Muricy, seu mentor Minelli, o São Paulo atual, filosofia de jogo, reforços - Por Airnani
Ontem depois de comentar um texto de kXD, opinando sobre quais deveriam ser as contratações pontuais do São Paulo, parei para pensar.
Olhei para as diferenças físicas, dos jogadores que estão sendo contratados esse ano, e os que foram contratados ano passado.
Percebi algo curioso. Com exceção de Pabon, todos os outros jogadores contratados esse ano, tem mais de 1,79cm de altura.
E aí virá a pergunta de muitos: E aí?
Sei que muitos aqui do site não gostam de falar de passado. Mas, para entender o atual momento do São Paulo, bem como a reformulação do elenco, é preciso entender os conceitos que Muricy tem.
Apesar de ter sido assistente de Tele Santana e Parreira no São Paulo, Muricy não esconde de ninguém que o treinador que ele se espelha chama-se Rubens Minelli.
Rubens Minelli, foi seu técnico no São Paulo, que o colocou no banco, e que conquistou o primeiro título Brasileiro do São Paulo em 1977.
Tem um video muito legal, do programa "BEM AMIGOS", depois do tricampeonato brasileiro de 2008, onde os convidados eram Muricy e Rubens Minelli. Os únicos técnicos tri-campeões brasileiro em sequencia.
https://www.youtube.com/watch?v=GbL5exuSrQY
RUBENS MINELLI, O MENTOR DE MURICY
Sinceramente não o vi como treinador. O que meus pais e tios sãopaulinos diziam, é que Minelli gostava de jogadores altos e prezava muito a preparação física.
Fui pesquisar um pouco mais, e encontrei um fonte riquíssima sobre Minelli, sua carreira e seus conceitos Tirei alguns trechos do link:
http://imortaisdofutebol.com/2013/10/30/tecnico-imortal-rubens-minelli/
Rubens Minelli, surgiu em 1975 no Inter, com a proposta de acabar com o futebol retranqueiro do futebol gaúcho. E faria com que seus jogadores se impusessem em campo com força física, marcação no campo dos adversários e, acima de tudo, a consciência de que era preciso atacar e defender de maneira plena e correta, aura da polivalência que tanto Minelli pregava:
“Sou favorável à POLIVALENCIA. O jogador especialista só seria titular se fosse um jogador fabuloso. Caso contrário, eu o trocaria por alguém que trabalhasse pelo todo”. –
Além de tudo isso, começava a ficar clara a preferência de Minelli por jogadores altos, com mais de 1,75m, e fortes, com o intuito de facilitar os esquemas de marcação incisiva e a ofensividade em campo.
Certa vez quando perguntado se o sucesso no Inter é parecido com o do Muricy, respondeu:
"É a CONTINUIDADE DE UM TRABALHO, de uma FILOSOFIA DE JOGO. É a MANUTENÇÃO DE UMA BASE. Pena que são poucos os dirigentes que entendem isso no futebol. Fiquei três anos montando uma equipe, apurando a condição técnica e tática. NUM TIME MONTADO, QUALQUER REFORÇO SE ENCAIXA. Meu grande mérito foi a equipe ter uma grande OBEDIÊNCIA TÁTICA. Eram ESTRELAS DISCIPLINADAS. A cada ano conseguíamos jogadores melhor qualificados, e, por isso, tivemos o grande aproveitamento em 1976 [84% dos pontos conquistados, o maior campeão da história do Brasileirão>. Além disso, era um grupo raro, de estrelas sem vaidades. Eles compreendiam o que eu queria taticamente e conseguiam desenvolver esse futebol dentro de campo. O MEU CONCEITO SEMPRE FOI QUE O JOGADOR TEM LIBERDADE PARA FAZER O QUE QUER QUANDO TEM A BOLA. MAS, SEM A BOLA VÃO JOGAR COMO EU QUERO."
RESPOSTA PARA PERGUNTA: E AÍ?
Vamos pegar os conceitos de Minelli e colocá-los em prática hoje com Muricy:
JOGADORES ALTOS, QUE DEFENDEM E ATACAM, POLIVALENTES
Os novos contratados do São Paulo:
Luis Ricardo tem 1,83, era centroavante, e ganhou destaque jogando de lateral direito.
