Uma boa comparação pode ser feita entre os Brasileiros de 2008 e 2010. Há dois anos, foram marcadas 137 penalidades e houve 20,4% de erro. Hoje, ainda na 17ª rodada, a quantidade de lances perdidos já chega a 38,1%.
Antes do fim da paradona, 20 pênaltis foram marcados no Campeonato Brasileiro deste ano, 16 convertidos e apenas quatro desperdiçados. Após a decisão da Fifa, os goleiros acabaram ganhando mais destaque. Das 17 cobranças perdidas em 2010, 13 foram defendidas. Victor, do Grêmio e da Seleção Brasileira, pegou três. Geovanni, do Grêmio Prudente, Rogério Ceni, do São Paulo, e Fábio, do Cruzeiro, defenderam duas cada. Foram ainda duas cobranças no travessão, uma na trave e outra para fora.
O atacante Neymar, que gostava de usar o artifício para enganar os adversários e surpreendia pela frieza no lance, já desperdiçou dois e acabou perdendo o posto de cobrador oficial do Santos. Keirrison deve ser o escolhido por Dorival Júnior para assumir a responsabilidade no Peixe. Para o atacante, a decisão da Fifa acabou deixando a disputa entre jogadores e goleiros mais igual.
- Como acabou (a paradona), é natural que (o número de erros) tenha aumentado, pois os goleiros estão tendo mais chances. Acho que a decisão foi bem pensada pela Fifa, para que o goleiro também possa ter condição. O cobrador já tem uma vantagem natural. Sem paradinha, fica justo para os dois lados.
No Brasil, o recurso começou a ser usado com frequência em 2008. E não foi proibido pelos árbitros, já que a regra não apresentava qualquer proibição. Em outros países, mesmo da América do Sul, já era proibido. Num jogo da Taça Libertadores de 2009 entre Sport e Palmeiras, por exemplo, o árbitro chileno Carlos Chandía avisou aos jogadores que não aceitaria a paradinha.
Número de erros surpreende
O percentual de pênaltis perdidos em comparação aos últimos anos no Brasileirão, surpreende. Em 2007, no campeonato inteiro, 29,1% das cobranças não foram aproveitadas. Na temporada de 2009, houve 22,5% de erros. Como dito anteriormente, só em 2010 foram 38,1%.

O goleiro Marcelo Lomba, do Flamengo, também acha que a mudança na regra do jogo deixou o confronto mais justo. Ele, que defendeu um pênalti na última rodada contra o Guarani, lembra que os goleiros gostam de estudar os batedores e, sem a paradinha, têm mais chances de surpreender os adversários.
- Facilitou. Era um recurso em que o goleiro ficava em grande desvantagem. Além dos treinamentos, temos a possibilidade de estudar os jogadores pela televisão. Quando havia a paradinha, não adiantava fazer isso, pois os jogadores usavam desse artifício. O Neymar e o Fred dificilmente erravam e agora a coisa mudou um pouco. Ficou mais igual. O que marca a carreira do goleiro é pegar pênalti, é ganhar título. Fiquei muito feliz no último jogo, mas infelizmente a vitória acabou escapando no final.
