“Esperava mais dele. Sempre disse que gosto do futebol dele, mas não estava correspondendo. Falei forte, mas... Chegou um momento em que era melhor emprestá-lo, podia dar problemas.”
Cinco dias após o surpreendente empréstimo de Casemiro ao Real Madrid, o presidente do São Paulo, Juvenal Juvêncio, explicava porque o camisa 28 havia saído para Espanha. O mandatário disse que temia que o volante poderia começar a causar problemas por ser um atleta com passagens na seleção, mas sem espaço no time titular de Ney Franco.
Quase três meses após a transferência – uma das que mais chamou atenção no Brasil -, Casemiro teve sua primeira oportunidade no Real Madrid. Sem Khedira, Xabi Alonso e Essien, o técnico José Mourinho não teve dúvidas e chamou o brasileiro para compor o elenco principal. O ex-são paulino, então, treinou por dois dias seguidos entre os titulares e foi escalado entre os onze iniciais na vitória sobre o Betis.
Uma revolução na carreira do atleta, que foi contratado para atuar pelo Real Madrid Castilla, o time B merengue, em um momento que sua carreira no São Paulo estava em baixa. Parte da elogiada geração do time paulista que venceu a Copa do São Paulo em 2010, Casemiro, ao lado de Lucas e Wellington, era visto como a principal promessa da equipe.

Mas, ao contrário do amigo Lucas, as atuações inconstantes foram minando sua participação na equipe tricolor. Nem mesmo a chegada de Ney Franco – que o conhecia da época da seleção sub-20 – melhorou a situação do jogador. Casemiro chegou ao final de 2012 como reserva da dupla formada por Wellington e Denilson e com menos perspectivas de recuperar a posição em 2013.
Depois de jogar três vezes neste início de ano pelo São Paulo (saiu do banco duas vezes na pré-Libertadores, contra o Bolívar, e foi titular contra o Atlético Sorocaba), o atleta chegou na Espanha no início de fevereiro, sob um contrato de empréstimo até o dia 30 de junho, com a possibilidade do time espanhol adquirir seus direitos federativos após o fim do acordo. No dia 16 de fevereiro, jogou na derrota por 3 a 1 para o Sabadell.
Foi o primeiro jogo de uma sequência de nove como titular do time B. Foram 683 minutos em campo de 810 possíveis, com nenhum gol e quatro amarelos. Até ser chamado nesta semana para integrar o plantel principal com vistas ao jogo contra o Betis.
Na partida, válida pela 32ª rodada do Espanhol, o brasileiro atuou como principal homem responsável por proteger o sistema defensivo do time de Mourinho – função que executou menos no São Paulo, onde atuou mais como segundo volante. Mesmo assim, não se limitou a dar passes laterais: arriscou passes voltados para o ataque e iniciou a jogada do primeiro gol, marcado por Ozil.
Atuou os noventa minutos e saiu elogiado por Aitor Karanka, auxiliar técnico de Mourinho. “Conhecíamos Casemiro pelo que jogou no Brasil e também pela seleção sub-20. Tínhamos muitas baixas e jogou bem. Precisávamos dele e ele correspondeu”, afirmou.
E o próprio camisa 38 ficou feliz com sua atuação. "É mais um sonho realizado. Vou continuar trabalhando forte no dia-a-dia para ter mais oportunidades. Tudo isso que vem acontecendo tem sido importante para a minha carreira. Nesse meu início no clube, tenho contado com a ajuda do Marcelo e do Kaká", afirmou Casemiro.
Uma pequena revolução para um jogador considerado muito bom pelo presidente Juvenal Juvêncio e chamado até de novo Daniele De Rossi pela imprensa italiana. De atleta considerado problemático no São Paulo, Casemiro, pelo menos neste sábado, mostrou que sua carreira pode crescer.