"Minha função sempre foi a que comecei contra o Flamengo, como um terceiro volante pelo lado esquerdo. É onde meu futebol sempre rendeu mais", defendeu, elevando seu tom de voz. "Estou aqui para ajudar e, se puder, atuo até de goleiro. Mas tenho a minha posição", insistiu.
Não é a primeira vez que o jogador demonstra desconforto com uma opção tática de Adilson Batista. No empate contra o Corinthians, ele foi sacado durante o jogo para a entrada de Rivaldo, substituição mais comum em sua trajetória no São Paulo, e deixou clara sua insatisfação. Ouvir que ocupa a vaga que seria do camisa 10, xodó da torcida, causa irritação.
"Ficam falando em Rivaldo, Rivaldo... As pessoas pensam que, pelo fato de eu bater com a perna esquerda, jogo na mesma posição que ele. Não é bem por aí. Sou fã dele. No segundo tempo contra o Botafogo, atuei recuado, na minha, e o Rivaldo na dele e fomos bem, fizemos gols", disse Cícero, lembrando do jogo que o Tricolor perdia por 2 a 0 e empatou quando ele esteve ao lado de Rivaldo.
Djalma Vassão/Gazeta Press

Jogador quer ser escalado como terceiro volante, posição que Adilson Batista reluta em escalá-lo
Apesar do protesto, Adilson não cansa de exaltar o jogador com quem já havia trabalhado no Figueirense por ser curinga. Ele já cogitou até escalar Cícero como lateral esquerdo e, durante um jogo contra o Ceará em que só tinha João Filipe como zagueiro em campo, recuou-o para o miolo da defesa e chegou a testá-lo da mesma forma em treino. Mais comum que essas improvisações, porém, na armação ou como centroavante.
"Por eu ter atuado no meio, acham que sou um meia que vem de trás, mas vou ali para ajudar. Às vezes, pela formação, tenho que ser um meia que chega na frente e, por não ter um homem de área, eu me enfiava muito ali e pegava pouco na bola. Com o Luis Fabiano, já temos esse homem, e deu para ver ele girando e incomodando", opinou o jogador.
"É recuado que meu futebol aparece mais. Desde o segundo tempo contra o Botafogo me sinto bem naquela posição. E fiquei satisfeito pelo meu rendimento contra o Flamengo, eu estava fazendo um bom primeiro tempo até a expulsão do Lucas, que dificultou para marcarmos", continuou Cícero.
Os protestos, entretanto, não devem fazer diferença nesta quarta-feira, diante do Cruzeiro. Sem Lucas, suspenso e com a Seleção Brasileira, Adilson deve adiantar Cícero novamente e escalar o resto do meio-campo com Denílson, Carlinhos Paraíba e Casemiro. "É a filosofia de trabalho dele e temos que respeitar, mas acho que é válida a conversa", tentou se consolar o atleta.