(OFF) Carta de um torcedor gremista para um jovem torcedor colorado
Leiam esse texto de um torcedor do Gremio para um torcedor do Inter, que caiu ano passado. Tem muita semelhança com o momento que vivemos agora. É longo, mas vale a pena.
Meu querido rival,
eu entendo exatamente como você está se sentindo. Não da tua vida, é claro que não. Afinal de contas, com você é diferente. Ainda mais nesta idade. Na adolescência, ninguém nunca entende o que estamos sentindo, nem nós mesmos, e o mundo já é diferente demais do que aquele em que nossos pais viveram para os conselhos deles parecerem válidos – ainda que, muito mais tarde, acabemos descobrindo que os conselhos eram, sim, apropriados para aqueles momentos. Mas, se não entendo dos problemas da tua vida, te garanto: compreendo tua frustração enquanto torcedor.
Doze, treze anos atrás, eu era exatamente como você: um jovem torcedor com doze, treze anos de idade. Talvez nós dois tenhamos escolhido o time por razões parecidas. Quando eu era criança, o Grêmio ganhava tudo. Quando você nasceu, o Inter estava tomando o posto de grande copeiro do Rio Grande do Sul. Sem uma pressão familiar para ir para o outro lado, quem é que vai escolher o clube que perde sempre? Eu não. Nem você. Mas a rivalidade Grenal é um pouco como um mercado de ações: um eterno sobe e desce. Você, como eu, resolveu investir em quem estava em alta. E é claro que ninguém permanece no topo para sempre, mas não nos avisaram disso na época.
(Ricardo Duarte / Inter Divulgação)
No meu caso, a gangorra começou a virar justamente quando eu passei a acompanhar futebol mais de perto. Como você, eu era alguém que havia passado a infância colhendo as glórias de torcer para um clube multicampeão, mas, na real, nunca tinha vivido aqueles títulos plenamente. Quando o Grêmio venceu a Copa do Brasil em 2001, nosso último grande título, eu tinha nove anos de idade. Provavelmente, você estava com uma idade parecida quando o Inter ganhou o seu último caneco importante, a Libertadores de 2010. Nós dois vivenciamos aqueles títulos muito mais de perto do que as conquistas anteriores, mas, vamos ser honestos: o que diabos a gente lembra dos nove anos de idade? Nós dois recordamos a final, é claro que sim, e talvez de algum jogo importante no meio do caminho – os 4x3 que Marcelinho Paraíba liderou sobre o São Paulo em pleno Morumbi, ou o gol de Giuliano na fumaceira de La Plata. Mas eu não lembro nada da semifinal contra o Coritiba, e talvez você já tenha esquecido do duelo contra o Banfield nas oitavas.
A minha memória mais clara começa um pouco mais tarde. Eu consigo lembrar em detalhes aquilo que aconteceu a partir de 2003, quando eu estava por fazer doze anos. Na tua linha do tempo pessoal, isso deve ser ali por 2012 ou 2013. O Inter já não era tão bom assim, não é verdade? Estaduais ainda eram possíveis, e uma campanha decente na Libertadores não era fora da realidade (o próprio Grêmio de 2003 chegou às quartas-de-final e só não foi além porque levou um gol no último lance), mas as grandes conquistas começavam a ficar um pouco mais difíceis do que nos tempos anteriores. A gente começa a olhar as tabelas dos títulos recentes, mas já tão antigos na memória, e se pergunta como antes era tão fácil patrolar um Palmeiras ou um São Paulo, mas agora a gente leva 5 em Chapecó, 4 em Goiânia, ou algum outro resultado impensável até bem pouco tempo atrás.
A gente percebe que a coisa não é mais tão boa. Mas o rival ainda não ganha nada. E os torcedores um pouco mais velhos estão ali para contar sobre os títulos que não lembramos direito. O que para nós é apenas uma memória embaçada, para eles foi o ápice da vida como torcedores. Eles certamente lembram até da forma como o Clemer pulou para defender determinado chute aos quarenta e quatro do segundo tempo de algum jogo não tão importante assim em Campinas. Tu, por outro lado, lamentas que seja preciso recorrer ao youtube para tentar fabricar uma emoção a respeito do gol de Gabiru. Assim como eu ia atrás de vídeos do pênalti de Dinho, tu ouviste todas as narrações possíveis, até em árabe, sobre a façanha de Yokohama: aquilo também era a tua história. O Grêmio de Felipão nos anos 90 também era a minha. Mesmo que não lembrássemos muito.
