Marcação
Olá caros são-paulinos,
escrevi um texto sobre marcação e parte tática ( coisa que o nosso tricolor tem que melhorar 400%). Espero que vocês apreciem.
"Marcação
Uma coisa que tem me chamado a atenção nesse Campeonato Brasileiro é a marcação. Todos os times da série A, com exceção do Fluminense e Corinthians, apresentam uma marcação frouxa, mal postada. É incrível como a maioria dos técnicos brasileiros não sabe organizar o meio-de-campo para marcar forte, correr pouco e sair em velocidade no contra-ataque.
Na atualidade, os dois times que melhor marcam, na minha humilde opinião, são o Real Madrid e o Barcelona.
A seguir, farei uma análise do sistema de marcação dos “merengues” e dos “blaugranás” para corroborar minha escolha:
Real Madrid:
O técnico português José Mourinho, desde o título da Champions League 2009-2010 no comando da Internazionale de Milão, já mostrou que entende, e muito, de marcação. Ele conseguiu parar nada mais, nada menos que o Barcelona do Pep Guardiola.
E como ele conseguiu essa proeza? Por intermédio da Providência Divina? Não! Ele conseguiu parar o Barça por meio do esquema tático que acabou ficando conhecido posteriormente como o “Ônibus do Mourinho”.
É um esquema relativamente simples. O time fica organizado em três linhas (5-4-1).
A defesa é organizada numa linha de 5 jogadores, com o primeiro-volante jogando como um terceiro zagueiro, ou falso zagueiro, ou como queiram chamar. O laterais não sobem muito para o apoio. Embora o time atue tecnicamente com 3 zagueiros, eles sobem pouco para o ataque. Eles jogam mais como laterais defensivos que como alas ofensivos. Um fato interessante nessa linha defensiva é que os zagueiros, com exceção do central, sempre ficam na sobra da marcação do lateral do seu time no ala do time adversário.
Se a primeira linha serve para impedir jogadas nas pontas, como cruzamentos na área, a segunda serve para “inchar” a entrada da área. Com 4 jogadores postados ali, fica bem difícil para o time adversário chutar à pequena distância ao gol ou fazer jogadas de infiltração pelo meio.
A última linha, composta unicamente pelo centroavante, serve para dar combate na defesa adversária e apressar a saída de bola do goleiro.
Defensivamente, esse esquema é bem eficiente. Só não dá é pra jogar postado assim o jogo inteiro, pois para ganhar a partida, é necessário fazer gols. Com dois meias rápidos e habilidosos saindo no contra-ataque pelos lados do campo, com um atacante “de gols” no comando do ataque e um volante com boa chegada por atrás, o time postado assim se torna perigosíssimo.
A defesa fica compacta com o meio-de-campo; o sistema de marcação fica “pesado” e eficiente, pois todos os jogadores ajudam a marcar, precisam correr pouco, além de ter sempre um companheiro na sobra; o contra-ataque fica mortal.
Com esse sistema de jogo do Mourinho, o Real ganhou, na temporada passada, a “Liga dos Récords”, conquistando nada menos que 100 pontos.
Ao ser atacado, o Real se fecha, estacionando um “ônibus” de 10 jogadores na sua área. Ao recuperar a bola, sai num contra-ataque mortal com Özil e Dí María nos lados do campo, Cristiano Ronaldo no comando de ataque e Xabi Alonso e Samir Khedira chegando por trás como elemento surpresa. Ao jogar atacando, a equipe merengue usa bem os lados do campo, as infiltrações, aproveitando da ótima qualidade do seu plantel.
O resultado desse sistema tático é uma equipe compacta na defesa, com marcação forte no meio-de-campo e um contra-ataque mortal. Para vê-lo em prática, é só assistir um jogo do “blancos”.
Barcelona:
O Barcelona que irei analisar é o Barcelona do Pep. Ainda não dá para analisar o Barcelona do Tito e o Barça do Pep ainda não é anacrônico.
Como todos puderam comprovar, o Barcelona da era Guardiola era um time de posse de bola, que fazia bem as jogadas centralizadas. Jogava sem centro-avante, mas com o Messi no ataque. Só isso. Não preciso dizer mais nada.
O Barça não sabia jogar levando pressão, mas também não havia uma única equipe que conseguisse dar pressão no time catalão.
Do mesmo modo que sabiam tocar magistralmente a bola e fazer jogadas de infiltração pelo meio, os “blaugranás” sabiam recuperar a posse de bola. Logo após perder a bola, eles faziam uma “blitz” em cima do time adversário, apressando a saída de bola, sempre com um jogador na sobra.
Assim, nos raros momentos que o Barça jogava se defendendo, a Blitzkrieg catalã era bem eficiente para recuperar o controle do jogo.
Pelo pouco que expus aqui sobre o sistema de marcação dessas duas equipes, podemos facilmente chegar à conclusão que os times brasileiros marcam muito male não sabem se postar defensivamente. Mesmo o Fluminense e o Corinthians, que citei anteriormente como as duas equipes brasileiras que melhor marcam, estão muito longe desses dois conjuntos espanhóis.
Os técnicos do Brasil têm de ser mais humildes e aprender com os treinadores europeus na parte tática.
Nesse quesito, aliás, nós brasileiros, que fomos tão copiados e admirados, hoje não passamos de piada."
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