Sem mea-culpa, Juvenal crê em apoio do coração são-paulino revoltado

Fonte Gazeta Esportiva

Apesar de os protestos da torcida que foi ao Canindé na derrota para a Portuguesa não terem sido intensos com a diretoria como com atletas e comissão técnica, já são fortes e duradouras nas redes sociais virtuais as campanhas pela saída de Juvenal Juvêncio do São Paulo. O presidente, porém, não consegue nem admitir seus erros. E está convicto de que quem pede seu afastamento, na verdade, o quer no cargo que ocupa há seis anos.
“No Twitter, pedem para eu ir embora, mas, no coração, não querem isso. Respeito quem critica, mas ousaria imaginar que ainda vou ter o reconhecimento deles”, apostou o mandatário, que considera todas as críticas passionais. “Emoção exige emoção em cima de emoção. Se a paixão a dois é difícil de controlar, imagina uma paixão coletiva.”
O presidente até minimiza as preocupações de seus contestadores. “É um desavisado ali, um jovem acolá, na emoção. E o São Paulo não está compartilhando emoção. O cidadão não quer saber quanto custa, se temos centro de treinamento, a dificuldade do técnico, se o Morumbi está modernizado. Quer saber o seguinte: ganhar o jogo, ver a bola entrar. Custa caro, mas isso não faz parte do escopo dele, que me cobra para arrumar e dar vitória.”
A cobrança, hoje, é por títulos – o time não é campeão desde o Brasileiro de 2008. Mas Juvenal lembra que, entre 2005 e 2008, o clube foi campeão mundial, da Libertadores e tricampeão brasileiro. “O São Paulo tem um passado recente de muito êxito. Mas passado no futebol é só Leônidas, Bauer, Noronha... Ninguém quer saber de passado mais recente”, constatou.
O presidente, porém, valoriza o passado recente a ponto de se negar a enxergar equívocos em seu trabalho. “Tenho dificuldade para fazer mea-culpa. Quando o Marcelo (Portugal Gouvêa, presidente do clube em 2003) me chamou para ser seu diretor de futebol, fazia dez anos que o São Paulo não ia para a Libertadores. E fui sete vezes seguidas”, argumentou.
Atualmente, o mandatário crê que a solução está na contratação de um zagueiro de qualidade – Lúcio, que está se desligando da Inter de Milão, tem pedido um salário considerado proibitivo e já há quem sonhe com a volta de Lugano, hoje reserva do Paris Saint-Germain – e de um técnico com capacidade de usar e avaliar bem o elenco na parte técnico e psicológica.

A satisfação do dirigente, contudo, estará na entrega de um clube forte em 2014, quando promete deixar a presidência. “Daqui um ano e pouco, vou embora. Quero deixar a coisa bem postada, alinhada, com serenidade, forte, competente. Mas o futebol é muito difícil, tanto que não é necessário ir à escola. Figuras brilhantes da economia foram presidentes de clube e arrefeceram”, disse, falando claramente de Luis Gonzaga de Mello Belluzzo, que presidiu o Palmeiras entre 2009 e 2011 sem conquistar nenhum título.
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