Responsabilidades
Estamos na metade de 2017.
Temporada que teve um início de ano com muitas ações emblemáticas na instituição São Paulo Futebol Clube, notadamente, o início da jornada de Rogério Ceni como técnico de futebol e a eleição presidencial, que reconduziu Leco para mais 3 anos e 8 meses no poder, perfazendo 57 meses no total, até o final de 2020.
O saldo do ano, até aqui, foi lamentável: desclassificações em 3 competições, Campeonato Paulista, Copa do Brasil e Sulamericana (esta última, novamente, por time de menor expressão).
Administração Leco soma assim, em 21 meses, 6 eliminações em mata-mata (2 Paulistas, 3 Copas do Brasil e 1 Sulamericana), sendo 3 vexatórias (Audax série D nacional, Juventude então série C e Defensa y Justicia, time obreiro da Argentina). Nas campanhas de Brasileiro, um final melancólico de 2015 e um certo risco de rebaixamento, em 2016, período marcado pelo acerto em Cueva, mas também, pela teimosia em Ricardo Gomes e por contratações ruins após a janela do meio de ano, Jean Carlos, Robson, Neilton (todos já foram embora, surreal), Douglas e quase Getterson.
2017 começou com incrementos, um ídolo como treinador na figura de Ceni, contratações de Pratto e Jucilei. Outros nomes vieram, de menor relevância, casos de Thomaz, Morato, Marcinho, Edimar e Denilson. Wellington Nem, emprestado por altíssimo salário e histórico de lesões graves, chega no meio do seu contrato sem ter produzido nada.
Por fim, a perda da linha de frente da geração de base, que venceu títulos nacionais e Libertadores sub-20, causou revolta nos são-paulinos. David Neres e Luiz Araújo não tiveram sequer a chance de uma temporada inteira no profissional e já estão nos gramados europeus.
O tratamento dado a Diego Lugano também traz indignação, contra a diretoria.
O torcedor, que em sua maioria estava esperançoso pela chegada do M1to ao comando, um grande escudo eleitoral da administração, parece ter caído em si.
A amostragem de duas enquetes distintas, no Twitter, é um bom espelho disso. Uma delas aponta Leco como principal responsável pelo insucesso do São Paulo, com 75% de votos. Outra mostra o apoio do são-paulino, 78%, ao trabalho de Rogério Ceni.
Conclusão que a nação tricolor percebe: a perpetuação do poder é nociva, seja em clubes de futebol, governos, sociedade.
O Tricolor paulista está há 15 anos com o mesmo grupo político no poder, salvo rachaduras internas durante o percurso, Marcelo Portugal Gouvêa, Juvenal Juvêncio, Carlos Miguel Aidar e Leco, sempre se apoiaram mutuamente em eleições do clube, desde 2002. Leco, por exemplo, foi o indicado à presidência do Conselho Deliberativo, na candidatura Aidar. Se tornou presidente do SPFC por isso, após a renúncia do trágico mandato de Carlos Miguel.
O saldo, desde o Tri-Hexa 2006 a 2008, aponta para 34 campeonatos disputados e 33 perdidos, sem chegar sequer a uma final. Apenas a Sulamericana 2012, foi exceção.
Não resta dúvida que o modelo de gestão está errado no Tricolor, porém, um conselho também perpetuado optou pela continuidade. O novo estatuto é a esperança, até agora, muito mais politizado do que profissional.
Não há caminho certo, não há reconstrução.
A nação tricolor, em sua grande maioria, já percebeu isso.
“Até quando?” é a pergunta que não quer calar…
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