Souza, 1,90, pode jogar de volante, meia, e até fazer um terceiro zagueiro devido a sua altura
Alvaro Pereira, 1,80, joga na lateral esquerda, mas já jogou de volante e ponta ofensivo
Pato, 1,79, joga de centroavante, 2o atacante, e até meia como Muricy quer ve-lo jogar
Hudson, 1,79, pode ser primeiro volante, segundo, ou volante/meia (que é o que Muricy quer)
Alan Kardec, 1,85, e ressaltado em entrevistas que é um jogador que pode fazer vários papeis no ataque.
Fora isso os jogadores que Muricy gosta (veja, que aqui não estamos querendo falar de preferências pessoais, e sim da filosofia Minelli/Muricy):
Rodrigo Caio, 1,82, joga de lateral, zagueiro, volante
Antonio Carlos, 1,85, é zagueiro, pode jogar pela direita e pela esquerda e sabe fazer gols
Maicon, 1,84, começou como meia armador, e hoje é o volante/meia de Muricy
Ganso, 1,84, é cobrado por Muricy para ser mais polivalente, jogar pela direita, jogar pelo meio....
E tem dois jogadores versáteis, que não são altos, mas compensam pela força física ou pela extrema habilidade, e facilidade de pegar na bola:
Douglas, 1,71, lateral, e que já foi utilizado na meia e na ponta direita. Abilio Diniz, diz que ele tem que ser meia.
Boschilla, 1,72, joga aberto pela direita como jogou na Copinha tabelando com Auro, centralziado ou na esquerda. Pega muito bem na bola, e é um dos batedores de escanteio e faltas.
CONTINUIDADE DE UM TRABALHO, FILOSOFIA DE JOGO E MANUTENÇAO DE UMA BASE
Fiz um post há alguns dias atrás, entitulado: "Entendo o São Paulo atual, e o que esperar do futuro":
http://spfc.terra.com.br/forum2.asp?nID=257961
Nesse post expliquei os erros cometidos pela diretoria nos últimos 5 anos (desde a saída de Muricy). Trocamos 7 vezes de treinadores, contratamos sem ter uma filosofia de jogo, e não mantivemos uma base. Citei a quantidade de laterais direito, esquerdo, zagueiros e volantes que passaram por aqui.
Passaram por aqui treinadores com características diferentes, e a cada ano que passava depois da saída de Muricy, o time ia perdendo cada vez mais sua filosofia de jogo e sua base.
Ricardo Gomes, o primeiro brigou pelo título do campeonato brasileiro, e chegou a semi-final da Libertadores. Depois disso, só foi fracasso, só jogamos Copa do Brasil e Sulamericana.
Carpegiani, pode até ter uma filosofia parecida com Minelli, mas, quem contratava e dispensava jogadores era a diretoria. Nunca pensando em manter a base ou uma filosofia. Quebrava o trabalho dos técnicos inteiros.
Mas, Muricy sabe caminhar pelo São Paulo. Sabe como lidar com JJ e conselheiros. Esse ano contratamos jogadores mesmo que por empréstimo por períodos longos como Pato, Pabon, Alvaro Pereira, Luis Ricardo. Kardec deve assinar por pelo menos 3 anos.
Carlos Miguel Aidar, que viu seu pai contratar Minelli, já garantiu Muricy por 3 anos, exatamente pelos 3 prinçipios desse subtítulo: CONTINUIDADE DE UM TRABALHO, FILOSOFIA DE JOGO E MANUTENÇAO DE UMA BASE
Chega de trazer Adriano, Carlos Alberto, Ricardo Oliveira, Fabio Santos, com empréstimos de 6 meses. E perder Ricardo Oliveira nas finais da Libertadores.
OBEDIÊNCIA TÁTICA, ESTRELAS DISCIPLINADAS e LIBERDADE PARA FAZER O QUE QUER QUANDO TEM A BOLA. MAS, SEM A BOLA.....
O perfil dos novos contratados pelo São Paulo, são de jogadores que JÁ FORAM ESTRELAS, como Pato e Ganso (esse não veio com Muricy, mas trabalhou com Muricy), Alvaro Pereira, mas disciplinados.
Raramente você verá esses jogadores na balada, com copo de cerveja na mão.
Muricy já abaixou a bola de todos, dizendo que era muito melhor do que todos. É claro que ele fez isso para mexer com os brios dos jogadores, e sair da zona de conforto.
E na nova filosofia de jogo, com volantes/meias (como Falcão e Carpegiani de Minelli), e um quarteto ofensivo de jogadores habilidosos e acima de tudo inteligentes.
