade dessa época

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