Futebol é um esporte coletivo mas parece que nos esquecemos disso.
Boa noite, Nação.
O título é auto-explicativo, parece que nós nos esquecemos que para ter sucesso em campo, um time forte e sólido tem existir. Quando digo nós, me refiro a torcida mesmo, que atualmente tem buscado culpados em cada resultado negativo.
Observem esse ano a lição que o Carille está dando de futebol. Com um elenco mediano, jogadores anteriormente extremamente questionados ou em péssima fase e vários garotos, conseguiu montar um time dificílimo de ser batido, levou o Paulistão e lidera com folga o Brasileirão até o presente momento. Até outro dia, a contratação de Jô que estava no limbo era questionada, o Rodriguinho era chamado de "Ruimdriguinho", Fagner que é um bom jogador (porém nada fora da curva) que saiu xingado do Vasco hoje está na Seleção, nem vou falar de Romero que é um jogador muito limitado mas que está fazendo uma ótima temporada, bem melhor que jogadores muito mais talentosos que ele.
Com uma filosofia de jogo bem definida, com repetição, continuidade e aprimoramento do mesmo esquema, respeito e entendimento das próprias limitações e confiança em manter os 11 titulares, vem conseguindo resultados muito melhores que o esperado por qualquer um.
Enquanto isso, o nosso rival muito mais badalado e cheio de contratações de peso e jogadores de renome, esse ano foi eliminado de forma vexatória pela Ponte, sofreu muito com vitórias nos últimos instantes na Libertadores, perdeu clássicos e vem apresentando um futebol abaixo do esperado.
Podemos citar inúmeros exemplos de grandes times no papel que fracassaram e elencos que nunca foram considerados brilhantes mas que conquistaram o mundo. Maior exemplo disso foi o nosso sucesso em 2005.
Isto é, pra montar um time forte e vencedor, não são 11 craques em campo que resolvem atualmente, até porque no Brasil é quase impossível isso, já que os jogadores do mais alto nível rumam para a Europa. O necessário é inteligência, padrão tático, repetição, confiança, união, preparação física e psicológica, um time leia e sinta o jogo... tudo que não vemos no nosso atual time.
Deixando a política do clube do lado, não adianta achar que mudar o goleiro de um jogo pro outro, o lateral esquerdo ou o direito, o meia esquerda ou o ponta direita vai resolver magicamente nosso time. E nem a contratação de qualquer jogador faria milagre num time que não é um time!
Até porque essas mudanças já fizemos durante a temporada toda no comando do Ceni, o que temos de legado dentro de campo? Cada jogo tivemos uma estratégia, um esquema, uma escalação diferente e hoje vemos um bando em campo.
Bom, uma hora chegamos a pegar no pé de Denis, Buffarini, Maicon, Lucão, Wesley, Cícero com TODA A RAZÃO... porém todos esses não são mais titulares e mesmo assim, estranhamente, os resultados continuam a não vir. Óbvio, porque o problema do time em campo não se concentra em um ou dois jogadores, mas sim no conjunto que INEXISTE em meados de JULHO chegando a metade do campeonato.
Claro que não podemos passar a mão na cabeça de jogadores que não vem rendendo continuamente, casos do próprio Buffa citado antes, de Lucão que falhou inúmeras vezes seguidamente, do fracasso que vem sendo o Wellington Nem ou do até então invisível Cícero, porém a questão é mais profunda que isso e penso que não deveríamos queimar os jogadores que serão importantes pra sequência da dura temporada que teremos aqui (como os garotos da base, Renan Ribeiro, Lucas Pratto...).
E outra, em um time mal postado em campo e ainda sem confiança, os erros individuais acontecem com muito mais frequência, já num time bem montado e em boa fase dificilmente da brechas pro adversário.
Agora é dar tempo ao Dorival trabalhar, montar seu time, dar padrão de jogo e encontrar seus 11 ideais, pois confio que temos um elenco capaz de mostrar muito mais que o temos visto, com qualidade para estar na metade de cima da tabela e não na metade de baixo, porém entendendo que o momento é de juntar as forças, trabalhar e com humildade conseguir resultado a resultado sair da zona do perigo que é nosso principal objetivo agora.
Da nossa parte é fazer o que fizemos em outros momentos de dificuldade, lotar o Morumbi, transformar o estádio em um inferno pros nossos adversários e empurrar o time a cada jogo durante os 90 minutos.
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