São Paulo e Corinthians decidem vaga na final do Paulistão
“Deixar a adrenalina correr nas veias”.
A frase é recorrente nas coletivas de Tite. O treinador, que se define como intenso por natureza, não esconde de ninguém ser ‘pilhado’ em seu ambiente trabalho.
É talvez um dos poucos hoje no Parque São Jorge que se permite deixar transparecer as emoções. Uma exceção num Corinthians que se notabiliza por atravessar uma fase ‘mais zen’, racional, quase calculista dentro e fora de campo.
Diferentemente do rival São Paulo, contra quem decide neste domingo, às 16h (de Brasília), no Morumbi, uma vaga na final do Campeonato Paulista diante do Santos.
Se o time alvinegro já vem há algum tempo numa maré tranquila e não vê nem mesmo o rodízio promovido com a chegada de novos reforços abalar a sua paz, a equipe tricolor parece viver numa eterna crise, com decisões todas as semanas e o seu futuro a todo o momento em xeque.
Nem sempre foi assim.
Corinthians e São Paulo inverteram os papéis.
Em parte, um pouco pelos resultados em campo. Mesmo tendo sobrado na primeira fase do estadual, o elenco são-paulino se complicou na Libertadores e enfrentou num espaço de semanas duas ‘finais’ no torneio continental – contra The Strongest e Atlético-MG. Perdeu a primeira e teve de contar com uma combinação para sobreviver após fazer a sua parte na segunda.
Faltou tranquilidade. Sobrou nervosismo.
Algo agravado pelo comportamento dos atletas, que exigiu a interferência do técnico Ney Franco em pelo menos duas oportunidades: a insatisfação de Paulo Henrique Ganso com o banco de reservas e as declarações de Lúcio em entrevistas.
Não foram os únicos num semestre que contou também com problemas entre o artilheiro Luís Fabiano e a torcida, discussão envolvendo o volante Denílson em rede social e a demissão até mesmo de um funcionário de seu departamento médico por indisciplina.
No mesmo período, o Corinthians enfrentou as dificuldades que vieram com a morte de um torcedor boliviano em jogo contra o San José-BOL, pela Libertadores, e ainda a ordem de prisão do atacante Emerson Sheik pelo Ministério Público.
O clube evitou, no entanto, que os assuntos afetassem o seu rendimento. Até mesmo no menor sinal de ‘rebeldia’ por parte de um atleta, não pensou duas vezes antes de liberá-lo, caso de ‘Burrito’ Martínez.
A postura da diretoria teve papel importante nesse sentido. Não existe hoje ninguém na alta cúpula alvinegra afeito a declarações polêmicas, sobretudo após o afastamento de Luiz Paulo Rosemberg, ex-superintendente de marketing. O vice de futebol Roberto de Andrade seria um candidato, mas evita as entrevistas.
No São Paulo, por outro lado, mesmo com o deslocamento de Carlos Augusto de Barros e Silva, o Leco, do comando do futebol, sobram cartolas com perfil mais folclórico.
A começar pelo presidente Juvenal Juvêncio, passando pelo vice João Paulo de Jesus Lopes – que se envolveu em entrevero com Ney Franco neste semestre – e chegando ao diretor Adalberto Batista, criticado por se ausentar do time em momento decisivo para se dedicar a um de seus hobbies, o automobilismo.
São Paulo e Corinthians mudaram. Mudaram os personagens. Não mudou o apelo do clássico, com tudo mais uma vez para ser quente – pelo menos em um dos lados.
Corinthians inverte papel com São Paulo em clássico e assume fase 'zen'
Fonte ESPN
5 de Maio de 2013
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