por Marcos Rangel
Amigos tricolores,
Mais uma derrota para o Santos. Espero que este não seja um prenúncio de um 2011 igual ao de 2010 em que fomos saco de pancada para o Santos (e outros grandes rivais também, vale ressaltar) várias vezes, com exceção da vitória sobre as sereias da vila com a chegada de Carpegiani, no Campeonato Brasileiro já em reta final.
Claro que não é um momento em que devamos pedir a cabeça do nosso técnico que, ao meu ver, vem fazendo o que pode devido ao elenco que ele tem nas mãos. Carpegiani já enfatizou e, nesta partida, nosso Mito Rogério Ceni ressaltou mais uma vez: o que falta no nosso elenco é dedicação, compromisso e honra com o uniforme que vestem e também contratações cirúrgicas. Ceni falou: sem um centro-avante clássico, merecedor da 9, um lateral-direito e um volante de marcação, será mais um ano sofrido. Carpegiani, companheiros, é técnico, e não operador de milagres. Com sua chegada, ele sacudiu muito jogador sonolento e reavivou Dagoberto. É uma pena que ele não possa fazer o mesmo com a diretoria que temos.
Vamos analisar tentando deixar um pouco de lado a revolta com a derrota de ontem: Juvenal Juvêncio, sem dúvida alguma, fez uma administração digna para o Soberano: o nosso centro de treinamentos, a cotia para revelar os jogadores da base, campo de jogo, hotel, reffis para a garotada da base, nenhum time europeu tem uma estrutura como esta nossa, e isso é fato. A sua política de contratação também é ousada: contratar bons jogadores com custo baixo, praticamente zero. E com isso tivemos ótimos jogadores que nos trouxeram muitas alegrias e conquistas. No entanto, usando a política de contratação como exemplo, cada momento exige uma cartada diferente, um trabalho diferente. Até 2009, quando tínhamos um elenco ótimo e de dar inveja, poderíamos sim usar a política de contratar bons jogadores a custo zero. No entanto, em 2010, com um número extrapolado de contratação que não deu em nada e há jogadores ainda batendo ponto do Soberano e o fazendo de spa, a venda de ótimos jogadores e a debandada de outros, 2011 não é um ano para utilizar esta política de contratação, pois não temos um elenco competitivo que possa esperar por este tipo de contratação. Digo isso porque a reformulação do elenco deve ser forte, por inteira, e emergencial, o que significa que a diretoria não pode se dar ao luxo de contratar sem gastar. No momento e na situação em que nos encontramos, Juvenal Juvêncio precisa abrir a mão e o cofre, e contratar sem temor as contratações que Carpegiani quer e necessita. Não é fazer loucura, é fazer o dever de presidente do São Paulo Futebol Clube. Ou senão, será mais um ano para ser esquecido.
A coisa está séria e não há panos quentes que resolvam, e isto já se pode perceber com a insatisfação que o nosso Capitão expôs numa entrevista ao Lance!Net. Com suas próprias palavras, e todos aqui sabem disso, Ceni falou que se 2011 e 2012 passarem em branco como 2009 e 2010, ele se aposenta em dezembro do ano que vem. Também falou, ao término do clássico de ontem, que sem o centro-avante, o volante de marcação e o lateral-direito que necessitamos, não poderemos preparar a nossa equipe para competir com os demais times nos torneios que disputaremos. E como o próprio Ceni cutucou: e quando o Jean se machucar, quem vai substituí-lo? Quem vamos improvisar no lugar do já improvisado?
Sabemos de uma coisa que é digna em Rogério Ceni: suas insatisfações com o time, com o grupo, com a diretoria, são sempre tratadas internamente, nunca exposto ao público, à imprensa. Mas nossa diretoria é acomodada e Ceni sabe disso, por isso resolveu expor isto que ele expôs, pra ver se incomoda a atual diretoria que parece estar sempre de ressaca. Ceni não é de fazer isso. E é claro que Rogério Ceni não se aposentaria em 2012 só pela falta de títulos, isso foi uma maneira de incomodar Juvenal e Cia. para que eles se atentem ao serviço que tem que fazer no Maior do Mundo.
Carpegiani vem sendo um bom técnico? Sim, vem sim, na medida do possível e com o que ele tem em mãos. Mas por que a diretoria não contratou Dorival Jr., quando este estava disponível no mercado? Será mesmo por conta da especulação que o cara de cratera jogou em cima, dizendo que o Soberano estaria envolvido na confusão que Dorival haveria criado dentro do Santos, forçando uma possível demissão para não ter que pagar rescisão contratual? Acho que não. O São Paulo, que se gaba tanto pelo fato de não contratar técnicos empregados em outros times, quebraria este tabu para tirar Carpegiani do Atlético Paranaense e não contratar Dorival Jr. só pra não afirmarem que o Tricolor realmente estaria envolvido na confusão do técnico com o Santos e Neymar? Claro que não. A diretoria contratou Carpegiani porque, ao contrário de Dorival, ele vai trabalhar de acordo com a vontade da própria diretoria. Dorival, ao contrário, bateu de frente com a diretoria das meninas da vila para impôr respeito e disciplinar o espevitado Neymar. A diretoria sãopaulina não quer um técnico que bata de frente com ela, de jeito nenhum.
E agora, Carpegiani se encontra nesta situação, junto com Rogério Ceni: um time capenga, cheio de contratações erradas, almejando títulos inéditos que dão passaporte para a namorada do nosso time que é a nossa Libertadores, mas com possibilidades bem pequenas de conquistar estes títulos, porque as contratações do ano passado foram péssimas e as reposições e reformulação do elenco não está acontecendo como deveria acontecer para corrigir esta lambança e compensar o tempo desperdiçado.
E agora, JJ, o que você vai fazer? Já que quer tanto se eleger pela terceira vez no Maior do Mundo, passando por cima da opinião dos outros dirigentes do Clube e do estatuto dele, porque não se faz merecedor disso e reconheça seus erros e, principalmente, os conserta? Ao fim disso tudo e se não tivermos conquistado, no mínimo, 2 dos 4 títulos que estamos disputando, não adianta chorar sobre o leite derramado. Ou uísque derramado.
Abraços Soberanos.