O estádio era a escolha dos são-paulinos nos anos 40 e 50 , quando o clube não tinha campo - o Morumbi só seria inaugurado em 1960 -, e opção dos alviverdes para confrontos decisivos, que exigiam maior capacidade de público.
Entre esses embates, o Pacaembu viveu um momento marcante na história palestrina. Foi lá que o clube entrou em campo pela primeira como Palmeiras. O jogo, coincidentemente contra o rival tricolor, ganhou ares de guerra. Além da rivalidade tradicional, na época já acirrada, os palmeirenses queriam revidar a pressão exercida pelos diretores do São Paulo para que o governo obrigasse o clube a se livrar do nome Palestra Itália, já que o Brasil ficou do lado oposto ao dos italianos durante a Segunda Guerra Mundial.
O goleiro Oberdan Cattani, hoje com 91 anos, lembra bem daquele dia, em 1942. "Quando mudamos (o nome) de Palestra para Palmeiras, entramos em campo com a bandeira do Brasil e fomos vaiados. Foi um momento de tensão", conta. "O favorito era o São Paulo. Waldemar Brito fez para eles. Depois viramos 3 a 1. E ainda tivemos um pênalti para cobrar, mas o São Paulo fugiu, abandonou o jogo", recorda.
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O próprio Oberdan veria, quatro anos depois, o rival ser campeão paulista invicto, pela única vez, diante do Palmeiras. Mais uma vez o Pacaembu serviu como palco. Durante o jogo, que terminou 1 a 0 para os tricolores, o goleiro levou um chute de Luizinho, o que causou uma briga que resultou em quatro expulsões, duas para cada lado. Desse episódio, Oberdan não se lembra, mas admite que no seu tempo de goleiro tais confusões eram comuns, ainda mais em jogos contra os são-paulinos. "Era um jogo muito duro, eles vinham pra cima da gente."
Brigas à parte, o Pacaembu proporcionou momentos de alegria, de muitos gols. Das dez maiores goleadas entre os clubes, cinco aconteceram ali: três do São Paulo (5 a 0, 5 a 1 e 5 a 1) e duas do Palmeiras (5 a 0 e 4 a 0). Porém, um dos mais heroicos triunfos realizados no Pacaembu terminou num modesto 1 a 1. O resultado deu o título paulista ao Palmeiras e mais uma vez o duelo lembrou uma batalha campal. Dessa vez sobre o barro, que tomou conta do gramado após uma tempestade, tanto que a partida do dia 28 de janeiro de 1951 ficou conhecida como "O Jogo da Lama". O São Paulo marcou primeiro, com Teixeirinha, mas no segundo tempo, depois de uma atuação perfeita de Oberdan, impedindo mais gols adversários, o Palmeiras empatou com Aquiles.
Recentemente, outro empate, no primeiro jogo das oitavas de final da Libertadores, em 1994, tornou-se memorável. O goleiro Zetti foi o responsável pelo 0 a 0 final. "Talvez tenha sido o jogo em que eu mais defendi. Estava no auge da minha forma física. Foi uma partida histórica", lembra o ídolo são-paulino, que adorava jogar no Pacaembu. "É um dos campos mais motivadores para o atleta. A torcida também sempre comparece. Eu sempre gostei de lá."
Quase iguais. Apesar da rivalidade, Palmeiras e São Paulo têm características em comum. A vizinhança é uma delas. Os CTs ficam um ao lado do outro. O auge dos clubes também coincide. Logo após ter conquistado o bicampeonato mundial, em 92 e 93, o São Paulo viu o Palmeiras, da era Parmalat, dominar o cenário do futebol nacional, durante 93 e 94. A igualdade, ou semelhança, se estende aos embates diretos. É o clássico com maior equilíbrio: foram 102 vitórias do São Paulo, 97 triunfos do Palmeiras e 96 empates em 295 partidas.
O Choque-Rei é imprevisível. Ainda mais no Pacaembu. Por isso, Cattani evita dar palpite. "Que vença o melhor", prefere. Zetti concorda. "Os dois estão instáveis no campeonato. Vai depender da motivação feita pela comissão técnica com a equipe."
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