Federação estuda mudanças para formato do Paulista já em 2014

Fonte Folha de S. Paulo
31 de Março de 2013
Marco Polo Del Nero disse que mudanças estão sendo estudadas
São Paulo e Corinthians se enfrentam neste domingo no Morumbi, às 16h, para tentar pôr fim à sequência de clássicos modorrentos que têm feito bocejar os torcedores nesta primeira fase do Paulista.
Nos últimos três encontros entre os grandes times de São Paulo, nenhum gol e pouca gente nas arquibancadas geraram uma avalanche de críticas ao formato do torneio.
Então a federação paulista, enfim, admitiu: vai alterar o regulamento da competição em 2014 por causa do calendário apertado pela Copa do Mundo. A entidade deve adotar um novo formato para as temporadas seguintes, disse à Folha Marco Polo Del Nero, chefe do futebol paulista e vice-presidente da CBF.
"Mudanças estão sendo estudadas e alguma coisa será feita", disse o cartola. "Já para 2014, por causa da Copa, com certeza. Mas nós precisamos de propostas. Quem tiver propostas que nos diga. Não temos a cabeça fechada."
A principal crítica ao atual formato, adotado em 2007 e modificado em 2011 (oito, e não mais quatro clubes passaram às finais), é a longa caminhada da primeira fase.
São 19 rodadas iniciais para um jogo isolado nas quartas e nas semifinais. A única vantagem para quem fizer a melhor campanha na fase inicial é jogar em seu estádio.
No ano passado, o Corinthians foi líder da primeira fase e acabou eliminado pela Ponte Preta, em uma tarde infeliz do goleiro Júlio César.
Del Nero adiantou que não cogita diminuir a quantidade de clubes, como alguns sugerem. "Nós temos que pensar nos interesses dos clube filiados. Não dá para diminuir a grandeza do Estado de São Paulo. Não podemos prejudicar alguns [clubes] para beneficiar outros", afirmou.
Del Nero preside a FPF desde 2003. Em 2010, foi aclamado para mais quatro anos de mandato. São os presidentes dos clubes filiados que têm direito a voto na eleição.
A Folha apurou que o sistema de pontos corridos, utilizado em 2005 e 2006, também está praticamente descartado pelos cartolas. E que uma das principais preocupações é que todos os seis grandes clássicos do Estado ocorram a cada edição.
"A competitividade inexiste. Na atual fórmula classificam-se muitos e não desperta o interesse do público", diz João Paulo de Jesus Lopes, vice-presidente do São Paulo, que elenca as cotas de TV e o aspecto histórico como pontos positivos do torneio, famoso pela constante alternância de seu regulamento e por fórmulas esdrúxulas.
A federação desenhou a tabela deste ano de tal maneira que São Paulo e Corinthians, que têm polarizado as disputas na capital, fariam o último clássico da primeira fase. E irritou profundamente ambos, que têm partidas decisivas da Libertadores fora de casa nesta semana.
"É preciso ter datas suficientes para remanejar os jogos", disse o corintiano Tite, crítico do atual Estadual. "Não acho o formato ideal."
Não é a primeira vez nesta edição que Corinthians e São Paulo têm clássicos às vésperas da Libertadores --ambos não a disputam desde os dias 13 e 14, respectivamente.
"Clássico é um campeonato à parte, mas este é um momento inoportuno aos dois clubes", afirmou Tite.
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