50 anos atrás e um título sobre o Real Madrid. Teve de tudo, até sequestro e tiros.
Pequena Taça do Mundo de 1963.

O São Paulo sempre fez bonito quando jogou no exterior. Desde uma vitoriosa excursão pelo continente europeu em 1951 (num combinado com o Bangu), o tricolor nunca perdeu o hábito de representar, e bem, o futebol brasileiro em terras estrangeiras. No ano de 1963, poucos dias após obrigar o Santos de Pelé a fugir de campo, voltaríamos para Caracas a fim de disputar pela segunda vez a Pequena Taça do Mundo.
Mas, afinal, o que era essa Pequena Taça do Mundo? Em meados das décadas de 50 e 60, a competição era considerada uma coqueluche do futebol internacional. Foi uma espécie de predecessora do Mundial Interclubes, tamanho o interesse que despertava nos grandes clubes europeus e sul-americanos. Ao longo da história vários clubes expressivos tiveram o privilégio de disputá-la: os espanhóis Real Madrid, Barcelona, Valencia, La Coruña, Sevilla e Zaragoza; os portugueses Porto, Benfica e Sporting; os italianos Roma e Lazio; o inglês Chelsea; o alemão Werder Bremen; o uruguaio Nacional e o argentino River Plate. Os clubes brasileiros também deram o ar de sua graça na disputa, como Corinthians, Santos, Vasco e Botafogo. Na edição de 1955, num quadrangular que envolveu Benfica, Valencia e o venezuelano La Salle, o São Paulo conquistou pela primeira vez o prestigioso caneco.
Em 1963, Porto e Real Madrid fariam companhia ao São Paulo no torneio. Os merengues ostentavam o maior esquadrão de sua história. Para se ter uma idéia do poderio da equipe, a FIFA, na virada do milênio, promoveu uma enquete entre jornalistas, técnicos e ex-jogadores que apontou este time como o maior do século, superando inclusive o Santos de Pelé.
Base da seleção espanhola campeã da Copa Européia de seleções em 1964, a equipe ainda tinha Ferenk Puskas, húngaro, lendário capitão e craque do fantástico escrete magiar que encantou o mundo na Copa de 54; e Alfredo Di Stéfano, argentino, para muitos o melhor jogador de seu país em todas as épocas, superior até a Maradona. A constelação também contava com craques como o brasileiro Evaristo de Macedo e os espanhóis Gento e Amâncio. Por todos esses foras-de-série o natural seria que a taça tomasse o rumo do Santiago Bernabeu.
Em 1963, a Venezuela, assim como todos os países da América Latina, vivia um período turbulento, de profunda agitação sócio-política. Foi com esse clima de tensão que a Pequena Taça do Mundo foi disputada naquele ano. Real Madrid, da Espanha e São Paulo, do Brasil chegarão ao jogo final
O São Paulo teve um desfalque importante. Pagão, contundido, não estava em condições de jogo. O Real também jogou sem um de seus principais jogadores, só que por um motivo para lá de insólito.
Às vésperas do jogo, membros da organização clandestina de extrema esquerda denominada Frente de Libertação Nacional (FALN), fazendo-se passar por policiais, invadiram o Hotel Potomac, onde a delegação madrilenha estava hospedada, e seqüestraram Di Stéfano, com o objetivo de chamar a atenção do mundo para a causa do grupo.
Di Stéfano foi libertado três dias depois, são e salvo. Mas a mesma Frente de Libertação Nacional ainda aprontaria mais uma confusão. Ao final do primeiro tempo, integrantes da FALN invadiram o estádio, tentando pular a grade de ferro que circundava o campo, atiraram bombas e deram tiros contra os espectadores, que, apavorados, adentraram o gramado para se proteger do fogo cruzado.

Os policiais intervieram e o pandemônio aumentou, com mais disparos em direção às arquibancadas. Só um milagre explica o fato de ninguém ter morrido ou se ferido mais gravemente. O São Paulo venceu por 2 X 1 e garantiu o título.

Sds.
Peixoto.
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