Racha Aidar X Juvenal Juvêncio: Análise Política - O que esperar?
Poder. O que é o poder?
Poder é a capacidade que tem um indivíduo ou núcleo de indivíduos de fazer com que os outros ajam da maneira que eles querem e não segundo a vontade particular de cada um desses outros. É aquela capacidade soberana que alguém tem de “ordenar” ou “realizar” seus projetos sem ser questionado ou contestado. Quanto mais alguém “manda” sem ser molestado, mais poder ele demonstra. Quanto mais é questionado ou contestado e, portanto, impedido de fazer prevalecer a sua vontade, lógico, menos poder ele possui na prática. A escala é exatamente essa.
E como se obtém o poder sem contestação? Através das revoluções, da força das armas, da repressão feroz à oposição, pelo medo, pela supressão de direitos políticos e jurídicos, pela dispersão ou extermínio dos contrários, enfim, poder é concentração, jamais dispersão. Democracias não levam ninguém ao poder absoluto. Isso é papel das ditaduras.
Mas o que isso tem a ver com o nosso Tricolor? Tudo.
Para começar, que uma coisa fique clara. Aidar não partiu para o racha com o ex-presidente, Juvenal Juvêncio, por causa das acusações contra a sua filha. Absolutamente. Ao contrário, apenas usou internamente mais essa justificativa como mais motivo razoável dentre tantos outros para comandar o “racha”. Porém, a razão principal para a cisão é uma só: Ele quer mais poder.
Claro, a auditoria/consultoria contratada por Aidar também foi cuidadosamente premeditada. Aidar previa de antemão que iria atacar, mais para isso precisaria de subsídios “fora dos seus argumentos” e “consistentes”, ou seja, precisaria de “respaldo técnico” para justificar o ataque. A consultoria foi uma grande jogada. Logicamente que inúmeros erros administrativos e de gestão financeira foram cometidos por um ex-presidente que “pagava o bicho no vestiário em dinheiro vivo dentro de um saco de pão”, como afirmou o próprio Aidar e como todo São Paulino bem informado sabia que acontecia. Quem procura, acha. Aidar achou.
Carlos Miguel Aidar conhece muito bem Maquiavel e leu com cuidado “O Príncipe”: Os preceitos de “os fins justificam os meios” e “dividir para governar” foram utilizados de forma plena: Para chegar ao poder Aidar se aliou cirurgicamente com quem podia dar-lhe a direção do clube. O que menos importava naquele momento era se os seus objetivos pessoais de governança se harmonizavam com o grupo de JJ. Apenas insinuou-se, deu tapinhas nas costas dos supostos aliados, disse “amém” a tudo o que Juvenal falava e como prêmio conseguiu único intento que lhe interessava, o de ser Presidente do SPFC não importando por quais meios. Conseguido isso, a partir do “cargo” obtido entra em plano a segunda fase: Ganhar o poder efetivo para si.
Porque apenas “o cargo” não confere a Aidar grandes poderes. Como exemplo lhes dou “Collor”. Tinha o maior cargo político do Brasil, a Presidência da República, porém não tinha “poder real”. Não mandava, não tinha apoio, nem sustentação política. Caiu rapidamente como uma simples brincadeira de castelo de cartas. Aidar sabe que para obter poder de verdade tem de desestruturar o poderosíssimo grupo de Juvenal Juvêncio. Esse grupo tem tentáculos no clube todo.
É exatamente aí que entra o “dividir para governar”. Aidar precisaria desarticular o grupo de Juvenal, diminuir-lhe a influência, retirar os mecanismos de “poder” deles e passa-los para si, ou seja, os cargos que ainda detêm, a presença influente deles no clube. Precisa demitir a infraestrutura herdade de Juvenal que é são os funcionários contratados que foram colocados lá pela a administração anterior, enfim todo o “aparelho de poder” construído por tantos anos na presidência de Juvenal. Precisa destruir e desarticular em todas as camadas administrativas. Nada como dividir e desarticular de modo rápido e feroz para que não mais consigam ter em mãos qualquer tipo de ferramenta financeira ou administrativa tão necessárias para “influir” na política do SPFC.
Agora vejam o pulo do gato: ao mesmo tempo que Aidar detona antigos aliados, procura na surdina oposição – que se tornou importante e influente nos últimos 2 anos – para criar um novo núcleo de poder, uma nova maioria “desinfectada” do grupo anterior. Já conseguiu. A oposição está ávida por ter influência efetiva no clube e não perderá a oportunidade que Aidar lhes acenou.
Por fim e contando com isso, Aidar terá todo o tempo do mundo para cooptar e ganhar o apoio de todos os membros do antigo grupo de JJ que realmente lhe interessem. Para isso basta acenar-lhes “com algum poder”. Com isso, tenham essa certeza, se esquecerão rapidamente do velho Juvenal.
Aidar já depreendeu e mediu cuidadosamente que Juvenal Juvêncio está doente e velho e não terá forças ou ânimo para enfrentá-lo, percebeu que antigos diretores como Leco, Júlio Casares ou João Paulo de Jesus Lopes vão pelo mesmo caminho de JJ: velhice, anacronismo com a modernidade e apoio para com o ultrapassado no clube.
Creio que Aidar vencerá a queda de braço com o antigo grupo. Fez tudo para isso. Não tenham dúvidas de que pensou cada passo dessa estratégia até antes de ser empossado no cargo. Resta-nos saber agora, uma vez conquistado o “poder real”, o que ele fará de verdadeiro e útil com ele. Se for para apenas colocar seu próprio grupo a receber benesses que antes eram do grupo do Juvenal ou utilizar-se da presidência para tornar novamente o clube moderno e na vanguarda do futebol brasileiro como sempre foi. Esperemos o próximo capítulo.
Ao Grupo de Juvenal, RIP. É apenas um cadáver insepulto que Aidar resolveu enterrar sem as menores honras.
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