Esses jogadores com a bola nos pés são fantásticos. Mas, sem a bola, precisa jogar como Muricy quer.
OS ESTÁGIOS DA EVOLUÇÃO
Estamos hoje no estágio de fazer os jogadores como Pato, Luis Fabiano, Ganso e Boschilla a marcar, preencher espaço, ou seja serem mais obedientes taticamente.
Eles não precisam ser ensinados a jogar com a bola nos pés. Nisso todos eles são acima de média (SIM, SÃO ACIMA DA MÉDIA). Mas, futebol não é só atacar. É preciso participar, é preciso analisar as estáticas.
Muricy adora esportes americanos. E uma das razões é a análise performance dos jogadores, através de estatísticas.
É assim que os jogadores são avaliados na NBA, por exemplo. Quantos pontos, minutos, jogadores, quantas bolas perdidas, quantas bolas roubadas, quantos rebotes, quantos chutes de longa distancia, quantos chutes de 2 pontos, percentual de acertos desses chutes.
É isso que ele quer de Ganso e Pato. Mais minutos com a bola, mais chutes, mais assistências, mais roubadas de bola, enfim, da mesma maneira que é pontuado no CARTOLA.
No jogo contra o Cruzeiro não fomos brilhantes. Mas, o time foi obediente taticamente. Se eles não jogaram, também não deixaram o Cruzeiro jogar. O jogo foi decidido em bolas paradas.
E o Cruzeiro é o time mais entrosado do país, e que tem o melhor banco.
O segundo estágio é treinar, treinar bolas paradas, chute de longa distancia, chuveirinhos (e e ter na área jogadores chegando para ajudar Luis Fabiano). Perceba que no video que coloquei o link acima do Bem Amigos com Minelli e Muricy, que desde 1975, passando por 76, 77, 2006, 2007, 2008, os jogos decisivos foram decididos em bolas paradas, chutes de fora da área e gols de cabeça em cruzamentos.
Para isso é necessário treinar, treinar, treinar. E teremos uma pausa importante durante a Copa do Mundo para treinar. Felizmente, perderemos talvez somente Alvaro Pereira nesse período.
O terceiro estágio, que talvez venha com o segundo, é linha de impedimento e marcação no campo adversário. Isso é parte dos times de Minelli e do time de Muricy de 2006, 2007 e 2008.
Como Minelli bem disse (no bem Amigos), não basta somente querer fazer a linha de impedimento. Ë preciso ter alguém com moral, inteligente e comande a linha de impedimento. No São Paulo de 77 ele tentou, mas o zagueiro que comandava, as vezes pedia para todos sairem e ele ficava,......rsrsr
Talvez por isso, eu volte a achar que realmente Lugano ou Miranda, sejam reforços importantes. O time de 2005 e 2006, tinha a melhor linha de impedimento que já vi.
Lembro de inúmeros jogos, em faltas perto da área contra nosso time, os jogadores saindo rapidamente e deixando 4, 5 jogadores adversários impedidos.
Era o comando, a inteligencia e a confiança em Diego Lugano. Não adianta um jogador como Rodrigo Caio tentar fazer isso. Falta moral, e confiança nele.
E o último estágio, é jogar, jogar, jogar....ter uma sequencia de jogos, para que os jogadores se entrosem cada vez mais com a bola rolando.
Linha de impedimento, cruzamento na área, bola parada, posicionamento é treino.
Tabelinhas, troca de passes, triangulações é jogo, é entrosamento. Isso é com o tempo e jogando.
REFORÇOS
Então depois de toda essa análise feita, posso responder melhor a pergunta de kDX sobre os reforços pontuais.
Não opinando de acordo com minha opinião de fora, e sim entendendo a filosofia de jogo de Muricy:
Diego Lugano, 1,88, zagueiro que sabe comandar uma linha de impedimento. Com isso não precisa ficar correndo atrás de atacantes. Time que faz bem linha de impedimento, não precisa de zagueiros e laterais com velocidade.
Ex.: Alessandro, Chicão, Paulo André, Fabio Santos.
Mario Fernandes, 1,88, atualmente no CSKA, jogador alto, que joga tanto na lateral direita quanto de zagueiro. Como Douglas é baixo......
Felipe Melo, 1,83, volante, que começou a carreira de meia.
Diego Souza, 1,86, atacante, meia, volante, que teve o melhor momento de sua carreira, sendo eleito inclusive o melhor jogador brasileiro de 2009, com Muricy Ramalho.
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