O superestimado Leão
Amigos tricolores,
Devo admitir que há um bom tempo não me empolgava com nosso tricolor como começou a acontecer esse ano. Claro que o último jogo contra o Linense colocou uma pulga atrás da minha orelha e imagino que na de vocês também. Aquele velho clichê de que confiança se leva anos pra adquirir e pra perdê-la bastam alguns minutos é muito verdadeiro. Com as 11 vitórias seguidas o time deu esperança aos torcedores, mas a derrota – e principalmente a impotência pra reverter a situação – diante do pequeno Linense trouxe de volta a sombra da dúvida em relação ao verdadeiro poder desse time.
Bem, eu acho que tivemos desfalques consideráveis nesse jogo. Cícero vem sendo uns dos jogadores mais constantes do time, muito importante taticamente e quando ele não pôde jogar, no decorrer do campeonato, teve o Casemiro que, na maioria das vezes, também cumpriu muito bem o seu papel. Nessa última vez, não tivemos nenhum dos dois...
Independente de tudo, de saber se o São Paulo será ou não campeão de alguma coisa, a mudança de postura e de jogo de bola mesmo estão claramente mudados em relação ao ano passado, e é claro que dentro disso está o trabalho do treinador. No entanto, eu tenho a impressão de que alguns de nós superestimamos o trabalho do Leão; dão a ele mais mérito do que merece.
A primeira melhora que costumam atribuir a ele é a disciplinar, afinal, foi pra isso que o Leão foi contratado às pressas no final do ano, para dar um choque no time. Não funcionou. Não com aquele elenco de Dagoberto, Marlos, Xandão, Carlinhos Paraíba e cia. Na virada das temporadas a diretoria resolveu fazer uma faxina no elenco, mandou boa parte embora e trouxe novas peças. Não quero discutir aqui a qualidade dos jogadores que chegaram, não é esse o propósito, mas a mudança de comportamento da equipe, a meu ver, foi uma coisa natural, e não uma grande conquista do Leão. Mérito dele seria se ele conseguisse o milagre de fazer o clima ficar bom no grupo com o Dagoberto-laranja-podre lá dentro. Outro que deu muita dor de cabeça pro elenco no ano passado foi o Casemiro, e até onde eu sei, quem acertou os ponteiros com ele pra esse ano não foi o Leão, mas a diretoria.
Vejam bem, não quero dizer que o Leão não tem NENHUM mérito nessa história, mas também atribuir toda a melhora no comportamento do time a ele é um exagero.
No futebol, com a bola rolando, o time também melhorou muito, e é claro que nisso há os méritos do treinador. Mas repito: não todo! O time está em formação, várias peças importantes não estão disponíveis, etc, mas convenhamos, o Leão, mesmo sem contar com os lesionados, tem um grande elenco nas mãos, se não conseguisse fazer esse time jogar, não deveria ser técnico de futebol, não!? E pra mim, é justamente nesse ponto (e é o mais importante de todos: como o time joga futebol) que o Leão mais peca.
O Leão, como goleiro, jogador de defesa, até agora não conseguiu melhorar a nossa. Tivemos aí uma sequência (pequena) de jogos com a defesa funcionando bem mas eu atribuo isso muito mais à eficiência do ataque (e aí o medo que ele impunha nos adversários, que, consequentemente arriscavam menos contra nossa defesa) e ao meio-campo que com o Denilson voltando a se adaptar ao futebol brasileiro melhorou muito.
Depois do último jogo ficou claro pra mim a maior dúvida que tenho em relação ao Leão: por que ele insiste no Fernandinho? Concordo que o Fernandinho quando entra no segundo tempo ajuda o time, mas é justamente essa surpresa que funciona a favor do tricolor, e quando ele já entra jogando, perdemos isso!
Quando o jogo não está fácil no primeiro tempo, o Leão volta pra segunda etapa com um atacante a mais, o Fernandinho. Ok. Ele está trazendo mais dor de cabeça pra defesa adversária, é um elemento surpresa no contexto do jogo. Mas se ele já começa com o Fernandinho em campo, ele não tem mais elemento surpresa nenhum, pois já está com 3 atacantes em campo! Foi o que aconteceu no último jogo, que além dos gols bobos (sobretudo o primeiro) sofridos, o SP não conseguiu criar porque não tinha como surpreender o adversário. O jogo começou com o meio-campo do SP deserto (com um volante e dois meias que não têm funcionado muito bem) e com três atacantes (nesse caso, Osvaldo no lugar do Fernandinho) onde a bola custava a chegar acompanhada por alguém disposto a tabelar e ir pra cima.
O tricolor conta hoje com o melhor lateral esquerdo do país. Cortez, aqui no site, poderia estar no Bola Cheia permanente, mas quando jogamos com alguém na ponta-esquerda, seu futebol fica comprometido, pois o PE ocupa o espaço que seria do Cortez. Quando esse PE é o Fernandinho, perdemos demais, pois ele não cruza, não toca e finaliza mal. O Cortez, além de visão de jogo, tem habilidade e velocidade pra chegar à linha de fundo (sem fazer as faltas que o Fernandinho tanto faz) e cruza muito bem a bola, tanto por cima quanto por baixo.
Por isso digo que o trabalho do Leão é superestimado. Os melhores jogos que o SP fez foi com o time postado com 4 meio-campistas e dois atacantes, deixando o Cortez chegar à frente. A minha pergunta é: Leão, por que não fazer o simples?
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