Onde Dorival errou? Decisões pesaram na virada do Santos

Dorival surpreendeu o Santos no início, mas demorou a reagir às mudanças de Cuca e viu suas substituições desorganizarem o São Paulo.

Fonte SPFC.net
4 de Outubro de 2026

O São Paulo teve bons momentos contra o Santos, criou mais, abriu o placar e chegou a surpreender Cuca taticamente. Ainda assim, saiu do MorumBIS derrotado por 2 a 1. Nem tudo pode ser colocado na conta de Dorival Júnior, mas algumas decisões do treinador pesaram quando o clássico mudou de cenário.


O próprio Cuca reconheceu que o plano inicial do São Paulo lhe causou problemas. Com Pablo Maia recuando para formar uma linha de três, liberdade para os alas e Luciano flutuando pelo meio, o Tricolor controlou boa parte do primeiro tempo. O problema foi que o Santos encontrou respostas no intervalo — e Dorival demorou mais para encontrar as suas.


1. O improviso de Pablo Maia teve custo defensivo

Dorival surpreendeu ao utilizar Pablo Maia como zagueiro pelo lado direito. A escolha teve uma justificativa: Sabino não estava em condição ideal para iniciar a partida, e o treinador afirmou que Osorio não se encaixava no desenho planejado para o clássico.


A ideia funcionou em alguns momentos com a bola, principalmente porque liberou os laterais e criou superioridade no meio. Mas Pablo demonstrou desconforto na função e teve dificuldades para entregar a qualidade de saída de jogo que se esperava de um volante atuando na defesa. A avaliação do ge destacou recuos excessivos e chutões, além de problemas para controlar Everton Cebolinha.


O erro, portanto, não foi simplesmente inventar uma formação diferente — afinal, ela surpreendeu o Santos. O questionamento está em apostar em uma improvisação defensiva em um clássico no qual o São Paulo já tinha Rafael Toloi atravessando momento de insegurança.


2. Cuca mudou no intervalo; Dorival demorou para responder

Este talvez tenha sido o ponto tático mais importante da partida. Cuca admitiu que o Santos sofreu no primeiro tempo e, no intervalo, colocou Philippe Coutinho e Gustavo Henrique, alterando de maneira profunda a ocupação do meio-campo.


Coutinho passou a atuar como o homem central de um losango. Aos oito minutos, a mudança produziu exatamente o que Cuca buscava: volante encontrou o meia, Coutinho acionou Cebolinha e Gabigol recebeu para fazer o gol da virada.


Dorival só realizou sua primeira grande reação aos 18 minutos do segundo tempo, dez minutos depois do gol. Foram três alterações de uma vez: Newton, Danielzinho e Gustavo Santana entraram nos lugares de Toloi, Bobadilla e Ryan Francisco.


Enquanto Cuca corrigiu o que estava perdendo no intervalo, o São Paulo precisou sofrer a virada para reorganizar seu desenho.


3. Três mudanças de uma vez deixaram o time confuso

A reação de Dorival foi agressiva, mas pouco clara. Newton entrou inicialmente na defesa e depois passou para o meio-campo. Danielzinho entrou em um setor que já não conseguia controlar a partida, enquanto Gustavo Santana substituiu Ryan.


Na avaliação individual do ge, Newton acabou sendo utilizado em um “sistema extremamente confuso” após as substituições. A própria análise do treinador recebeu nota 4 e apontou que as alterações desorganizaram mais do que organizaram o São Paulo na tentativa de buscar o empate.


Depois, Dorival ainda colocou Wendell no lugar de Iago e Victor Sá na vaga de Pedro Lima. Ao fim das cinco trocas, o São Paulo tinha alterado jogadores, posições e funções em sequência. A equipe passou a atacar mais pela necessidade do que por uma estrutura ofensiva clara.


4. Ryan Francisco saiu justamente quando o São Paulo precisava marcar

A saída de Ryan Francisco também merece discussão. O garoto havia sido um dos melhores jogadores do São Paulo: movimentou-se, brigou com os zagueiros, sofreu o pênalti convertido por Luciano e ainda levou perigo pelo alto. O ge o apontou como o melhor tricolor da partida. /p>

Aos 18 minutos do segundo tempo, com o São Paulo perdendo por 2 a 1, Ryan deixou o campo para a entrada de Gustavo Santana. É verdade que o jovem havia sofrido pancadas durante a partida e Dorival afirmou depois que algumas substituições aconteceram por solicitação dos próprios jogadores, sem especificar todos os casos. Por isso, não é possível afirmar que a saída tenha sido exclusivamente uma decisão técnica.


Mesmo assim, do ponto de vista do jogo, retirar naquele momento um atacante que vinha dando trabalho à defesa adversária tornou a escolha naturalmente questionável.


5. Dorival gastou as cinco trocas e ficou sem reação à lesão de Luciano

Quando Luciano sentiu a virilha aos 32 minutos do segundo tempo, Dorival já havia utilizado todas as cinco substituições. O camisa 10 teve de permanecer até o fim, mancando e com mobilidade bastante reduzida.


Seria injusto responsabilizar o treinador por uma lesão imprevisível. Mas o episódio evidenciou o risco da estratégia adotada: o São Paulo gastou todas as alternativas de banco relativamente cedo e terminou os minutos decisivos com um jogador praticamente sem condições físicas.


6. Muito volume, mas pouca organização quando mais precisava

Na coletiva, Dorival enfatizou o volume ofensivo. Citou cerca de 14 ou 15 escanteios, bolas atravessando a área e as defesas de Diógenes. De fato, o São Paulo terminou a partida com 20 finalizações contra nove do Santos, e o goleiro adversário teve participação importante.


Mas os números não contam toda a história. Depois da virada, o Santos conseguiu reduzir o ritmo e o São Paulo teve dificuldades para transformar posse, cruzamentos e escanteios em chances realmente limpas. Produzir muito não significa necessariamente controlar bem um jogo.


A diferença mais incômoda para Dorival talvez esteja justamente nos bancos. Cuca identificou o problema do Santos, mudou no intervalo e viu Coutinho participar diretamente do gol da virada. Dorival, por sua vez, terminou a partida com um time bastante modificado, posições improvisadas e pouca clareza na busca pelo empate.


A derrota não foi apenas do treinador: Toloi teve participação direta nos dois gols de Gabigol, Diógenes fez grandes defesas e o São Paulo ainda foi prejudicado no empate, quando Ryan Francisco permaneceu fora do campo em uma aplicação equivocada da regra anticera, segundo o comentarista de arbitragem PC Oliveira.


Mas, depois de 12 dias para preparar o clássico durante a Data Fifa, fica uma cobrança legítima: quando o adversário mudou o jogo, Dorival não conseguiu fazer o São Paulo mudar junto. E, em um clássico decidido por detalhes, esse foi um dos detalhes que mais pesaram.

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