Abatido, Rivaldo admite: 'Sofro muito no banco por não ajudar o time'
Meia não esconde a insatisfação pela reserva, mas diz que vai 'continuar trabalhando'. Intenção é exercer no Tricolor a função de Ganso no Santos.
Voz fina, poucos sorrisos e muito sofrimento. Este foi o semblante apresentado pelo meia Rivaldo nesta segunda-feira de manhã, no anúncio de seu patrocinador pessoal de chuteiras. Durante o evento, o principal assunto foi a condição de reserva do camisa 10 do São Paulo, hoje aos 39 anos, e que passou toda a carreira sendo protagonista nos clubes em que atuou.
Mesmo em seus últimos momentos de carreira, o pentacampeão confessa que está vivendo novas sensações no futebol, entre elas o sofrimento. No último sábado, na derrota por 2 a 0 para o Santos, no Morumbi, Rivaldo ficou angustiado na reserva, vendo o Peixe abrir o placar. Ele entrou em campo na vaga de Marlos e minutos depois Ganso ampliou. Ele ainda deu bom cruzamento com o pé direito para Fernandão, que cabeceou para fora, no fim do jogo.
- Eu sofri muito no banco, ali a gente sofre demais, porque quando você está fora, não tem como ajudar o time. Naquele momento você quer estar em campo para colaborar com seus companheiros. Mas vida que segue, eu vou continuar trabalhando, porque fui contratado para isso e vou seguir meu trabalho - disse o melhor jogador do mundo em 1999, com o tom de voz baixo.
Rivaldo tem contrato com o São Paulo até o fim deste ano. Depois, quando o vínculo chegar ao fim, o Tricolor vai ter a prioridade para escolher se vai renová-lo por mais uma temporada, ou se vai liberar o jogador que começou o ano como presidente do Mogi Mirim, despontou como titular são-paulino, mas que hoje vive a angústia da reserva.
Quem sou eu para fazer qualquer tipo de pressão para jogar? Nunca precisei disso. Vou trabalhar da mesma forma, mas confesso que é difícil"
Rivaldo
- Eu vou continuar trabalhando. Quem sou eu para fazer qualquer tipo de pressão para jogar? Nunca precisei disso. Vou trabalhar da mesma forma, mas confesso que é difícil, pelo sofrimento e por ser mais complicado entrar 10, 15 ou 20 minutos. As chances estão aparecendo, mas certas vezes você não pode fazer muitas coisas. O (jogador) reserva entra no jogo em um ritmo diferente dos outros. Pode até acontecer de ir bem, fazer uma jogada, um gol, mas a possibilidade é mínima - argumentou Rivaldo.
Nas entrelinhas, Rivaldo deixou a entender que seu estilo de jogo ainda não foi compreendido pela comissão técnica do São Paulo. O camisa 10 fez uma comparação do seu posicionamento com Paulo Henrique Ganso, camisa 10 do Santos, que desequilibrou a partida do último sábado - cruzou para Elano marcar de cabeça e fez o segundo, após passe de Neymar.
- Todos viram que o Ganso decidiu o jogo, ele é um dos melhores do Brasil e é um atleta que não aparece no jogo em determinados momentos. Mas, em dois lances, decide as partidas. Claro que hoje estou com meus 39 anos, mas posso dizer que a minha função no São Paulo é como a do Ganso. Só espero que as chances apareçam, para que eu possa jogar tranquilamente - completou.
Novo contrato
Rivaldo concedeu uma entrevista nesta segunda para anunciar seu patrocinador pessoal de chuteiras nos próximos dois anos. A partir de agora, o camisa 10 vai usar os calçados nas cores rosa, vermelha, laranja, branco e preto nos jogos do São Paulo.
Segundo o camisa 10, a ideia de fechar com uma empresa pouco popular no mercado do futebol ('Stadium') é porque ela tem como alvo o público de baixa renda, com situação financeira parecida com a dele quando era um garoto, na cidade de Paulista, em Pernambuco.
- Pessoas humildes, como eu, vão poder ter uma chuteira de boa qualidade, não precisando gastar muito dinheiro. Essa é uma realidade que eu não tive quando comecei a jogar futebol - lembrou.
Mais Informações.
http://globoesporte.globo.com/futebol/times/sao-paulo/noticia/2011/05/abatido-rivaldo-admite-sofro-muito-no-banco-por-nao-ajudar-o-time.html
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