Parece não entender as necessidades do time dentro de campo.
Toda equipe de futebol necessita de atletas com características que se completam.
Não adianta, por exemplo, ter 10 “Maradonas”, o mais genial que vi em campo (não acompanhei a geração de ouro do Brasil, com Pelé, Garrincha, Nilton Santos…) no apice da forma.
Dificilmente roubará a bola e sofrerá gols de cabeça aos montes.
Os torcedores são-paulinos estão empolgados com a contratação de Ganso. Mesmo se ele recuperar o futebol de alto nível, a equipe precisará de certos tipos de jogadores para ser forte, consistente e regular.

Reproduzo neste post a minha coluna do último sábado no Lance!
Nela estão algumas explicações sobre como Ney Franco pode escalar o time com o ex-santista, as consequências coletivas em cada opção, e o que a direção precisa fazer para não errar de novo.
Ganso pode ajudar, não resolver
A chegada de Ganso ao Morumbi muda o olhar de grande parte da opinião pública para o São Paulo.
Na quinta-feira, quando o negócio foi fechado, vi tradicionais críticos da direção do clube elogiarem Juvenal Juvêncio.
Eles e os cartolas deveriam manter os pés no chão.
O elenco são-paulino, com ou sem o Ganso, tem condições de brigar por vaga no G4, mas ainda carece de ao menos um reforço para disputar os principais títulos.
Ney Franco precisará fazer adaptações quando o ex-santista estiver disponível.
O sistema ofensivo ideal contaria com Lucas e Jadson pelos lados, e Ganso centralizado na linha de três do 4-2-3-1.
O camisa 10 recua um pouco para ajudar na saída de bola e o novo reforço fica mais perto de Luís Fabiano.
Essa formação tende a tornar o time ainda mais vulnerável atrás porque Douglas e Cortez são fracos na marcação.
Jadson não possui velocidade para acompanhar os avanços dos laterais adversários e puxar os conta-ataques.

Se sobrar espaço pelos lados e os rivais souberem utilizá-lo, fato comum, a equipe são-paulina repetirá os fracassos.
A direção tem que contratar o substituto de Lucas da próxima temporada, pois não dá para apostar apenas de Osvaldo e Negueba como atacantes rápidos, e o lateral bom nos desarmes.
Pode até ser ruim com a gorduchinha. Se for competente na hora de roubá-la, contribuirá bastante. É fundamental.
Hoje, como não há tal atleta no elenco, o treinador necessita improvisar Paulo Miranda, talvez Rodrigo Caio, ou cometer o funcional pecado de usar Wellington fora de posição.
O ótimo volante dará conta do recado, porém seu lugar é no meio, provavelmente ao lado de Denilson.
O São Paulo crescerá horrores com os dois cuidando da cobertura dos avanços de apenas um dos laterais.
A escalação de Cortez e Douglas exige ou o obsoleto 3-5-2, ou Osvaldo e Lucas juntos, pois são rápidos e ajudam a marcar pelos lados, ou três volantes.
Maicon e Jadson irão brigar pela vaga de terceiro homem no losango do meio-campo. O 4-3-1-2 diminuirá a capacidade da equipe criar e permanecer com a bola na frente.
Em suma, Ganso pode ajudar bastante, não resolver.