O confronto do Corinthians nas quartas-de-final do paulistinha era mais difícil que o do São Paulo.
O Alvinegro enfrentou a Ponte Preta, melhor equipe do interior, em Campinas, enquanto o Tricolor recebeu o Penapolense no Morumbi.
Na prática, o futebol contrariou o teoria.
Os comandados de Tite sobraram diante da Macaca enquanto os de Ney Franco sofreram contra o Penapolense.
Eles irão se enfrentar na semifinal com mando tricolor.
Quem imagina que os desempenhos de hoje servem como referência para qualquer pessoas definir como será o clássico do próximo domingo, tem grandes chances de cometer um erro.
Prefiro levar em conta os últimos Majestosos, que foram interessantes e imprevisíveis, na hora de imaginar o que verei.
Obviamente, nem São Paulo nem Corinthians são favoritos à classificação para a decisão do paulistinha.
Classificação sofrida do São Paulo contra o Penapolense

São Paulo 1×0 Penapolense
O São Paulo com uniforme todo vermelho, mesma cor de todas as cadeiras do Morumbi, sofreu mais que o necessário para derrotar o guerreiro time do Penapolense.
A equipe do interior atuou como fazia Pintado, chamado por Raí de a alma do time campeão do mundo em 1992, nos tempos de atleta.
Jogou no limite de suas possibilidades técnicas e físicas.
O Tricolor, no começo, deu a impressão que venceria de maneira tranquila. Ficou muito tempo com a bola no ataque. Parecia que a qualquer instante iria encontrar o espaço no sistema defensivo do adversário e fazer o gol.
Mas o primeiro tempo foi passando, Ganso e Jadson poucas vezes conseguiam criar algo interessante, o meio estava congestionado, e os lances individuais de Osvaldo acabaram sendo a única opção para o grande favorito à classificação entrar na área do adversário.
Carleto, com muita liberdade de apoiar, acabou sendo o segundo atleta mais participativo do sistema ofensivo graças aos chutes de fora da área e cruzamentos.
Depois do intervalo, o Penapolense, além de dificultar o trabalho de criação são-paulino, começou a levar perigo nos contragolpes.
Logo nos dez minutos inciais teve 3 boas chances de fazer o gol.
Havia bastante espaço pelos lados. O time do Morumbi se propôs a marcar bem na frente e falhou, demorou, na hora de recompor o sistema defensivo mais atrás.
O São Paulo não entendeu direito que o adversário percebera as lacunas e simplesmente continuou na busca pelo gol sem tomar precauções.
O jogo ficou aberto.
A entrada de Douglas, aos 7 minutos, na vaga de Wellington, que havia sido punido com o cartão amarelo, deveria servir para melhorar a situação.
O reserva deveria ajudar Paulo Miranda, pois o Penapolense, naquela região, criava suas chances. Na prática, não funcionou. Douglas não achou a posição correta.
Para completar, Luís Fabiano, aparentemente sem ritmo de jogo ideal, se apresentou bem abaixo das possibilidades dele.
O gol da vitória nasceu da maneira mais óbvia.
Osvaldo driblou o lateral Niander e cruzou com força. O guerreiro zagueiro Jailton, que estava bem na partida e distribuiu algumas pancadas, em especial no Fabuloso, cabeceou contra o próprio gol.
Os poucos mais de vinte minutos até o fim do confronto foram emocionantes.
O São Paulo perdeu chances de ampliar no contragolpe, e o Penapolense de empatar. Rogério Ceni, bastante exigido, fez uma senhora defesa aos 43 minutos. Sergio Mota não pode perder um gol desses.
O time de Ney Franco precisa atuar em nível bem superior para ser campeão. Não pode sofrer tanto com o sistema ofensivo de equipes do nível da comandada por Pintado.
Classificação tranquila do Corinthians contra a Ponte Preta
Ponte Preta 0×4 Corinthians
Seguro, tranquilo e cirúrgico e mortal.
Eis as palavras que para mim definem a atuação do Corinthians contra a Ponte Preta.
De novo o sistema defensivo foi o alicerce da equipe.
A Ponte Preta foi superior até sofrer o gol aos 32 minutos.
Marcou bem a saída de bola, não deixou o trio criativo do adversário, formado por Romarinho, Sheik e Danilo, jogar e obrigou Guerrero, isolado no ataque e sem participar do confronto, a sair da área para tentar ajudar.
Só que a posse de bola ofensiva ponte-pretana não gerou chances claras de gol, pois o time dirigido por Tite marcou bem, não errou.
Mostrou grande segurança no momento desfavorável.
Danilo Fernandes fez uma intervenção apenas neste período com a Ponte melhor em campo.
Bastou uma falha da Macaca para tudo mudar.
Edson Bastos rebateu o chute de Guerrero, de longe, exatamente onde não havia nenhum defensor e no local ideal para Romarinho balançar a rede. Tinha condições de espalmar para a lateral, linha de fundo ou noutros espaços do campo sem corintianos.
O goleiro falha novamente seis minutos depois. O erro foi menor que o anterior, mas o chute do Sheik era defensável.
A Ponte tinha o melhor desempenho defensivo do campeonato. Dependia muito do bom trabalho de marcação para se impor. A má apresentação do goleiro atrapalhou bastante.
Tenho quase certeza que a Macaca não tinha força para empatar. Era incapaz de entrar na área corintiana com a bola. Além disso, a equipe dirigida pelo Tite raramente cai de produção em circunstâncias, tem jogadores tecnicamente melhores que os do adversário e muito mais opções no banco de reservas.
O equívoco do árbitro Raphael Claus e o acerto de Guerrero, aos 9 minutos, me deram certeza absoluta que a classificação era corintiana.
O soprador viu o pênalti inexistente de Cléber em Sheik e o peruano acertou a cobrança.
A correta expulsão de Baraka, aos 13, facilitou ainda mais a vida do adversário.
Daquele momento e diante, o Corinthians mostrou toda sua experiência. Trocou passes para fazer o tempo passar, evitar desgaste físico e lesões, pois tem compromisso pela Libertadores na quarta-feira, atraiu a Ponte Preta e explorou o espaço deixado pela Ponte Preta.
Pato, que entrara aos 27, marcou belo gol no final da partida e definiu o placar da tranquila e merecida classificação.