OS GRITOS DE burro dirigidos ao técnico Sérgio Baresi na derrota para o Internacional tocaram o coração de Juvenal Juvêncio. Se não selaram a sorte do técnico interino, mudaram o tom do clássico contra o Palmeiras.
Uma derrota pode significar distância de dez pontos da zona de classificação à Libertadores, 16 a menos do que o líder. Há dois anos, antes de iniciar a reação que levaria ao tri brasileiro, o presidente do São Paulo tratava a perspectiva de perder a taça com naturalidade. Mas respondia de forma peremptória quando o assunto era o torneio continental : "Ficar fora da Libertadores não se cogita".

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O caráter decisivo que passou a ter a 23ª rodada pode ter interferência no jeito de jogar do São Paulo. Sérgio Baresi não é adepto de três zagueiros, mas recebe conselhos para usar o 3-5-2 e admite que seu time leva gols demais. Também sabe que precisa reforçar o meio de campo e para isso pode barrar um atacante. As preocupações na zaga e no meio de campo contrastam com a obrigação de vencer hoje.
Para o Palmeiras, o clássico não representa a última chance do ano, porque o sonho de disputar a Libertadores em 2011 tem nome: Copa Sul-Americana.
Felipão já deixou claro que usa o resto de 2010 para formar equipe forte no ano que vem. No caso do Palmeiras, o clássico também não é a última chance porque ela já foi a eleição do presidente Luiz Gonzaga Belluzzo, a contratação de Felipão e a chegada de Valdivia. Até a torcida conformada parece entender que a última chance é a manutenção do treinador, que depende da eleição de janeiro.
Palmeiras e São Paulo fazem um Brasileirão tão insosso que clássico mesmo, em São Paulo, será na quarta-feira, entre Santos x Corinthians. Verdade que o Flamengo ainda tinha 12 pontos abaixo do líder na 28ª rodada do ano passado e ficou com a taça. Hoje, Palmeiras e São Paulo estão a 16 da liderança. A matemática, então, indica que é possível ser campeão. Teimoso, o futebol diz o contrário.
