Luis "Fabuloso" Fabiano não é a oitava maravilha do futebol - desfilaram com a camisa 9 tricolor craques como Leônidas da Silva, Pagão, Toninho Guerreiro, Careca, só para citar um punhado de exemplos de fina estampa. Nessa lista nem coloco (com certo sentimento de injustiça) Serginho Chulapa, ainda hoje o maior artilheiro do clube, com 242 gols, 399 jogos e várias confusões. "Fabigol" tem 118 gols, segundo estatísticas mais ou menos confiáveis. Quer saber? Boto o Serginho também, oras!
Mas acho bacana e compreensível a expectativa que se criou em torno da reentré, como diriam cronistas sociais tradicionalistas. Os homens sempre procuraram mitos, que funcionam como projeção de proezas grandiosas que gostaríamos de realizar. Só que a maioria, tocamos a vida numa toada monótona, contida... Por isso, mitos não desaparecem; só mudam de forma. Na Antiguidade, heróis e semideuses conquistavam corações e mentes com espada e força descomunal. Hoje, seu arsenal compreende chuteiras, dribles e gols.
Por estas bandas, andamos carentes de ídolos do jogo de bola. Antes, os moços mais habilidosos passavam a vida nos clubes domésticos, até pendurarem as chuteiras e virarem... lendas. Um ou outro mais destemido atrevia-se a aventuras "no estrangeiro". Vários nem voltavam, criavam raízes lá fora.
Agora, o garoto mal desmamado dos juvenis dá uns dribles mais ousados, faz uns gols que em seguida caem no Youtube, e pronto: lá vem os gringos com a dinheirama e os levam embora. Vejam só: fala-se que o Cortês, aquele do Botafogo e que destaquei na crônica de anteontem, estaria na mira do Napoli. Bastou uma boa apresentação na seleção! Fica difícil cultuarmos nossa mitologia.
Por isso, quando um desses garotos prodígios faz caminho de volta provoca fuzuê danado. Taí o Luis Fabiano que não me deixa mentir. Os três anos que passou no São Paulo, entre 2001 e 2004, não pesaram tanto na época. Fez seus gols, claro, mas soavam como rotina. Agora, ganham nova dimensão. O rapaz de então virou boleiro maduro, experiente, um balzaquiano que em novembro emplaca 31 de idade. Disputou a Copa de 2010. Enfim, é outro status.

vipcomm
Expectativa em demasia pode provocar decepção. Luis Fabiano sabe disso e avisou, como convém a todo recém-chegado a peso de ouro, que não é o salvador da pátria. Faz bem em mandar esse recado. Não me coloco na turma dos que cobrarão resultados imediatos de alguém que ficou um semestre na funilaria. Mas ponho fé em Luis Fabiano, que chega em excelente hora para ajudar o São Paulo no caminho do hepta. Esse é dos poucos para os quais não vejo como despropósito usar o tão banalizado termo reforço. Boa sorte, Fabuloso!
Pra arrepiar. Um olho fica no Morumbi, outro em São Januário, onde Vasco e Corinthians fazem o duelo dos líderes. Não vale temperatura morna para esse clássico, como ocorreu recentemente com São Paulo x Corinthians, que de explosivo virou traque. Os dois times sabem que até empate pode ser desastroso, a depender do que aprontarem o Tricolor e o Botafogo, também no páreo.
O Vasco tem jogo consistente, cresceu desde a conquista da Copa do Brasil, encontrou ponto de desequilíbrio em seu favor na espinha dorsal formada por Fernando Prass, Dedé, Rômulo, Juninho Pernambucano, Diego Souza. Coadjuvantes como Fágner, Eduardo Costa, Elton têm regularidade. Na parte final do Brasileiro, é talvez o maior teste.
O Corinthians oscilou muito na virada de turno. Não jogou a toalha por causa do começo extraordinário e da instabilidade dos concorrentes. Jogar pelo empate não é mau negócio, nesta tarde. Posso errar, porém não conseguirá fechar-se o tempo todo, pois o Vasco obriga a sair para o jogo.