
Como o senhor analisa o atual time do São Paulo?
Vive um momento desfavorável, mas tem bom elenco e plena condição de se recuperar. Uma partida ruim ontem e mal também contra o Botafogo, mas demonstrava evolução antes disso. Vamos retomá-la.
Essa evolução que o senhor deseja retomar pode levar o São Paulo até onde?
Ela será gradual. O primeiro momento é levar o time até a Libertadores. Depois, pensar no título. Sempre pensamos em título. O São Paulo entra em todas competições pensando em título.
E esse momento desfavorável pode ser conseguido tendo um treinador inexperiente e sem currículo no comando?
Não concordo com isso. Ele conhece o nosso elenco e nossa cultura. Como técnico da base, conhece o nosso elenco principal, por causa de treinos conjuntos. Ele tem credencial e é um privilégio tê-lo como nosso funcionário. Mas é importante lembrar que nunca deixamos de colocá-lo como interino. Ele será interino até o momento em que conseguirmos um técnico com o nosso perfil. Não tem hora e nem data marcada.
E qual é esse perfil?
Todo mundo conhece. Tem de ser acostumado às grandes competições, ser um bom cidadão, precisa dar continuidade à formação de atletas da base e se adequar às nossas condições financeiras. Isso significa que não pode trazer comissão técnica imensa e não pode sonhar com contrato com multas elevadas.
Pode ser estrangeiro?
Pode ser, mas não nesse momento porque perderia muito tempo em conhecer elenco e em se adaptar. Pode ser em janeiro, para o Campeonato Paulista, que é de menor expressão.
O senhor é um dos responsáveis pelo futebol do clube mas também tem um cargo importante na secretaria de transportes do estado. O Carlos Augusto de Barros e Silva (Leco) é advogado. E o Marco Aurélio Cunha vereador. Isso não prejudica o clube?
Não prejudica. Ganhamos muitos títulos nos últimos cinco anos. Tem de medir pelo resultado. Marco Aurélio é funcionário não é diretor, ganha um salário mensal e sempre deixou claro que seu cargo de vereador não prejudicaria o trabalho. Eu e o Leco nos revezamos. Estou todo dia de manhã no clube, bem cedinho. Converso com o pessoal da fisioterapia, com os médicos, com a comissão técnica. Tem dia que almoço lá também. E existe telefone. Converso pelo menos três vezes por dia com o Leco e com o Juvenal.
O São Paulo ficou para trás em termos de contratação? O cube não quer gastar...
Não. Quando se repete muitas vezes uma situação falsa ela ganhar ares de verdade. E também é melhor imprimir a versão do que o fato. É Mais emocionante. É uo nas a.az áFicou para trás? Não. Qdo se repete uma situação falsa ela vira verdade. É melhor a versão do que o fato. Mais emocionante. É mito que não pomos dinheiro. Preferimos que vá para o jogador e não para outro clube. Preferimos fazer um contrato bom paa o atleta. Nós fomos os primeiros a contratar jogadores que estavam ficando livres em outros clubes, mas os outros estão fazendo igual. Seria ingenuidade pensar que não fariam igual. Mas temos vantagem em relação aos concorrentes.
Quais?.
O São Paulo é uma grande vitrine, jogadores preferem estar aqui até para futuras transferências. Temos uma estrutura muito boa e uma religiosidade financeira. Aqui, o salário nunca atrasa. Vamos completar o sétimo ano seguido de superávit. Por isso, os jogadores querem vir.
Mas o time contratou mal, não contratou?
Você acha que Alex Silva, Ricardo Oliveira, Fernandão e Ilsinho forma contratações ruins? O Carleto está sendo muito elogiado pelos treinos, mas teve quatro contusões seguidas. E mesmo contratações que estão sendo chamadas de ruins, eram boas naquele momento. Infelizmente, alguns jogadores em que apostamos – e com razão – não se adaptaram. E mesmo assim, como o Léo lima, nos deram lucro ao sair.
O time de 2011 vai ter que cara?
Vamos fazer uma reunião de avaliação no final do ano, mas a certeza é que jogadores como Mazola e Henrique voltarão para disputar um lugar de titular. O Ricardo Oliveira é titular absoluto, mas o Henrique vai brigar. O Zé Vitor é muito bom, mas talvez ele e o Bruno Uvini sejam emprestados como foram o Mazola e o Henrique.
Qual é a situação do Richarlyson e do Jorge Vagner, que ficam sem contrato?
O Jorge vai para o Japão. O Richarlyson deve ficar. Vamos conversar depois.
O Cruzeiro gastou US$ 2,5 milhões para ter o Montillo. O São Paulo nunca fará isso. Não vai gastar dinheiro?
Como não? O Dagoberto custou mais do que isso. O que a gente não faz é contratações em que apenas a parceira leva vantagem. Não vamos engordar o boi e ficar com pouco dinheiro quando ele for vendido. Ou, então, ver o boi fugir e ficar sem ninguém.
A diretoria do São Paulo proibiu Marcelinho e Carlinhos e usarem o apelido Paraíba?
Lógico que não. Se o cara pode se chamar Xandão por que Paraíba não pode? Não sei porque mudou. E também não temos nada com a vontade do outro Marcelinho virar Lucas.
O que o São Paulo fará com o Morumbi?
Faremos o que estava planejado, vamos modernizá-lo mas sem as exigências da Fifa. Será feita a modernização de acordo com nosso orçamento. O Morumbi é o único estádio brasileiro que gera mais receitas do que despesas. Teremos uma cobertura mas ainda não se sabe o tamanho. Pelo menos será para cobrir uma miniarena de 20 mil lugares onde ficam os ingressos mais caros para shows.
O Morumbi estará na Copa?
Não sei. Sei que é um estádio de concreto e real. Tem instalações boas e pode ser utilizado imediatamente.
O que o senhor acha de Ricardo Teixeira?
Não é meu modelo de dirigente e nem de cidadão. Tenho outro estilo.
A torcida são-paulina é arrogante?
Nada disso. É uma torcida altiva. A gente se acha superior, faz parte do nosso perfil.