Clube da fé, São Paulo espera vaga nem que seja na moeda

Fonte Gazeta Esportiva
17 de Abril de 2013
Apelidado de "clube da fé" em 1937 por Thomaz Mazzoni, jornalista de A Gazeta Esportiva, o São Paulo põe em jogo nesta quarta-feira sua sorte na Copa Libertadores. Não basta derrotar o líder Atlético-MG, no Morumbi. O jogo entre o segundo colocado The Strongest e o lanterna Arsenal, do qual ele obviamente não possui controle algum, também tem influência direta no arranjo do grupo 3. Ambos serão às 22 horas (de Brasília).
"Espero que a gente consiga reverter essa situação complicada, nem que seja se classificando por moeda", disse o treinador.
Em 1943, a moeda do clube "caiu de pé". Trata-se de uma piada em reposta a um ditado da época. Por conta da hegemonia estadual de Corinthians e Palmeiras naquele período histórico, dizia-se que, jogando uma moeda, era possível acertar o campeão paulista qualquer lado que desse. Ao fim da competição, no entanto, o vencedor foi o São Paulo, o que motivou a ironia dos dirigentes.
Setenta anos depois, provocado por rivais em virtude da grande chance de ser eliminado, o São Paulo pode ter sua sorte realmente lançada ao acaso, porém de outra forma. Se vencer por 2 a 1, e a outra partida terminar 1 a 1, ele se equipararia ao The Strongest tanto em pontos ganhos (sete) quanto em saldo de gols, gols marcados no total e gols marcados como visitante. O critério seguinte para desempate, conforme regulamento, é sorteio.
A expressão "clube da fé" é de autoria de Thomaz Mazzoni. Para enaltecer o renascimento são-paulino, que deixou de existir por um breve período em 1935 pela fusão com o Tietê, o jornalista escreveu, dois anos depois, nas páginas de A Gazeta: "O novo São Paulo F.C. (...) trouxe consigo a maior das riquezas: a fé no seu destino, o amor ao seu nome! Esta fé, este amor, tem levado o pugilo de esportistas que o compõem, o dirigem e o defendem a realizar grandes sacríficios, milagres, apesar de todas as dificuldades, apesar de tanto pessimismo alheio quanto ao seu futuro".
Foi assim que, em 1999, o Corinthians avançou às quartas de final da Mercosul. Empatado com o Boca Juniors em todos os critérios, o time brasileiro ficou com a vaga após sorteio na sede da Conmebol, no Paraguai. Diante de representantes dos dois clubes, bolas de 1 a 10 foram colocadas em um globo, e o presidente Alberto Dualib optou pelas pares. A sorteada foi a de número 4.
Para chegar a esse ponto – ou se classificar até sem sorteio –, o São Paulo antes precisa fazer sua parte nesta quarta-feira, o que leva Ney Franco a diminuir o papel da sorte se o objetivo final for alcançado. “Não sei definir realmente o que é sorte. Em alguns momentos, ela é junção da competência, da eficiência. Tem que ter a parte do trabalho”, comentou.
Se não quiser ficar tão refém de milagres, será preciso superar o Atlético por uma boa vantagem de gols. Isso facilitaria uma combinação favorável, desde que o The Strongest não vença – o Arsenal tem a mesma pontuação do São Paulo, mas quatro gols a menos de saldo neste momento (-2 contra -6). Até a noite de terça-feira, 41 mil ingressos haviam sido vendidos antecipadamente para o confronto no Morumbi. A torcida tem fé.
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