Só que, diante de ti, agora, está um clube diferente do que os vídeos e os torcedores mais velhos te contam. O Grêmio de 2003, que não chegou a cair (salvou-se na última rodada, adiando o rebaixamento para 2004), era muito parecido com o Inter de 2016. Nós também tínhamos uma direção perdida, um passado recente cheio de conquistas gigantescas, e um time que parecia melhor do que a briga para não cair. O Grêmio de 2003, você não deve saber, ainda tinha Danrlei e Anderson Lima; o teu amado Tinga; ainda tinha o selecionável Gilberto; e tinha um Jesus Christian que seguia destruindo adversários. Não era um time ruim a ponto de ficar na rabeira da classificação. Mas tudo, tudo, tudo parecia dar errado. Com o Inter de 2016, é a mesma coisa. Há bons valores. E nada funciona. São pênaltis perdidos, erros de arbitragem que parecem ser sempre contra, gols sofridos no último minuto e longas sequências sem ganhar.
Você ouve que “time grande não cai” e que o Inter é “campeão de tudo”. Eu ouvia que “somos o único clube internacional do estado” e que o Inter “nunca ganhou de ninguém”. No meu tempo não havia Whats nem Insta, e o Facebook não era popular. Usávamos o tal de Orkut (pergunta pro teu irmão mais velho) e, nos vários fóruns que havia por lá, os gremistas eram bem ativos em comunidades como “Libertadores – eu tenho” ou “Meu clube tem passaporte”. Afogávamos as mágoas de um presente terrível lembrando de um passado glorioso que também servia para zoar o rival. Hoje, tu vês até jogadores dançando valsas sobre os nossos 15 anos sem títulos e dirigentes com 90% de chance de fazer o Inter passar pela maior vergonha da sua história insistindo que time grande não cai.
No fundo, você sente, como eu sentia ao ouvir sobre como o Grêmio era muito mais campeão que o Inter, que esses discursos já perderam o sentido. Que a realidade é outra. Mas eles não entendem isso. Eles insistem em achar que o tempo deles persiste até hoje. Em 2003, nós nos salvamos. Mas foi apenas para tornar o sofrimento mais longo: 2004 foi ainda pior, e finalmente caímos. Foi preciso passar pela Série B para aprender uma dura lição, uma que minha geração carrega no fundo do peito e da consciência até hoje: a arrogância de quem veio antes ajudou a nos enterrar.
O gremista que viveu de fato os anos 90 acreditava ter diante de si um clube imbatível, o maior copeiro do país, o único time com raça de verdade – o Imortal. Até que nada disso mais era verdade. Aprendemos que não existe um estilo de jogo intrínseco a um clube: existem times, e times passam. Os gremistas da minha idade, geralmente, são muito mais austeros do que os que vieram antes. Encaramos o futebol com um certo ceticismo. Nossa infância foi vivida com a pergunta “tu és gremista ou sofredor?”, mas em nossa adolescência descobrimos que nós é que havíamos nos tornado os sofredores. Hoje, somos tão pessimistas que ainda não confiamos que 2016 será um ano bom: ainda achamos que o Inter vai se salvar e que vamos perder a Copa do Brasil.
Pode ser que sim. Pode ser que o Inter, novamente, ainda ria por último. Mas eu vou te dizer algo, com toda a sinceridade, e sei que tu não vais acreditar em mim: talvez seja melhor cair. Talvez seja necessário chutar toda essa soberba para bem longe. Se o Inter ficar na Série A, será a vitória daqueles que tapam o sol com a peneira. Eu aposto contigo: caso o rebaixamento não aconteça, teu sofrimento de 2016 rapidamente será varrido para baixo do tapete, logo só se falará no décimo aniversário do Mundial (em 2003, falávamos no centenário do Grêmio), e nada vai mudar de verdade. O choque de realidade não virá – e o caminho pelo deserto será ainda mais longo. E talvez o rebaixamento venha igual, um pouco mais adiante. Depois do nosso 2003, afinal, houve um 2004.
