Ou porque o salgadinho acabou logo, ou porque o chope estava aguado, ou porque o bolo estragou. Ou porque bicões entraram e chutaram o balde. Enfim, vão dormir de cabeça inchada e com cara de tacho. Quem já passou por essa situação sabe o quanto é constrangedora.
E não foi o que aconteceu no Morumbi com o maior público do ano? A recepção de gala para Luis Fabiano começou com arquibancadas lotadas de tricolores, criançada em campo, homenagens de toda ordem, momentos de emoção e esperança. Pra terminar em farra do Flamengo, intruso que no máximo deveria representar papel secundário e sair logo de cena. Faltou combinar.
A derrota em si não seria um desastre, pois em confrontos entre equipes que têm tradição e estão próximas na tabela a tendência é de equilíbrio. Pode ser creditada a coincidência enorme o fato de o São Paulo ter perdido em seu campo os quatro clássicos com times do Rio no Brasileiro deste ano. Esses outros 3 pontos deixados em casa só não são irrecuperáveis porque vários candidatos ao título vacilam a todo momento - Vasco, Corinthians e o Botafogo que o digam.

O que preocupa é a capacidade de o São Paulo manter o prumo na reta final da temporada, à medida que se aproximarem as rodadas decisivas. A interrogação também vai para a estabilidade de Adilson Batista, que não atraiu simpatia da torcida desde que chegou e ainda se vê obrigado a ouvir vaias a cada tropeço doméstico. Condição emocional de treinador e jogadores é o maior adversário tricolor no caminho para o hepta.
A oscilação, dentro e fora de campo, ficou evidente no domingo chuvoso. O São Paulo caiu na arapuca de Vanderlei Luxemburgo, que se saiu bem na armação do sistema defensivo. O Flamengo não deu espaço para Dagoberto, Lucas e Luis Fabiano e ainda soube sair em contra-ataques com Ronaldinho e seus toques precisos. No fim das contas, foi quem criou mais oportunidades de gol - só marcou dois porque Rogério Ceni fez pelo menos quatro grandes defesas.
A tensão em campo se refletiu ainda no jovem Lucas, impetuoso e impaciente, a ponto de levar dois amarelos e, por extensão, o vermelho. No banco, o que se viu foi Adilson indeciso, que manteve Casemiro e Cícero por mais tempo, por temor de desmontar o meio-campo, em vez de apostar logo na juventude de Henrique e na experiência de Rivaldo, assim que perdeu Lucas. Para complicá-lo, trocou Luis Fabiano por Carlinhos Paraíba ao ficar com dez.
A saída do Fabuloso frustrou a torcida, mas era inevitável. Estava combinado que jogaria um tempo e meio, mais ou menos, em função de sua condição física ainda aquém do ideal. Adilson, no entanto, optou por solução conservadora, em lugar de ser ousado, e antecipou a troca em alguns minutos. Daí a exagerada ira popular. Enquanto esteve no gramado, Luis Fabiano tratou de deslocar-se, buscou o jogo, atreveu-se a dribles e chutes a gol. Nada excepcional, nem poderia ser diferente. O ritmo virá aos poucos.

O São Paulo precisa, neste momento, de jogadores e nervos no lugar certo.
Equilíbrio no Rio. Vasco e Corinthians fizeram jogo bonito em São Januário, apesar de o empate por 2 a 2 não ser o ideal na contabilidade de cada um para chegar ao título. O duelo dos dois líderes da Série A não frustrou e o suspense, na definição do placar, se manteve até o finalzinho.
Gostei muito do Corinthians. Tite armou seu time para segurar o Vasco, como se previa. Com um detalhe adicional: a saída para o contra-ataque foi rápida, sobretudo com Alex e Danilo, que tiveram a excelente atuação premiada com os gols. Jorge Henrique (enquanto esteve em campo), Ralf e Paulinho também foram importantes para dar velocidade, assim que a bola era roubada. Não foi por acaso que o time paulista teve maior número de chances de gol, com Paulinho e Danilo principalmente. Desempenho para manter a confiança.
Ah, tá! Só pode ser gozação de Felipão. O técnico justificou a lei do silêncio que impôs no Palmeiras, na semana passada, com a alegação de que os atletas têm medo da imprensa. Pelo futebol mostrado no empate com o América, têm pavor da bola também.