
Gazeta Press e Divulgação
São Paulo quer revitalizar o Morumbi, enquanto Palmeiras e Corinthians têm projetos grandiosos para suas futuras arenas
Acostumados a disputar títulos em campo há quase um século, Corinthians, Palmeiras e São Paulo vão entrar numa briga diferente nos próximos anos, provavelmente depois da Copa do Mundo do Brasil, em 2014: a disputa para receber grandes eventos em seus estádios.
O Tricolor hoje tem o monopólio nessa disputa – recebe neste fim de semana, no Morumbi, o show do astro Justin Bieber, e ainda neste ano será o local de apresentações de estrelas como o guitarrista Eric Clapton e a banda Pearl Jam.
Mesmo assim, o Tricolor quer mais, e anunciou no mês passado um projeto de revitalização que prevê a cobertura total do estádio e a construção de uma miniarena, atrás de um dos gols do Morumbi, que permita a realização de shows para até 25 mil pessoas, sem necessidade de utilização do gramado. Outra ideia, a construção de hotéis vizinhos ao estádio, também está em estudo.
Os rivais estão correndo atrás. O Palmeiras apresentou nesta quinta-feira (6) a norte-americana AEG como gestora de seu novo estádio, sucessor do Palestra Itália, que tem inauguração prevista para o primeiro semestre de 2013. A empresa já administra diversas arenas ao redor do mundo que recebem eventos esportivos e grandes shows, casos do Staples Center, em Los Angeles, e da O2 Arena, em Londres.
O Fielzão, estádio do Corinthians em Itaquera, fica pronto no fim de 2013 e será usado para receber a abertura e outros jogos da Copa de 2014. O Timão poderá usá-lo a partir do começo de 2015, e os dirigentes pretendem usá-lo como espaço para shows e grandes eventos, como forma de retorno do investimento – hoje, avaliado em R$ 820 milhões.
Alternativa
Para Chuck Steedman, vice-presidente da AEG, que também administra clubes esportivos - um deles é o LA Galaxy, um dos mais famosos dos Estados Unidos -, os estádios são uma excelente alternativa para aumentar a arrecadação e, assim, montar elencos mais fortes e ter mais chance de brigar por títulos.
- É muito difícil montar bons times, competitivos, e todo mundo busca o tempo todo novas formas de receita. Isso acontece nos Estados Unidos: canais de televisão, parceria com clubes de outras modalidades. E aproveitar a rentabilidade das arenas também é muito importante.
Como a AEG é parceira de diversas promotoras de show, a arena do Verdão larga na frente, mas não tem garantia nenhuma de que sediará os maiores shows internacionais, até porque sua capacidade, de 45 mil lugares para jogos, será menor que a dos rivais - o Fielzão deve ter 48 mil lugares, enquanto o Morumbi pode receber perto de 70 mil torcedores.
Rogério Dezembro, diretor da WTorre, construtora que está fazendo o novo estádio do Palmeiras, diz que é inevitável que o Trio de Ferro, como Corinthians, Palmeiras e São Paulo ficaram conhecidos pela rivalidade, se tornem adversários também fora de campo – ou melhor, usando o campo para outra finalidade.
- Não é questão de “se vai acontecer”, isso vai acontecer, e logo. Não tem jeito, é uma renda muito grande, ninguém pode desprezar isso.Vai ser uma disputa bastante interessante.