Houve pouco futebol e muita tensão no Majestoso que garantiu ao Corinthians a vaga na decisão do paulistinha.
Os sistemas defensivos deram um baile nos ofensivos e os goleiros trabalharam pouco ao longo dos 90 minutos.
Pior que o confronto foi a arbitragem de Antônio Rogério Batista do Prado.
Desprezou os critérios adotados no paulistinha, permitiu algumas entradas violentas, não expulsou Romarinho que pisou de propósito em Wellington e, por estar perdido e louco para ver o Majestoso acabar, não acrescentou nenhum minuto na etapa complementar.
Ele acertou ao mandar voltar o pênalti cobrado por Pato e defendido pelo Rogério Ceni.
Sou bem permissivo com os avanços dos goleiros, pois na quase absoluta maioria das vezes os apitador os desprezam, contudo o mito abusou.
Voto em Cássio como o melhor em campo. Na verdade, alguns atletas forma bem, outros nem tanto, e ninguém se destacou com a bola rolando.
Escolho o corintiano simplesmente porque pegou a cobrança de pênalti de Luis Fabiano, a última da série de cinco e que se fosse convertida transferiria toda a pressão para Alexandre Pato.
Escalações
São Paulo – Rogério Ceni; Paulo Miranda, Rafael Tolói, Edson Silva e Carleto; Denilson e Wellington; Jadson, Ganso e Osvaldo; Luis Fabiano
Corinthians – Cássio; Alessandro, Gil, Paulo André e Fábio Santos; Ralf e Paulinho; Romarinho, Danilo e Émerson Sheik; Guerrero
Concordo e discordo
A única surpresa nas escalações foi Edson Silva.
Ney Franco não terá tempo de treinar o time que vai enfrentar o Galo na quarta-feira e decidiu escalar o zagueiro que substituirá o titular.
No lugar do treinador, eu colocaria em campo apenas os reservas. Evitaria o risco de perder atletas na partida da Libertadores, a terceira do time em seis dias.
Mas se optou pelos titulares, precisava usar os atletas que irão jogar no Independência.
Tite não tinha as mesmas necessidades do técnico adversário.
O Corinthians só vai encarar o Boca Juniors em 10 dias.
Sem novidades
Taticamente, os times se posicionaram no 4-2-3-1 como acontece na maioria das vezes.
As movimentações também foram as mesmas.
Carleto apoiou bastante, Denilson e Wellington se revezaram nos avanços, Jadson, na direita, ganso, centralizado e Osvaldo, na esquerdam formaram o trio responsável pela criação e Luís Fabiano, o centroavante, realizou o trabalho de pivô.
Os laterais do Corinthians apoiaram de forma mais tímida, Paulinho apareceu diversas vezes na meia, Sheik e Danilo se revezaram no centro e na direita esquerda da linha de três, Romarinho ficou quase todo o tempo na direita e Guerrero foi o centroavante na área.

‘Pegada de Libertadores’
O primeiro tempo foi tenso. Os jogadores de ambos os times entraram duro.
E não só isso.
Catimbaram bastante e houve um lance desleal.
Não parecia um confronto do paulistinha.
Teve andamento de jogo de Copa Libertadores da América.
Árbitro despreza os critérios do paulistinha
O soprador tinha obrigação de respeitar os critérios adotados por ele e todos os árbitros ao longo do torneio.
Não fez isso, aos 8 minutos, no lance envolvendo Wellington e Romarinho.
O são-paulino, pela forma como disputou a jogada, mereceria o cartão amarelo.
E o corintiano, porque perdeu a cabeça e pisou no volante adversário, deveria ser expulso logo no começo do confronto e levou apenas o amarelo.
Se o apitador não tivesse visto a falta, mereceria a crítica por isso. Mas como enxergou, ‘amarelou’ na hora de cumprir a regra de acordo com a interpretação dos árbitros do torneio.
Vale lembrar que pisão proposital é agressão e costuma termina em cartão vermelho em todos os campeonatos do mundo.
Houve carrinho por trás, de Emerson, que não pegou nem a bola e nem o Ganso, que também terminou ser punição alguma.
