Um título. É o que falta para Lucas atingir no São Paulo um patamar acima do que já foi alcançado em um ano e meio de profissional. A visão é do próprio jogador, que, embora tenha em 2011 um ano de importantes conquistas pessoais, falhou na tentativa de evitar o terceiro ano consecutivo do clube na seca.
Lucas viveu duas realidades completamente diferentes este ano. Pela Seleção Brasileira, conquistou títulos, ficou conhecido internacionalmente, e se firmou como nome constante nas listas do técnico Mano Menezes, da principal. Em contrapartida, pelo Tricolor, participou de eliminações vexatórias, como na Copa do Brasil, para o modesto Avaí, rebaixado depois no Brasileirão. Foi criticado e chamado até de sangue ruim no Twitter. A vaga na Libertadores poderia servir de consolo, mas também não veio.
Resultado: ao invés de desfilar seu futebol pelos mais importantes palcos da América, terá, por exemplo, o desconhecido Independente-PA, como primeiro adversário na Copa do Brasil-2012.
Se serve de alento para o torcedor, pelo menos por ora Lucas diz que terá muito tempo para mudar o panorama e dar ao são-paulino o que ele tanto se acostumou na década passada. Ou seja, títulos.
Nesta entrevista exclusiva ao LANCENET!, concedida na redação do LANCE! no dia 6 de dezembro, dois dias após o término do Brasileiro, o meia fez uma análise de sua temporada e, acerca do interesse europeu em seu futebol, disse que ainda não é a hora de sair. Falta um título.
– Só assim poderei me tornar um ídolo dentro do clube – diz.
Mais amadurecido, como ele mesmo se considera, garante que já é uma realidade para o futebol e vai colocar esse status à prova para brilhar em 2012. Dessa vez, projetando as Olimpíadas de Londres, pela Seleção, mas também erguendo taças pelo São Paulo. Confira abaixo o bate-papo com o jogador, que também falou da relação com Emerson Leão, do que ainda precisa corrigir e da fama de mimadinhos que acompanha os atletas de Cotia.
A diretoria reclamou que faltou mais empenho, garra dos jogadores este ano. Você concorda?
Sim, concordo em partes também, porque é complicado falar que não tivemos vontade de vencer. Acho que faltou um pouquinho mais de ambição, faca nos dentes. Muitas vezes só apostávamos na nossa qualidade técnica e isso às vezes não é o suficiente.
A diretoria fala em contratar até nove reforços (já foram cinco). Precisa disso tudo?
Acho que sim. É sempre bom reforçar a equipe, quantos mais jogadores de nível tiver, melhor. A temporada é longa, tem vários campeonatos, tem de ter peças.
O que dá para esperar do time com o Leão?
Muita coisa. Ele já está colocando a cara dele no time. É um cara muito bacana, de caráter e gosta muito de treinar. Está sempre cobrando, sempre em cima, é muito bom. Ano que vem o time estará com a cara dele e tem tudo para dar certo.
Por que o São Paulo está há três anos sem ganhar títulos?
É difícil responder essa pergunta, mas tem muita coisa que influencia. Primeiramente a qualidade das outras equipes, não podemos tirar o mérito deles. A cada temporada a dificuldade aumenta, são seis equipes brigando por título, vaga na Libertadores, fica difícil se manter no topo. O São Paulo vem de uma década muito boa, com muitos títulos, e calhou nisso também.
Você deu azar por subir justamente nessa época?
Não diria azar. Talvez se o São Paulo estivesse em ascensão eu não teria subido. Acho que subi na hora que tinha de subir. Tenho certeza de que vai melhorar, vamos conseguir títulos e vou conseguir o primeiro pelo profissional do clube.
Você já se considera um líder desse grupo?
Não diria um líder, porque acho que não tenho esse perfil. Mas cada ano que passa estou mais preparado para ajudar a equipe. Você fica mais experiente, aprendendo cada vez mais e ano que vem estarei mais pronto. Vamos para cima, sempre visando conquistar os títulos.
Já se considera uma realidade para o futebol?
Com certeza. Até o fim do ano passado, era promessa, mas hoje sou uma realidade. Porque um jogador que chega na Seleção principal, tem uma sequência, conquista título no sub-20, joga todos os jogos do ano como titular do clube, não pode ser visto como promessa, tem de ser uma realidade, sim.
E como passar de realidade para um ídolo?
Há uma distancia muito grande de uma coisa e outra. Não lembro de quase nenhum jogador que se tornou ídolo sem ganhar um título. Então, preciso de um título. Estou longe de ser um ídolo. Tenho de conquistar a maioria dos torcedores, e mostrar isso dentro de campo, fazendo gols. Só assim serei ídolo.
O que mudou do Lucas do ano passado para agora?
Conquistei muitas coisas. Particularmente o ano foi muito bom. Não foi perfeito porque não teve títulos no São Paulo, vaga na Libertadores, que eu queria muito. Mas fui campeão no sub-20, fiz três gols na final, logo em seguida convocação para a Seleção principal, que esperava, mas não tão rápido.
Já esperava isso?
Confesso que me surpreendi. Achei que chegava, mas não tão rápido. Foi tudo meteórico.
O que dá para esperar do Lucas em 2012?
Este ano pude fazer 9 gols no Brasileirão, entrei para a história do São Paulo (artilheiro mais jovem do clube na competição). e podem esperar mais. Estarei mais pronto, com mais vontade, superação, empenho. Temos de voltar a ganhar títulos e estou pronto para a cobrança. Quero ganhar o primeiro título pelo clube e vou correr muito.
Descreva a emoção após marcar contra a Argentina.
Não tem explicação. O país inteiro estava me assistindo, passou um filme na minha cabeça. Sempre fui muito patriota, ligado à Seleção, e de repente eu estava lá, com o estádio inteiro gritando meu nome. Depois, no vestiário, todos me deram parabéns.
Por outro lado, logo depois você foi atacado no Twitter. Foi chamado de sangue ruim por um internauta. Como foi isso?
Senti muita tristeza. Como a pessoa pode falar aquilo se não me conhece? Foi um baque. Tinha lido tantas coisas, como pipoqueiro, mercenário, até normal, todo jogador passa por isso. Mas quando li sangue ruim, olhei no espelho, e fiquei muito triste. Mas passou, acho que ele fez aquilo só para dar notícias, me provocar.
Você disse recentemente que aceitaria contrato semelhante ao do Neymar com o Santos (para ficar até 2014). Já conversou com a diretoria sobre isso?
Ainda não, os meus representantes ainda não me passaram nada. Mas eu procuro só jogar minha bola, e esquecer essas coisas.
Seu empresário (Wagner Ribeiro) chegou a ter problemas com a diretoria. Atrapalhou?
São problemas extracampo e nem me preocupo. Deixo para eles resolverem e foco só com o que acontece dentro de campo.
Falam que a geração formada em Cotia é mimada. Concorda? Hoje há mais mimados?
As coisas vão mudando. Antes era bem mais sofrido. Tem de pegar no pé quando tiver de pegar, em Cotia a estrutura é maravilhosa, e o São Paulo cobra. Mas hoje em dia você tem acesso aos bens materiais, acaba relaxando um pouco, mas tem de cobrar.
Mas então hoje os jogadores se deslumbram mais fácil?
Acontece, mas vai de cada um, da família de cada um, para não deixar as coisas subirem à cabeça. Tem de ser consciente e continuar com o mesmo perfil sempre. Às vezes
Lucas afirma: 'Sou uma realidade, mas falta um título no São Paulo'
Meia tricolor faz uma análise da temporada 2012
Fonte LANCE!
29 de Dezembro de 2011
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