“Conheço o Coates, já o vi jogar no Nacional e também nas categorias de base da seleção uruguaia, no sub-20. É alto, cabeceia bem e já tem bastante experiência, apesar da pouca idade”, analisa o ídolo tricolor, que defendeu o São Paulo entre 1977 e 1988 e ganhou dois Campeonatos Brasileiros (1977 e 1986) e quatro títulos estaduais (1980, 1981, 1985 e 1987).
“Ele também é muito técnico, é um zagueiro que sabe sair jogando. Certamente tem um grande futuro pela frente, e torço para que venha mesmo para o São Paulo”, completou Darío. O ex-zagueiro, que também já teve uma passagem como técnico do time paulista, em 1997, e disputou a Copa do Mundo de 1986, no México, pela seleção uruguaia, lembrou de nomes históricos no Morumbi como Pedro Rocha, Pablo Forlán e, mais recentemente, Diego Lugano – todos uruguaios e ídolos da torcida são-paulina.

O zagueiro Sebastian Coates (à esq.), do Nacional (URU), pode ser reforço do São Paulo
Crédito da imagem: Divulgação site da Fifa
“Tudo começou com o Pedro Rocha (defendeu o São Paulo entre 1970 e 1977) e o Forlán (pai do atacante Diego Forlán, do Atlético de Madri, jogou pelo time brasileiro entre 1970 e 1976), lá atrás, que abriram as portas para os outros jogadores. Depois teve a minha passagem pelo São Paulo e, há poucos anos, veio o Lugano. É uma tradição que existe no clube, e o São Paulo sempre ganhou títulos com esses jogadores”, lembra Darío.
“Isso dá tranquilidade a quem chega, no caso o Coates, se vier mesmo. A confiança é maior. O clube sempre trata muito bem os jogadores uruguaios, que se sentem em casa. Se ele vier, vai manter a tradição”, concluiu Darío Pereyra. Coates, aliás, ganhou o apelido de “El Luganito” no Uruguai, por conta das semelhanças com Diego Lugano, ex-ídolo do São Paulo, e é apontado como seu sucessor na seleção celeste. O próprio Lugano teria indicado o jovem zagueiro à diretoria do clube brasileiro.
Em entrevista ao ESPN.com.br na última semana, o vice-presidente de futebol do São Paulo, Carlos Augusto de Barros e Silva, o Leco, revelou que a negociação com o Nacional (URU) por Coates está em andamento. “Estamos tentando viabilizar financeiramente essa contratação”, afirmou, na ocasião.
É justamente a forma de pagamento ao clube uruguaio que impede o anúncio oficial do zagueiro como novo reforço do São Paulo. O clube não revela os números de sua oferta, mas nos bastidores especula-se que, por 50% dos direitos econômicos de Coates e com a ajuda de um fundo investidor, o Nacional (URU) receberia algo em torno de US$ 2,1 milhões (cerca de R$ 3,5 milhões).
Inicialmente, o clube uruguaio pedia US$ 5 milhões (R$ 8,4 milhões) para vender o jogador em definitivo, mas por conta de dificuldades financeiras já estaria disposto a aceitar a oferta são-paulina. Outro impasse envolve o período de liberação de Coates: o time do Uruguai quer contar com o zagueiro ao menos até o fim da participação da equipe na Copa Libertadores da América, e o São Paulo gostaria de tê-lo imediatamente. Mas pode aceitar esperar até o meio do ano, quando está prevista a despedida de Miranda, que acertou sua transferência para o Atlético de Madri.
Rivaldo
Às vésperas da apresentação oficial do meia Rivaldo, de 38 anos, como novo reforço do São Paulo, programada para esta sexta-feira, Darío Pereyra também falou sobre a chegada do pentacampeão mundial ao Morumbi e a comparou com a possível vinda de Coates. “O Rivaldo é um grande jogador, foi campeão do mundo. O Coates é jovem, só está começando no futebol, é difícil dizer qual contratação é melhor para o clube. Acredito que o Rivaldo vai contribuir mais com a sua experiência e talvez nem jogue tantas partidas como os atletas mais novos”, arrisca.
“A gente não sabe como ele (Rivaldo) está, mas o mais importante é a experiência que ele deve passar aos mais jovens. Essa ajuda que ele pode dar vai ser interessante”, continua Darío. “O que a gente espera é que ele ajude o São Paulo a ganhar títulos, junto com o Coates e outros reforços que possam vir.”