Após 'pendurar as chuteiras', Marcelo, ex-corinthians, dá a volta por cima com Penapolense

Goleiro admite carreira conturbada, assume culpa por mau comportamento e insucesso em clubes grandes e sonha com novato brilhando no Paulistão

Fonte Lancenet
26 de Abril de 2013
Dinheiro, fama, mulheres, bebidas, noite… São algumas das razões pelas quais muitos jogadores já se perderam no futebol. O goleiro Marcelo, ex-Corinthians e Atlético-MG e que hoje atua pelo Penapolense, teve de passar por quase todas elas para encerrar a carreira de forma precoce em 2011 e agora dar valor ao duelo contra o São Paulo, neste domingo, válido pelas oitavas-de-final do Campeonato Paulista, oportunidade de ouro para sacramentar de vez a volta por cima.
Revelado no clube do Parque São Jorge, Marcelo teve a sua primeira oportunidade entre os profissionais quando ainda tinha 21 anos. Promissor, o jogador chegou a agradar no início, colocando, inclusive, o ex-titular Fábio Costa no banco por diversas vezes. Após altos e baixos, saiu do clube no fim de 2007, data do rebaixamento à Série B. Mas foi no Atlético-MG, em 2010, que Marcelo viveu seu pior momento. Após ser afastado, o jogador resolveu encerrar a carreira. Por esse motivo, a boa campanha do Penapolense é tudo que ele precisava para reconstruir a carreira.
- É o meu recomeço. Vim do zero. Não foi que eu pensei em parar, eu parei mesmo. Tive várias propostas quando saí do Atlético, mas recusei, parei, pendurei as chuteiras… Com o tempo, o pessoal foi esquecendo de mim. A memória do brasileiro é curta, né? Depois foi batendo a saudade, via gente que jogou comigo bem… Achei que não era o que eu queria. Achei que dava para gastar mais um pouquinho - diz ele ao LANCE!Net, que completa:
- Era tudo minha culpa. Eu só fazia mal a mim mesmo. Hoje caiu a ficha. Sorte que não demorou muito. Ainda sou novo, tenho alguns anos de carreira.
Confira a entrevista completa com Marcelo:
LANCE!Net: Como você vê este momento do Penapolense?
Marcelo: O momento é único, vai entrar para a história. Nenhum clube subiu para a Série A1 e, no mesmo ano, se classficou. A cidade esta em êxtase. Aqui todo mundo torce para o CAP (Clube Atlético Penapolense). Geralmente torcem para o São Paulo, Corinthians, Palmeiras, mas aqui não. E isso nos ajuda muito. Dentro de casa só perdemos para o São Paulo. Agora vamos tentar descontar essa derrota.
LNet!: É o típico caso da cidade abraçando o time?
M: Sim, abraça até demais. O pessoal é muito acolhedor. Você anda na rua e ouve elogios, apoio, incentivo, isso é muito bacana. Nós sabemos da dificuldade que é pra ir pra São Paulo jogar, e eles vão para assistir. Esse comprometimento do torcedor com a gente ajuda demais.
LNet: Pode-se dizer que o Penapolense é a sua reconstrução da carreira?
M: Estou recomeçando. Desde o inicio eu falei que seria assim. A minha carreira foi muito turbulenta. Saí de grandes clubes, e graças a Deus não foi por falta de qualidade, foi sim por comportamento. Hoje estou mais maduro, tenho outra postura, outro comportamento. O pessoal aqui pode falar melhor do que eu o quanto evolui.
LNet!: A culpa foi sempre sua?
M: Exatamente. Culpa minha. Não tenho o que falar dos outros. Um grande amigo meu falava que eu só fazia mal a mim mesmo. Tenho um coração bom, não faço mal a ninguém, mas faço mal a mim mesmo. Hoje caiu a ficha. Sorte que não demorou muito, ainda sou novo, tenho alguns anos de carreira.
LNet!: Guarda mágoa de algum clube que passou?
M: Não, como eu falei foi mais eu mesmo que me prejudiquei. Não guardo mágoa nenhuma de Atlético, Corinthians, Bahia… Eu que tinha a cabeça complicada. Hoje estou feliz aqui. Pretendo ir a um clube de expressão, mas estou feliz.
LNet!: A classificação no Campeonato Paulista marca a volta por cima?
M: No início da competição chegou aos nossos ouvidos que seriamos o primeiro time a cair. O motivo é que tinham jogadores que não deram certo, como eu, que diziam que estava parado há dois anos, o Fernando, falavam que era louco, Sérgio Mota, a eterna promessa, enfim… Vários jogadores que todos acharam que não daria certo. Nos juntamos, abraçamos a causa. Nunca trabalhei num grupo como este, a união, a amizade, o comprometimento. Eu, sinceramente, não acreditava em união, hoje eu passei a acreditar.
LNet!: Pensou em encerrar a carreira?
M: Eu parei. Eu não pensei em parar, eu parei mesmo. Tive várias propostas quando saí do Atlético, mas recusei, pendurei as chuteiras… Com o tempo, o pessoal foi esquecendo de mim. A memória do brasileiro é curta. Depois foi batendo a saudade, achei que não era o que eu queria. Achei que dava mais um pouquinho.
LNet!: Você teve confrontos difíceis contra o São Paulo na época de Corinthians. Passar por eles teria um gostinho especial?
M: Sem dúvidas… Não pela história que tive com o Corinthians. Pela história do Penapolense mesmo. Um time pequeno, novato na elite, vencendo um São Paulo, com a grandeza que tem, dentro do Morumbi, seria maravilhoso.
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