(Foto: Marcelo Prado / GLOBOESPORTE.COM)
Se o Palmeiras encontra problemas em sua lateral direita atualmente, a falta de habilidade de alguns de seus dirigentes fez com que a solução tenha ido parar no São Paulo, adversário na tarde deste domingo, pela quarta rodada do returno do Campeonato Brasileiro.
Quando a bola rolar no clássico do Pacaembu, a partir das 16h, certamente o lateral-direito Ilsinho, que começará no banco de reservas da equipe do Morumbi, será vaiado pela torcida do Verdão, que será maioria no estádio. Afinal, o jogador foi revelado no Palestra Itália, onde jogou dez anos e, assim que despontou no time profissional, pulou o muro e foi para o Tricolor. E o GLOBOESPORTE.COM foi atrás da história para saber o que aconteceu de verdade nessa negociação.
Ilsinho foi promovido ao time profissional do Palmeiras em 2006 pelo então técnico Emerson Leão. Havia disputado cinco jogos e, logo de cara, mostrava ser uma grande promessa. Só que o seu contrato acabaria no fim do mês de maio. Seu salário na época era de R$ 800. No momento de discutir a renovação, reuniram-se numa mesa o gerente de futebol do Verdão na época, Ílton José da Costa, o vice Salvador Hugo Palaia, os pais do jogador e o procurador do atleta, Wagner Ribeiro.
- Era uma reunião normal para discutir o que seria do meu futuro. Meu procurador apresentou uma proposta do Villarreal (ESP) para saber qual seria a posição do Palmeiras. Imediatamente a resposta foi: isso eu não pago, pode pegar seu atleta e levar embora. Só que, na sequência, não agiram corretamente. Usaram vários termos que deixaram meus pais ofendidos. Pessoas experientes no futebol jamais poderiam ter agido daquela maneira. Meu pai saiu da reunião, encontrou comigo e disse: por mim, você não joga mais aqui – revelou Ilsinho.

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O lateral lembra que cumpriu seu contrato e, pouco antes de sair do clube, conversou com o então técnico Tite.
- Falei que gostaria muito de continuar, mas que, com o reajuste que me ofereceram e com a maneira com que trataram meus pais, seria difícil – ressaltou.
O seu contrato com o Verdão acabou, e Ilsinho acertou tudo com o time espanhol. Na manhã seguinte, ele acordou com uma ligação do diretor de futebol do Tricolor, João Paulo de Jesus Lopes, que perguntou se ele teria vontade de jogar na equipe do Morumbi. No primeiro momento, ele não acreditou.
- Achei que fosse trote. Imagina que um dirigente do São Paulo iria ligar no meu telefone. Respondi que, se realmente fosse do São Paulo, que entrasse em contato com o Wagner Ribeiro. Depois do almoço, meu procurador me ligou, falou que a proposta era séria, fomos conversar e fechamos. Eles pagaram praticamente o mesmo que eu ganharia na Espanha e fui muito feliz. Por isso que digo que o São Paulo é minha segunda casa – afirmou o jogador.
No acordo entre jogador e São Paulo, Ilsinho ganhou um belo reajuste salarial e se tornou dono de 40% dos seus direitos federativos. Ele recebeu sua parte em 2007, quando foi negociado com o Shakhtar Donestk por 11 milhões de euros.
O curioso da história é que, quando o São Paulo anunciou a venda do jogador, o Palmeiras entrou com uma ação na Justiça alegando que tinha direito a parte desse valor.
- Eu nem sei o que eles queriam. Eles processaram o São Paulo e a mim. Perderam em primeira instância, o processo correu e foi definitivamente arquivado no início desse ano. Desde o ocorrido lá atrás, nunca ninguém me ligou. E eu também não quis mais saber. Hoje, quando chegar ao gramado, vou cumprimentar os meus amigos e pensar apenas no São Paulo. Meu pai não gosta de falar do que aconteceu na época, mas na vida, tudo é um aprendizado. Hoje, posso dizer que estou muito feliz no São Paulo – concluiu o lateral-direito.

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