Se cair, tu nunca mais serás o mesmo, é verdade. Muitas das tuas certezas irão por terra. A Série B nunca sai de nós. Mas, se o Grêmio seguir sem ganhar nada, tua jornada pelo inferno será ainda mais tranquila do que a minha foi – nosso pior momento, afinal, coincidiu com a melhor fase de vocês. E não vai ser um gremista da minha geração que vai prever que vamos começar a ganhar tudo a partir de agora. De todo modo, esteja ciente: times grandes caem sim, meu amigo. E, às vezes, a grandeza está em provar que conseguimos nos levantar de novo.
- SAF? Camisas, astros de Hollywood e investidores: a estratégia de Diego Fernandes para a SAF do São Paulo
- LEMBRA DELE? Interminável, ex-São Paulo assina com time da 2ª divisão de Goiás
- IGNORADO! Campeão mundial é "esquecido" por perfil oficial do SPFC; ação gerou desconforto público
- NOVA ROTA? São Paulo pode mudar estratégia após negativa por zagueiro do futebol europeu
URGENTE! Dorival Júnior é o novo técnico do São Paulo
Notícias
INVESTIGAÇÃO MANTIDA! MP rejeita recurso do São Paulo e caso sobre gestão temerária avança
ELEIÇÃO CHEGANDO! Disputa presidencial do São Paulo ganha força com oposição
Reunião com lideranças políticas em São Paulo é adiada após recusas de conselheiros
BALANÇO DOS REFORÇOS! Desempenho das contratações do São Paulo em 2026
Lucas Moura surpreende na recuperação e anima o São Paulo para a reta final da temporada
Resumo da semana do São Paulo: mercado agitado, Arboleda, Domingos Duarte e novidades no CT
São Paulo empata com Juventus em jogo-treino e Dorival testa mudanças no CT
ADEUS JOIA! Cria de Cotia inicia pré-temporada no Strasbourg após negociação milionária com o São Paulo
Dorival acelera preparação do São Paulo enquanto Sabino evolui no CT
Ex-atacante e bicampeão pelo São Paulo é preso
Confira como foram os reforços do São Paulo no primeiro semestre de 2026
Sabino avança em tratamento e corre no gramado da Barra Funda.
Empresário que quer transformar São Paulo em SAF entrega camisa a astro de Hollywood
Com eleição para presidente do São Paulo para o final do ano entenda a situação política do clube!
HÁ 55 ANOS! São Paulo celebra aniversário do título paulista de 1971 contra o Palmeiras
LEMBRA DELE? Interminável, ex-São Paulo assina com time da 2ª divisão de Goiás
IGNORADO! Campeão mundial é "esquecido" por perfil oficial do SPFC; ação gerou desconforto público
SAF? Camisas, astros de Hollywood e investidores: a estratégia de Diego Fernandes para a SAF do São Paulo
FOI MAL: Copa do Mundo reduz chances de venda de Bobadilla pelo São Paulo
Reunião da diretoria do São Paulo é adiada após recusa de conselheiros
São Paulo acelera mercado: Newton perto, Domingos Duarte avança e Arthur Chaves esfria
DE NOVO? Hoffenheim rejeita nova proposta do São Paulo e trava chegada de Arthur Chaves
Ministério Público mantém investigação sobre gestão do São Paulo após rejeitar recurso do clube
ELEIÇÕES! Bastidores políticos do clube se movimentam por sucessão presidencial
NOVA ROTA? São Paulo pode mudar estratégia após negativa por zagueiro do futebol europeu
TRETA! São Paulo vive turbulência política após empresário pedir saída de Olten Ayres
NOVA CASA! Ex-São Paulo, Hernán Crespo negocia com tradicional clube argentino
Hoffenheim recusa oferta do São Paulo por Arthur Chaves
LIDERANÇAS RECUSAM! São Paulo adia reunião política após baixa adesão de conselheiros
CRISE NOS BASTIDORES! São Paulo marca reuniões para definir rumos após saída de Rui Costa