Chácara da floresta: onde tudo começou

Fonte Diário de São Paulo
O ex-atacante Evair apontava, incrédulo, para o local em que garotos rolavam a bola no chão batido. Via cena semelhante à que viveu na infância no interior de Minas Gerais. "É aqui mesmo? Tem certeza? Parece mais o campo em que comecei, lá em Crisólia", comentou.
Mal dá para chamar de campo. Há muito mais areia do que grama. Nas divididas, sobe nuvem de poeira que torna impossível ver o desfecho da jogada.
Mas naquele espaço que hoje pertence ao Clube de Regatas Tietê, na capital, começou a história do clássico entre São Paulo e Palmeiras. A terra vermelha com duas balizas é o que restou do antigo Estádio da Floresta, o mais importante do estado nas décadas de 20 e 30.
"Quase ninguém sabe disso. As pessoas que frequentam a nossa sede nem imaginam a importância que esse lugar tem para o futebol paulista", ressalta o presidente do clube, Edson Oliveira Rocha.
Verdão e Tricolor se enfrentam hoje, no Pacaembu, 80 anos após o primeiro confronto às margens do Rio Tietê. Em 30 de março de 1930, o São Paulo da Floresta empatou em 2 a 2 com o Palestra Itália. A arquibancada, já demolida, poderia receber só duas mil pessoas. Mas 15 mil torcedores cercaram o gramado para ver o duelo.
"Você está brincando! Aqui já teve São Paulo e Palmeiras? Não acredito", espantou-se o menino Daniel, 12 anos, que batia bola na sexta-feira de manhã.
foto: Fernando Dantas/Diário SP

No campo de terra batida às margens do rio Tietê, começou a história do clássico
O São Paulo da Floresta foi o time que em 1935 deu origem ao Tricolor atual. Mandava seus jogos no estádio que depois foi comprado pelo atual Clube Tietê. O craque Frienderich era o grande astro. E o então Palestra Itália também realizava partidas no local esporadicamente.
Não que o terreno histórico esteja inativo. Há visitantes até demais. Por causa de parcerias feitas pelo Tietê, é usado pelo menos uma vez por semana pelo Sindicato dos Gráficos, Sindicato dos Funcionários dos Correios, Sindicato de Empregados de Condomínios e Edifícios, por sócios do clube e escolinha para crianças carentes. Até equipe de rúgbi faz os treinos no que um dia foi o campo que deu o pontapé inicial a uma das grandes rivalidades do país.
"Espaço de tamanha relevância assim precisava ser mais conhecido. Eu mesmo não sabia da sua importância. Nem mesmo que existia", constata Evair, que marcou a trajetória do clássico tanto pelo Verdão como pelo São Paulo. Ele visitou o campo a convite do DIÁRIO. E quase não acreditou que ali, no terrão às margens de um poluído rio, começou a história que terá continuidade hoje à tarde.
"Não fui aceito no São Paulo"
Evair fez embaixadinhas, controlou a bola no peito e até ensaiou carretilhas assim que soube que o campo do Clube Tietê foi palco do primeiro clássico entre as duas equipes. Identificado por qualquer torcedor como um dos grandes ídolos da história do Verdão, poucos se lembram que também defendeu o São Paulo. Menos ainda os que sabem ter ele sido campeão no Morumbi. Fez parte do time que levantou o caneco do Paulistão de 2000.
"Não fiquei muito tempo lá porque não fui bem aceito. Tinha gente que não gostava de mim porque achava que eu estava identificado com o Palmeiras. O futebol tem dessas coisas", diz.
Ele tem boas recordações do confronto vestindo a camisa tricolor. "Um dos meus clássicos memoráveis foi pelo São Paulo, no Palestra Itália. Pela minha história no Palmeiras, foi estranho. E ainda ganhamos por 3 a 2." Trata-se do confronto de volta pelas quartas de final da Copa do Brasil de 2000. Evair ajudou a eliminar o Alviverde com duas vitórias.
foto: Fernando Dantas/Diário SP

Mas as grandes lembranças são pelo clube que venceu a Libertadores de 1999. Principalmente porque, na primeira metade dos anos 90, o Choque-Rei era o grande clássico do futebol brasileiro. O Tricolor ganhou dois títulos mundiais (92 e 93) e, em seguida, o Palmeiras montou a máquina que conquistaria dois brasileiros, em 93 e 94.
"Eram grandes equipes. Outro jogo que me marcou foi pelo Paulistão de 94. Vencemos de virada e fiz o gol decisivo, de falta. Foi no dia da morte do Ayrton Senna."
Evair se refere a outra vitória por 3 a 2, só que desta vez para o Palmeiras. Uma das maiores partidas dos últimos tempos entre os times. Representou gigantesco passo para que o elenco então comandado por Vanderlei Luxemburgo conquistasse o bicampeonato estadual.
"Minha experiência nesse clássico foi sempre de grandes jogos. Quem diria que tudo começou nesse campo de terra batida?", espanta-se, observando os garotos da escolinha do Tietê correndo atrás da bola.
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