Os jogadores perceberam a fragilidade do árbitro e travaram brigas particulares em campo.

São Paulo um pouco melhor
O Majestoso foi muito mais emocionante pelas dividas e briga pela bola do que pelo bom trato dela.
O Corinthians esperou atrás. A opção foi inteligente. Ao invés de adiantar o sistema defensivo e ir para a briga de igual para igual com o habilidoso meio de campo do rival, apostou no bom desempenho defensivo e nos contragolpes.
Emerson Sheik podia aproveitar o espaço que Paulo Miranda deixa quando apoia e Romarinho fazer o mesmo nas lacunas geradas pelas constantes descidas de Carleto.
Mas os velozes atletas corintianos não cumpriram bem seus deveres ofensivos. Foram úteis apenas na marcação.
O São Paulo, que tomou a iniciativa de atacar, teve uma importante baixa logo aos 10 minutos, Osvaldo se machucou na disputa de bola com Gil. Não houve maldade ou qualquer irregularidade na jogada. O atacante levou azar.
Douglas entrou, ocupou o lado direito, Jadson foi para a esquerda, e o ataque perdeu bastante sem o jogador mais veloz e competente nos dribles.
Mesmo assim, Ganso e Jadson trabalharem bem com a bola e Luis Fabiano, pressionado pelas críticas graças ao erros comportamentais dentro de campo e ausência em momentos importantes, lutou bastante.
Houve poucos lances de gol antes do intervalo. Eles não foram muito perigosos e favoreceram o São Paulo.
Erros do auxiliar
O auxiliar no ataque são-paulino trabalhou bastante e cometeu um erro perdoável em jogada capital.
Deu impedimento de Luís Fabiano quado ele dominou a bola na área, livre, e ficaria cara a cara com o goleiro. A jogada foi bem difícil.
Precisei ver a repetição em câmera lenta para saber que a posição do centroavante era legal. Até então, concordava com o bandeirinha.
O auxiliar também falhou ao não ver o impedimento de Paulo Miranda uma vez e acertou quando invalidou o gol do centroavante.
Mais adiantado
O Corinthians adiantou o sistema defensivo, equilibrou a disputa na região central do campo e o segundo tempo foi ainda mais pobre ofensivamente.
O único momento de perigo foi o chute de Emerson, dentro da área, aos 12 minutos, após receber o passe de Guerrero.
O São Paulo sentiu mais ainda a ausência de Osvaldo. Ninguém tentou o drible para abrir espaço no forte sistema defensivo do campeão da Libertadores. A única opção para Ney Franco resolver isso era Walysson, porém o treinador, aparentemente sem confiança no comandado, não o utilizou.
Tite foi quem mexeu mais em busca da vitória.
Aos 18, trocou Guerrero por Pato.
Aos 36, Douglas entrou e Emerson Sheik saiu.
As mudanças não surtiram resultado algum.
O sistema defensivo do São Paulo foi bem e impediu o Alvinegro de assustar Rogério Ceni.
Perdido
Que o árbitro estava perdido, eu não tenho dúvidas.
Edson Silva merecia ser punido com o cartão amarelo quando deu o carrinho em Romarinho, na etapa complementar, e o não recebeu.
Chamou a atenção o fato de encerrar o jogo aos 45.
Houve discussões, duas substituições e ele não acrescentou sequer um minuto.
Queria que o clássico terminasse o quanto antes.
Acertou
Sou contra os árbitros mandarem voltar penalidades porque os goleiros se adiantam.
Raramente os sopradores fazem isso e, tal qual escrevi sei lá quantas vezes, mais importante do que a regra no papel é a realidade do futebol.
Mas há um limite subjetivo para os goleiros. Rafael ficou dentro dele contra o Mogi Mirim. Rogério Ceni também na cobrança de Alessandro. Cássio idem ao defender o arremate de Luís Fabiano.
O mito são-paulino ultrapassou o limite no pênalti de Pato e o árbitro acertou ao determinar a repetição do chute que definiu a classificação corintiana à decisão do paulistinha.
