No duelo, o zagueiro ainda travará mais uma batalha com Kleber, mas não teme polêmicas. "Ele é outro jogador", atesta. Para Alex Silva, corresponder às expectativas no Tricolor significa abrir novamente as portas da seleção brasileira, em busca de seu mais próximo objetivo, de defender a equipe canarinho na Copa América de 2011.
Aos 25 anos, em entrevista exclusiva à Gazeta Esportiva.Net, o jogador falou também sobre a maior crise que já viu no São Paulo.
Gazeta Esportiva.Net: Sua expectativa é de retornar aos jogos no clássico contra o Palmeiras?
Alex Silva: Sim, até porque fiz meu primeiro treino com bola junto com o grupo na segunda. Por isso, ficou muito em cima para jogar na quinta, preciso trabalhar um pouco mais o tempo de bola. Creio que até sábado poderei trabalhar mais e estar melhor fisicamente para jogar contra o Palmeiras, que será uma partida difícil. Espero motivar o grupo com minha volta.
GE.Net: Até falando em motivar o grupo, você é um dos líderes do elenco. Qual a importância de seu retorno em um clássico?
Alex Silva: Pelo momento que a equipe vive e pelo respeito que os jogadores têm por mim, retornar em um clássico na casa do adversário será muito bom. Vou voltar para fazer meu papel de orientar companheiros da defesa e do restante da equipe. Quero vibrar com cada bola que eu tirar. Tomara que eu possa contagiar a equipe com minha volta. Eu não aceito derrota. Toda vez que entro em campo, falo com companheiros de zaga que não gosto de levar gols. Tive uma passagem maravilhosa em 2007 pelo São Paulo e também uma boa sequência na Libertadores passada. Para não sofrer gols, tem que estar atento o tempo todo, falar com companheiros e vibrar.
GE.Net: Em 2008, você estava no São Paulo quando o clube teve polêmica com o palmeirense Kleber. Como será o duelo com ele?
Alex Silva: A cabeça do Kleber mudou bastante e fico contente, porque ele era polêmico, mas reconheceu os erros. É uma felicidade enfrentá-lo, porque se trata de um grande jogador. Joguei contra ele na Libertadores deste ano, quando estava no Cruzeiro, mas não teve desavença, nem polêmica ou choques. Se um derrubava o outro, levantava e pedia desculpa. O Kleber é outro jogador, mas temos que tomar cuidado da mesma forma em campo, porque não desiste das jogadas. Precisamos ficar ligados o tempo todo.
GE.Net: Ele era maldoso em alguns lances?
Alex Silva: Não acho que fosse maldade, mas é um jogador viril. Em determinadas jogadas, algumas pessoas podem interpretar como maldade, enquanto outras, não. Teve o lance da cotovelada no André Dias (em 2008), mas isso é passado e temos que pensar no presente. Sabemos que é um grande jogador e faz diferença no Palmeiras, é um líder elogiado pelo Felipão. O maior respeito ao adversário é ter atenção a ele.
Duelos com Kleber foram polêmicos em 2008GE.Net: No primeiro semestre, você vibrava bastante e estava bem, enquanto o Miranda recebia críticas. Como pode contribuir para seu colega de defesa?
Alex Silva: O Miranda está voltando à sua melhor fase, assim como era nos três anos maravilhosos que fez antes, com seleção brasileira e títulos. Nós dois nos entendemos bem, é só um olhar para o outro. Além dele, temos que respeitar o Xandão, que também vem em excelente fase. Espero ser aproveitado no domingo e contagiar o grupo, porque o São Paulo precisa dar uma arrancada no campeonato.
GE.Net: Você ficou fora do período de turbulência do São Paulo. Já tinha visto uma crise assim aqui?
Alex Silva: Já peguei fase assim quando estava no Vitória e sei como é complicado, mas eu nunca tinha passado por um momento como esse no São Paulo. Eu acordava, vinha para a fisioterapia e via meus companheiros cabisbaixos, mas não podia fazer nada, tinha que esperar e ter paciência. Fiquei bastante contente com as vitórias em três jogos difíceis. Depois, não deu certo contra o Botafogo, mas espero que o São Paulo vença na quinta-feira, para que eu volte mais tranquilo no clássico.
GE.Net: Você atravessava uma boa fase pelo São Paulo um pouco antes da Copa do Mundo e não escondeu a vontade de ser chamado, mas não foi possível. Como analisa sua chance na era Mano Menezes?
Alex Silva: Meu sonho continua, são quatro anos de trabalho. O Mano Menezes começou a formar uma equipe agora e está fazendo bastante mudança. Meu objetivo maior é estar presente na Copa América. Tive a oportunidade de disputar a edição de 2007, mas espero estar presente na próxima, porque dá moral para o treinador fechar o grupo. O Dunga fez isso e manteve alguns jogadores até a Copa do Mundo. Vou tentar fazer meu trabalho da melhor maneira possível, mas o torcedor precisa ter paciência. Não dá para comparar meu momento de agora com o do primeiro semestre, porque fiquei um mês parado. Preciso de ritmo e só vou adquirir com as partidas. Não vai faltar vontade, pois espero voltar à seleção e levar o São Paulo ao G-4, pensando também em título.
GE.Net: A próxima Copa América será na Argentina. Vencer na casa do rival é a grande oportunidade de se firmar na seleção brasileira?
Alex Silva: Se fosse no Brasil, a Argentina iria querer ganhar também. O importante é que nas últimas edições só deu Brasil, inclusive sobre a Argentina em 2007. Mas seria um gostinho especial ganhar lá na casa deles.
Alex Silva já defendeu a seleção com o irmão Luisão e sonha com chance de Mano MenezesGE.Net: O Cicinho passou pelo São Paulo no primeiro semestre e falava que não imaginaria ter que voltar para a Roma, mas precisou retornar. Seu contrato vai até o meio de 2011. Acha que vai seguir aqui ou voltará à Alemanha?
Alex Silva: Por enquanto, não penso nisso. Mas meu objetivo é permanecer no São Paulo. Se dependesse de mim, teria feito um vínculo maior, mas tenho contrato com o Hamburgo. Acho difícil de ele querer me emprestar novamente ao São Paulo, mas vou tentar, porque aqui é minha segunda casa e estou bastante feliz. Vamos conversar a partir do fim do Brasileiro para ver se podemos prolongar o contrato.
GE.Net: Você acha que a ida para o Hamburgo atrapalhou sua sequência na seleção?
Alex Silva: Se tivesse permanecido aqui, poderia ter recebido mais oportunidades na seleção, mas é importante ressaltar que eu amadureci muito na Alemanha. Quando cheguei ao São Paulo, tinha vários defeitos, que foram corrigidos pelos profissionais daqui. Eu amadureci lá, mas creio que terei mais chances de ir para a seleção jogando aqui, porque o treinador (Mano Menezes) está indo assistir a vários jogos. Se voltar para a Alemanha, não sei se terei meu espaço ou se precisarei disputar com algum outro zagueiro. Até lá, vou pensar com carinho e espero terminar com final feliz