No dia seguinte à derrota do São Paulo para o Vélez na final da Libertadores de 94, fui ao CT e bati um papo com Júnior Baiano – zagueiro que tinha a justa fama de mau. Conversa vai, conversa vem, num certo momento ele disse: “A sorte daquele baixinho é que o meu técnico é o Telê, porque se fosse outro eu o teria rachado no meio.”
O baixinho em questão era Omar “Turco” Asad, um centroavante gorducho e marrento que azucrinou os são-paulinos fazendo cera e provocando.
Lembrei dessa passagem assim que vi a “tesoura” selvagem que Marcelo deu em Fábregas aos 48 minutos do segundo tempo do clássico de quarta-feira entre Barcelona e Real Madrid. O meia do Barça estava prendendo a bola na linha do meio de campo, de frente para os bancos de reservas, e mesmo assim Marcelo achou necessário fazer o que fez. Foi expulso de campo na hora e desencadeou um empurra-empurra que envolveu até os jogadores que não estavam em campo.
Duvido que Marcelo teria sido desleal como foi se o seu treinador fosse Telê Santana. E para não ir muito longe, aposto que não teria dado aquele pontapé se seu comandante fosse o que estava à frente do outro banco: Pep Guardiola, outro cultor do futebol limpo.
O comportamento do jogador em campo é muito influenciado pelas mensagens que recebe do chefe. Se o técnico faz sua cabeça para jogar bola e não ser violento, é uma coisa. Se o técnico não reprova as patadas e passa a mão na cabeça de quem se excede dizendo que quem exagerou foi o juiz, é outra.
José Mourinho pertence ao segundo grupo. Ele não sabe perder, seus jogadores nunca merecem a expulsão, e os árbitros sempre vão a campo premeditados a favorecer o Barcelona. Além disso é deselegante e desrespeitoso ao se referir ao adversário nas entrevistas, e seu comportamento agressivo está longe de ser um bom exemplo.
Ele ganha milhões e já conquistou muitas taças. Mas em termos de serviços prestados ao futebol não chega nem chegará aos pés de Mestre Telê.
Mourinho jamais será como Telê
Fonte Jornal da Tarde
19 de Agosto de 2011
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